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Mensagens

Um outro país

Este fim-de-semana ficou marcado pelo congresso do PSD. Não se estava à espera de contestação e nada de relevante se terá passado. No entanto, aquela amostra de país que se encontrava no Coliseu dos Recreios nada tem a ver com o país real.
Aclamou-se de forma mais ou menos comedida o líder; Marcelo Rebelo de Sousa fez um brilharete e Miguel Relvas regressou para integrar a lista para o Conselho Nacional.
Dir-se-á que o regresso de Miguel Relvas já é um facto de relevo. Discordo. O regresso de Miguel Relvas é um acto natural num partido que chafurda num misto de incompetência, promiscuidade e na tal espécie de neoliberalismo.
O que se viu no Coliseu foi um outro país; o que se viu no Coliseu foi um exercício triste de quem procura ganhar eleições já em Maio. De fora do Coliseu ficou a miséria que assola o país, o retrocesso e a ausência de esperança.
O PSD lançou assim a sua campanha para as eleições europeias (onde se joga lugares no Parlamento Europeu e para a própria pres…

Fim da crise na Ucrânia

Tem sido notícia a possibilidade de um acordo político na Ucrânia que dê origem a eleições presidênciais antecipadas, a uma reforma constitucional e eventualmente a um governo de coligação. Se esta notícia se confirmar, o país poderá assistir a um apaziaguamento cada vez mais premente.
Todavia, mesmo que o actual presidente promova este acordo e que a oposição aceite, a estabilidade poderá ainda estar longe de ser uma realidade.
A complexidade das razões que subjazem aos protestos e agora conflitos tem sido simplificada de modo faccioso pela comunicação social ocidental e pela comunicação social russa, o que poderá levar a crer que a solução para a Ucrânia é também ela simples.
A divisão entre a parte ocidental e parte oriental da Ucrânia acentuou-se dramaticamente nos últimos meses e sejamos realistas: a Rússia quer manter a sua influência na zona, não estando Putin disposto a abrir um precedente com a Ucrânia e a Europa, sobretudo a Alemanha, pretende estender a sua infl…

Um dia mau

Todos temos dias maus, o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não é excepção e ontem foi um desses dias maus.
Desde logo, o referendo sobre a co-adopção foi chumbado pelo Tribunal Constitucional. A notícia em si não pode constituir surpresa, por muito que a exiguidade mental seja profusa no Executivo, era por demais evidente que o Constituicional não passaria aquelas duas perguntas. O referendo continuará a ser uma manobra de diversão. Porém, o chumbo do TC só pode ser lido como uma derrota, mais uma, do Governo.
Como se isso não bastasse, o relatório do FMI deita por terra o "milagre económico" da economia portuguesa. Sublinha-se a necessidade de encontrar mais 3 mil milhões de euros - cortes permanentes - para cumprir as próximas metas. O fim do programa de ajustamento não é sinónimo do fim da austeridade. Ela está aí para continuar.

Ucrânia

A situação na capital ucraniana, Kiev, aproxima-se vertiginosamente da guerra civil. Os protestos subiram de tom com exigências de um regresso à Constituição de 2004, depois da suspensão das negociações com a União Europeia, facto que deu origem às manifestações de Novembro.
O país está dividido: a parte ocidental mais favorável a uma aproximação à UE e a parte oriental pro-rússia. No entanto, outros problemas são subjacentes às manifestações: a corrupção, a oligarquia instalada, as desigualdades sociais são os exemplos mais fortes. O desfecho destas manifestações que se transformam rapidamente numa espécie de guerra civil é imprevisível. Certezas, porém, há pelo menos duas: a Rússia que tradicionalmente tem dominado a região que é hoje a Ucrânia não vai abdicar de ter este país sob o seu domínio e a União Europeia que apoia a oposição não fará mais do que tem feito, não excluindo a possibilidade de eventualmente recuar no apoio que tem dado à oposição ao Presidente Viktor…

Pouco abonado

Pedro Passos Coelho, entre um bacalhau e outro, confessou ser pouco abonado. A confissão teve lugar no Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas.A frase do primeiro-ministro surgiu depois de provar bacalhau e reconhecer que aquele produto é "cada vez mais para pessoas abonadas", não sendo esse o seu caso.Ou dito por outras palavras, Passos Coelho e bacalhau não combinam bem devido ao facto do primeiro-ministro ser pouco abonado.Em sentido contrário, e sentido-se cheia de confiança, a ministra das Finanças num outro sítio que não o Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas considera que Portugal está a fazer história, "será a primeira vez que um governo de coligação conclui o seu mandato" e também aqui o nosso país faz história, "apesar das dificuldades".São notórias as tentativas de se alimentar, q.b., as expectativas dos cidadãos. O futuro é um pouco mais promissor, mas os sacrifícios são para continuar. É esta a estratégia. Os pr…

Triunfo da apatia

Depois da destruição, tudo menos paulatina, de salários, pensões e dos pilares do Estado Social, chega agora o triunfo da apatia.
Na verdade, essa letargia que acompanhou o atropelamento de direitos foi contrariada em alguns raros momentos, tendo na manifestação contra a TSU o seu exemplo máximo. Havia quem questionasse o rumo do país e havia quem estaria disposto a lutar contra medidas que oneravam sobremaneira a classe média. Talvez por se tratar de uma medida que afectava quem acreditava escapar pelos pingos da chuva é que o resultado tenha sido o de várias centenas de milhares de pessoas nas ruas.
Esse tempo acabou. Entretanto de irrevogável em irrevogável, de demissão efectiva em demissão efectiva, o Governo foi fazendo o seu caminho, deixando a impressão de que nada nem ninguém teria a capacidade de contrariar o rumo do país.
Agora, com eleições à porta, este ano Europeias, no próximo legislativas, o Governo procura amenizar o discurso de austeridade, ao mesmo tempo que…

Passos Coelho e os antónimos

Pedro Passos Coelho agradeceu à troika por levar o país ao "caminho da estabilidade". Passos Coelho disse, sem se rir, que o país está agora a caminhar no sentido do desenvolvimento. Um desenvolvimento sem investigação, sem ciência, sem educação, sem cultura, sem classe média; um desenvolvimento que conta apenas com pobreza, baixos salários e com um Estado que tem cada vez menos serviços de natureza social disponíveis. É este o desenvolvimento que Passos Coelho apregoa; é também por isto que o primeiro-ministro agradece à troika.
Com efeito, este Governo, para além dos inúmeros defeitos que tem, manifesta dificuldade no domínio do léxico. Todos nos lembramos do "irrevogável". E agora percebemos que a palavra "desenvolvimento" não é familiar a Passos Coelho. Uma dificuldade que passa indubitavelmente pelos antónimos. Talvez Passos Coelho se referisse a um antónimo de "desenvolvimento" e não a "desenvolvimento" propriamente d…