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Mensagens

Hollande

François Hollande nunca foi uma promessa. Venceu as eleições presidênciais pela mesma razão que tantos outros vencem, por desgaste da oposição.
Embora nunca representando verdadeiramente uma promessa, também é verdade que poucos estariam à espera do Presidente Hollande atingir mínimos de popularidade históricos.Primeiro as políticas tantas vezes longe do que havia prometido, depois as fotografias bacocas e outras insignificâncias como a sua vida amorosa e agora os rumores de que Peter Hartz, antigo conselheiro de Gerhard Schröder  seja seu conselheiro. O conselheiro alemão como diz a imprensa francesa será o responsável pela "viragem liberal" do Presidente Hollande.A presidência francesa já desmentiu. Seja como for, a verdade é que Hollande comecou por ser um homem de esquerda tímido, a par de tantos outros e dá sinais de que a esquerda pode não ser exactamente a sua praia.De um modo geral, Hollande é um Presidente pouco popular, deixando assim que partidos popu…

Como sair limpo da imundície

A discussão do momento é precisamente como sair limpo da imundície. Refiro-me naturalmente à saída "limpa" de Portugal do programa de "ajuda" externa, à semelhança do que aconteceu com a Irlanda. Uns acreditam que é possível, outros referem a importância de um programa cautelar.
Não deixa de ser curiosa a terminologia utilizada: programa de "ajuda" externa e "saída limpa" são apenas alguns exemplos. Vivemos na era dos eufemismos e dos subterfúgios, amiúde misturados com a expressões como "viver acima das nossas possibilidades (já menos utilizada) a par da palavra "sacrifício". "Saída limpa" ainda assim consegue ser a expressão mais curiosa porque pressupõe uma resposta à questão: como sair limpo da imundície? Como sair limpo da austeridade que faz vítimas todos os dias, quando as saídas implicam sempre mais austeridade?; como sair limpo de um contexto de empobrecimento incessante?; como sair limpo de um futur…

O caminho da Europa

Os últimos anos da União Europeia foram indelevelmente marcados pela crise, primeiro do sector financeiro, depois das dívidas soberanas e pela subsequente resposta pejada de incertezas e de erros.
Os responsáveis europeus vêem sinais de recuperação e insistem numa receita que produziu milhões de desempregados, retrocesso social e desespero em muitos cidadãos europeus. A receita é dolorosa, mas única, dizem-nos até à exaustão.
É evidente que a receita tem tem ingredientes diferentes, consoante os países. A crise da dívida soberana portuguesa está longe de ser tratatada como a crise soberana de países como Itália ou Holanda.
Quem se prepara para trilhar o caminho da Europa é a extrema-direita. A extrema-direita cresce em países como França (segundo as últimas sondagens, Marine Le Pen pode bem conquistar as eleições europeias), Holanda e até Inglaterra, já para não falar do preocupante caso grego ou de casos como o austríaco ou italiano.
O populismo vai fazendo o seu caminho p…

Os sucessos e a escravatura

A ministra das Finanças em entrevista à TVI não escondeu a satisfação perante os pretensos sucessos do Governo, designadamente a redução do défice (abaixo do valor estipulado pela troika), mas afasta para já qualquer redução de impostos. O esforço é para continuar - se insistirmos nesta linha de governação vamos ouvir estas palavras durante décadas.
Em bom rigor, a dívida (privada e soberana) não dá sinais de apaziguamento. Pelo contrário, a dívida encarna uma forma de escravatura que nem sequer é nova. Continuaremos a ser escravos, sem que isso incomode sobremaneira o Governo.
Por outro lado, a redução do défice não é dissociável do "enorme" aumento de impostos a que os portugueses foram sujeiros.
O que resta é um país destroçado, apático e sem esperança. Os custos do "ajustamento" são considerados pela senhora ministra como sendo particularmente difíceis, ela conhece quem passe por essas dificuldades - "tem amigos e família". Em Portugal não se…

Mais um retrocesso

Nunca demos à cultura, à educação e à ciência a importância devida. Depois de séculos de atraso, o país conheceu acentuadas melhorias, sobretudo nas últimas três décadas. A massificação do ensino que tirou o país da idade das trevas do conhecimento ou da falta dele, uma aposta no ensino superior e algumas ténues tentativas de se fazer da ciência e da investigação um dos motores do desenvolvimento do país, foram determinantes. Seguramente que ainda há muito para fazer. Todavia, fruto de um obscurantismo gritante de quem não outro projecto de futuro para o país que nâo passe pelo empobrecimento, comecamos hoje, em pleno século XXI, a assistir a um verdadeiro retrocesso. O actual Governo aposta no desinvestimento na área da educação, mas também na ciência e investigação. Resta saber qual o potencial de desenvolvimento de um país que aposta nesse género de desenvolvimento. É evidente que será mínimo. De qualquer modo, este desinvestimento a que se somam outros terão um custo e…

Sobre as alternativas

O cenário político-partidário provoca exasperação até aos espíritos mais incautos. A ideia que persiste é a da exiguidade das alternativas. Por um lado, para além das divergências ideológicas (creio que a maior parte dos cidadãos não se revê nas actuais orientações ideológicas), sobra um mal-estar colectivo perante um Governo absolutamente afastado dos cidadãos. Por outro lado, os partidos da oposição: um Partido Socialista letárgico, sem ideias, que se adapta, que não contraria, que sobrevive, que apenas procura sobreviver. Aliás, PS e PSD fazem lembrar a frase de Guerra Junqueiro referindo-se aos dois partidos monárquicos: "dois partidos iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero". A isto soma-se o apêndice do costume: o CDS.
Os partidos mais à esquerda têm pouca visibilidade, sendo que o seu contributo, sobretudo no que diz respeito precisamente a propostas, é amiúde ignorado pela comunicação social. O panorama político-partidário não é dramático, é trá…

Confiança

Depois de um período conturbado em que a palavra "irrevogável" mudou o seu sentido, o Governo parece mais confiante. Nem a polémica em torno do referendo sobre a co-adopção pareceu abalar essa confiança.
E de onde vem a tal confiança? Dir-se-á que é o resultado directo dos famigerados bons resultados no que diz respeito à economia, aos números do desemprego e à saída da troika.
De qualquer modo, quem oiça o primeiro-ministro (não sei se serão muitos) dirá que Passos Coelho está confiante numa reeleição. Talvez. Muito provavelmente.
As eleições europeias, pouco apelativas, infelizmente, são, no entanto, importantes para os partidos políticos. Por um lado, podem mostrar o sentimento dos eleitores - no caso do Governo uma derrota expressiva faz os seus estragos; por outro lado, há lugares a serem distribuídos e ninguém quer ficar de fora.
Até às eleições europeias de Maio e provavelmente depois desse período eleitoral, continuaremos a ver um primeiro-ministro cheio d…