segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

União das Esquerdas


O tema em epígrafe é tão antigo quanto as próprias esquerdas. Clama-se amiúde por uma união das esquerdas que nunca passa do plano das boas intenções. O tema ganha novo fôlego numa altura em que a direita neoliberal domina e faz estragos sem grande oposição.
A união das esquerdas é indiscutivelmente o primeiro passo para se contrariar a aplicação de medidas que estão a destruir a Europa. Mas aquilo que fica bem no papel e nos discursos esbarra nas diferenças aparentemente impossíveis de sanar.
O risco da desunião das esquerdas é evidente: um caminho alternativo ao que tem sido seguido mantem-se inviável e abre-se espaço para o populismo e para a intolerância, como de resto se tem visto em vários países europeus.
Dito por outras palavras, a desunião das esquerdas nem permite solucionar os problemas da Europa e cria as condições - designadamente consequência da ausência de respostas - para o surgimento de novos problemas.
Até essa hipotética união se concretizar, continuaremos a viver sob o jugo do neoliberalismo que casa com ordoliberalismo alemão, num contexto de tibieza da esquerda socialista e social-democrata, com todos os custos sociais e políticos inerentes.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

10 perguntas sobre a dívida


A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida lançou um documento com 10 perguntas frequentes sobre a dívida. Recomenda-se vivamente a sua leitura.
A confusão que existe em torno deste assunto serve os intentos daqueles que, sob a capa da crise e da dívida, promovem e aplicam políticas que mais não são do que uma tentativa de mudar a sociedade e adequá-la a interesses que não são consonantes com o interesse comum.
Desde logo, aborda-se o assunto deixando sempre latente a ideia de que se trata de algo apenas atingível aos especialistas. A comunicação social, uma boa parte dela, tem sido o veículo preferencial para se lançar a confusão, deixando amiúde um rasto de mentiras.
É por demais evidente que não se pode discutir abertamente e com verdade um assunto que se quer confuso, opaco, resumido a meia-dúzia de chavões, encalhado em tantas mentiras e revestido pela manta da inevitabilidade. Desta forma, os cidadãos acolhem com maior facilidade as políticas de austeridade. Esporadicamente, importa não deixar que a esperança num futuro melhor esmoreça por completo. Esse é o papel do vice-primeiro ministro Paulo Portas.
O documento supramencionado é de fácil leitura e contribui de forma significativa para um esclarecimento que deve chegar ao maior número de cidadãos possível. Trata-se de um documento que deita por terra mitos, desfaz mentiras e lança uma luz mais intensa sobre um assunto que se encontra enclausurado na opacidade e na mentira.

Pode encontrar o documento aqui

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Os erros do FMI


O FMI reconhece novamente erros cometidos nos programas de ajustamento. Segundo Christine Lagarde, Portugal e Grécia deveriam ter tido mais tempo. Ainda assim e até porque os erros não são assunto para amplo debate, a directora-geral do FMI considera que a Europa está no bom caminho.
Existe uma multiplicidade de patologias que justificam este género de paradoxos. Não sei se a senhora padecerá de alguma dessas patologias. O radicalismo inerente à ideologia de que estes senhores se servem pode tornar-se, a par de outros radicalismos, numa doença.
Na Europa o reconhecimento dos erros é exercício de grande dificuldade. A respostas dos responsáveis das principais instituições europeias é invariavelmente a mesma: a receita é para continuar.
E agora Passos Coelho? Não se incomode, eu respondo por V. Exa: agora nada. A cegueira ideológica e uma inusitada mediocridade que norteia a sua governação não permite que V. Exa tenha a capacidade de reconhecer erros e agir em conformidade.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sinais de esperança

É sobejamente conhecida a falta de apetência do actual Governo na manuteção da esperança. É sobejamente conhecida a propensão do Governo para aniquilar essa esperança. Todavia, e apesar das elevadas doses de inépcia que caracterizam o Executivo, também não é novidade que sem se manter mínimos de esperança a governação pode transformar-se numa impossibilidade.
Deste modo, somam-se as tentativas de restaurar essa esperança no futuro. A economia está a sair da recessão, os números do desemprego não são tão maus como se esperava, a troika tem data marcada para nos deixar em paz. Neste último particular, há até quem fale na festa que se seguirá.
Sabe-se no entanto que o parece não é e, sobretudo, que o que nos dizem, com acentuada persistência, não corresponde à realidade. Os números que apontam para um crescimento da economia portuguesa merecem uma análise mais cuidada, sobretudo em correlação com períodos análogos; os números do desemprego merecem a mesma análise, contabilizando também as saídas de trabalhadores do país, os inativos, etc; a troika sairá do país, dizem eles, em meados do próximo ano. Porém, haverá, durante anos, ingerência externa com o aval absoluto de quem está à frente dos destinos do país, já para não falar da forma como a troika sairá do país, com ou sem programas cautelares.
De resto, as pressões internas, em particular no PSD, exigem uma atenção maior da direcção do partido e, consequentemente, do próprio Passos Coelho. Rui Rio diz que não, mas outros no partido insistem que sim. Passos Coelho não caiu nas graças dos portugueses, nem tão-pouco nas graças do seu próprio partido. Para tal, é fundamental restaurar a esperança. As vozes internas que contestam as políticas preconizadas pelo Executivo de Passos Coelho avolumam-se.
Passos Coelho quer permanecer na liderança do partido e à frente dos destinos do país, até porque o que seria de Passos Coelho sem estes cargos? Já estará destinado às piores páginas da História do país; resta-lhe o presente e o futuro mais imediato.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mal calibrado

Depois das notícias que dão conta de um crescimento da economia portuguesa, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, justificou a dureza das medidas aplicadas com o facto do programa de "assistência" "estar mal calibrado", embora "bem desenhado".
Quanto ao crescimento da economia portuguesa a pergunta que se coloca é: a economia portuguesa cresce para quem? Não será seguramente para os jovens que emigram, para os jovens que estão no desemprego, para quem vive na precariedade e dela jamais consegue sair, para os pensionistas que se debatem com cortes nas pensões, para os pequenos empresários que sofrem com a exiguidade do mercado interno ou para os funcionários públicos alvo de todas as desconfianças e apontados como responsáveis por todos os males.
O crescimento da economia, não é por si só, a panaceia de todos os males. É um indicador que, a julgar pela força da realidade, só se concretiza para uma infíma minoria de portugueses, provavelmente aqueles que jogam no tabuleiro económico, financeiro e político.
Relativamente à calibragem do programa de "assistência", não há eufemismo que esconda as verdadeiras intenções deste Governo: transformar de forma irreversível a sociedade portuguesa, uma sociedade assente no retrocesso social, no conformismo, na ausência de esperança - é esta a visão de sociedade que Passos Coelho está incumbido de transformar em realidade, num misto de incompetência, neoliberalismo e mediocridade

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A importância das eleições europeias

Vem este texto a propósito das lutas, por lugares bem entendido, de PSD e CDS. No seio destes partidos já se discute o período eleitoral que se avizinha: eleições para o Parlamento Europeu no próximo mês de Maio.
Numa Europa distante dos cidadãos, controlada pelo poderio económico alemão, esta é a única oportunidade dos cidadãos europeus fazerem ouvir a sua voz.
Paralelamente, o peso que as famílias políticas têm condiciona largamente as decisões comunitárias. Seria importante que a esquerda europeia pudesse conquistar mais lugares, destronando a direita que tem a maioria no Parlamento Europeu.
Sendo certo que o Conselho Europeu e a própria Comissão (controlada pela Alemanha) concentram em si o peso das decisões, ainda assim, o Parlamento tem um poder de influência e de decisão que não pode ser menosprezado.
Finalmente, os cidadãos europeus têm em Maio também uma oportunidade de manifestar o seu descontentamento perante o caminho que a União Europeia escolheu, muito longe do projecto europeu.
Por cá, começa a corrida aos lugares apetecíveis no Parlamento. Por cá, espera-se que os partidos que formam a coligação de governo sejam severamente penalizados.
É também evidente que num contexto de forte descrença na própria Europa, caracterizada pela mediocridade e fortemente influenciada por uma ideologia nefasta, a abstenção será, infelizmente, a grande vencedora.
A importância destas eleições prende-se também com a escolha do próximo Presidente da Comissão Europeia que, desde o Tratado de Lisboa, passa a ser escolhido pelo Parlamento Europeu.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela


A África do Sul e o mundo estão de luto. O desaparecimento de Mandela não deixa ninguém indiferente. Um homem extraordinário que deixa um legado extraordinário.
Um homem que arrastou as correntes, as grilhetas durante 27 anos, privado de liberdade e de dignidade, afastado de quem amava. 27 anos volvidos, saiu em liberdade para perdoar, reconciliar e liderar.
A luta era a sua vida. A luta por um país melhor, mais justo. Lutou contra a segregação racial, contra a exploração, lutou pelo seu semelhante, pela liberdade. Um verdadeiro contraste com a mediocridade reinante, sobretudo nos dias de hoje.
O mundo sentirá a sua falta. O mundo não o esquecerá.