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Mensagens

Orçamento de Estado

Em dia de debate e aprovação do Orçamento de Estado espera-se um vasto conjunto de manifestações contra um dos orçamentos de Estado mais iníquos da história da democracia.
A pretensa justa repartição dos sacrifícios é mais uma mentira que nem os deputados da maioria conseguem alimentar. Este orçamento é profundamente injusto e é claramente um exercício próprio da ideologia que subjaz à actuação do Governo.
Trata-se, portanto, de um orçamento que merece o nosso repúdio e contestação, até porque contas feitas os resultados serão desastrosos e redundarão invariavelmente no mesmo: empobrecimento generalizado.

Subida de impostos

Habituados que estamos às constantes pressões sobre o Tribunal Constitucional (TC), alguns órgãos de comunicação social avançaram a hipótese de o Governo aumentar impostos caso o TC chumbe o corte nas pensões. Esta notícia vem no seguimento do envio por parte do Presidente da República, a título preventivo, da medida em apreço para o TC.
Este hipotético aumento de impostos avançado pela comunicação social recairia sobre o IVA.
As consequências de um acréscimo do IVA teriam consequências negativas apreciáveis no consumo, sobretudo dos que mais têm dificuldades. As necessidades, designadamente as primárias, têm de ser suprimidas, seja com o IVA a 23 por cento ou a 25 por cento.
Por outro lado, as consequências para a economia são conhecidas. Sabemos qual o impacto que um aumento de impostos tem na economia, consequentemente não é necessário um inaudito exercício de imaginação para antever essas consequências.
Finalmente, um novo aumento de impostos não tem impacto numa melhor re…

Sinais inquietantes

Quando o Governo pensava que conseguia aprovar o Orçamento de Estado para 2014 sem particular alvoroço, baseando tal julgamento na relativa passividade da sociedade portuguesa, várias forças políciais e de investigação dão sinais de descontentamento sem precedentes.
As imagens de ontem à frente  da Assembleia da República são sintomáticas de um mal-estar que é transversal a uma boa parte dos portugueses. As polícias não são excepção e nessa matéria, de um ponto de vista estritamente pragmático, o Governo não foi competente, geriu mal as expectativas daquelas forças, esquecendo-se que do lado dos governos, sobretudo de governos tão mal-amados, é conveniente manter as hostes militares e policias satisfeitas.
Num outro lado da cidade de Lisboa, na Aula Magna, Mário Soares junta um importante conjunto de personalidades da política, unidos em torno do descontentamento perante políticas que estão a destruir o país. A sintonia entre o que se passava na Aula Magna e o que estava a …

Está tudo a ser tratado

Depois de alguns momentos (para alguns dias) de grande felicidade consequência de um feito desportivo, tudo está a ser tratado. E de que se trata este "tudo"? Trata-se da privatização dos CTT, a contínua desvalorização salarial, do aumento da precariedade (menos postos de trabalho, piores condições de trabalho, redução da remuneração, insegurança social, um trabalhador a desempenhar funções de dois, três, quatro trabalhadores) e do enfraquecimento do Estado Social.
É injusto acusar o Governo de incompetência. Afinal de contas, a cartilha ideológica tem sido criteriosamente seguida, até no que toca ao aumento de impostos, pelo menos no que diz respeito à distribuição do esforço desse aumento, deixando naturalmente de fora o sector financeiro e as grandes empresas.
Tudo está a ser tratado com relativa facilidade. Enquanto tantos se insurgem, com tanta veemência, contra um anúncio infeliz de uma marca de refrigerantes, a maior parte parece aceitar, de forma mais ou m…

Os arautos do regime

Nenhum governo pode desempenhar as suas funções, sobretudo quando é posta em causa a sua legitimidade e quando empreende transformações profundas na sociedade, sem os arautos.
Este governo não é excepção e não o foi desde o princípio, ainda antes de ser eleito, socorrendo-se de bloggers e afins para arrepiar caminho, como é descrito pela revista Visão.
João César das Neves é um dos mais acérrimos defensores das profundas transformações que estão a ter lugar. João César das Neves é apologista do "ir mais longe". João César das Neves acredita ou quer fazer acreditar que pensionistas são fingidores, só a título de exemplo.
Com efeito, há uma característica transversal a uma boa parte dos arautos, característica que se destaca em César das Neves: uma profunda aversão por pensionistas, funcionários públicos, desempregados (na melhor das versões tratados com uma piedade condescendente). Estes arautos vivem o melhor dos seus sonhos que se consubstancia na concretização d…

Irlanda, nem que seja à força

O Governo de Passos Coelho tem mostrado acentuadas dificuldades no que diz respeito à fundamentação das suas medidas. Esgotada a tese da inevitabilidade pela inevitabilidade; ou seja, esgotada a tese de que as medidas têm de ser aplicadas por imposição externa, o Governo vê-se obrigado a ir buscar exemplos que ajudem a fundamentar as suas politicas.
É evidente que o Executivo de Passos Coelho não pode dizer toda a verdade: empobrecemos o país, por imperativo ideológico, mas também por razões mais pragmáticas - o dinheiro tem de se concentrar mais na casta dos negócios, com reduções de impostos, isenções fiscais, negócios obscuros e outras excelentes oportunidades de negócios.
Assim, chegamos à Irlanda. Este país que mantém elevados níveis de competitividade há algumas décadas passou a ser o exemplo por excelência.Os irlandeses até fizeram mais em matéria de cortes nos salários e nas pensões do que nós, afirma Passos Coelho. Não será bem assim. Não interessa, passa-se à fren…

Sucesso

A semana foi pródiga em alegadas boas notícias. Depois das notícias esperançosas sobre o desemprego, as mesmas que ignoram os efeitos sazonais aliados ao número sem precedentes de pessoas que abandonaram o país. Seguiram-se as notícias sobre o crescimento económico, anódino e em termos homólogos inquietante, mas ainda assim cresimento; o aumento das exportações e mesmo a questão da recusa irlandesa na aceitação de um programa cautelar, o Governo vê boas notícias e mesmo similitudes (futuras?) com o caso irlandês.
Todavia, o sucesso do Governo mede-se no dia-a-dia. Sublinho até que o Governo tem sido bem sucedido. Senão vejamos: a crise, a vinda das entidades externas, impulsionada por quem nos governa hoje, a pretensa hecatombe provocada por José Sócrates, a perda de soberania, a ameaça com a saída de Portugal do Euro e tudo o mais que redunda na tese da inevitabilidade abriram as portas para a aplicação de uma cartilha ideológica que de outra forma não seria possível apl…