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Mensagens

Bodes expiatórios

Depois da derrota colossal, a direcção do PSD, a começar pelo próprio líder do partido e primeiro-ministro, procura justificar o desaire, procurando avidamente bodes expiatórios. O Tribunal Constitucional tem servido para tudo, sobretudo no que diz respeito a tentativas para disfarçar o indisfarçável falhanço das políticas do Governo. O Tribunal Constitucional continua a ser alvo da mais vil chantagem por parte de um primeiro-ministro determinado em aplicar políticas de cariz neoliberal. Antes das autárquicas foi alvo de chantagem, dois dias depois da realização das eleições, volta a ser pressionado. Jorge Moreira da Silva, o grande ausente da noite eleitoral é outro alvo de acusações, a par de militantes do PSD que não se candidataram pelo partido. Com mais um bocadinho de imaginação, atribuir-se-á culpas a extraterrestres, a episódios do paranormal ou a qualquer figura saída de uma história de ficção científica. Contudo, fica bem claro que a derrota colossal é fruto de um…

Enfraquecimento do PSD

Os resultados das autárquicas traduziram-se numa "colossal" (peço emprestado o adjectivo ao primeiro-ministro) derrota do PSD.
Não obstante a insistência de que se tratou de um acto eleitoral com implicações locais ou regionais, a verdade é que o PSD, sobretudo o PSD a nível nacional sai enfraquecido. A história do CDS já é outra.
Volta discussão em torno dos consensos e da sua importância. O Presidente da República, à falta de melhor, insiste nos consensos. O Governo fala de consensos em oposição a um segundo resgate, numa clara manobra de chantagem. Todos agem como se o segundo resgate dependesse ou não desses consensos: consensos com o maior partido da oposição, consensos com os cidadãos.
A retórica reduz-se a: "se não fizermos isto, lá virá o segundo resgate". O segundo resgate virá mais dia, menos dia, provavelmente menos dia. Até lá temos um Governo enfraquecido, com o partido mais votado anódino, incompetente e sem outro recurso que não seja a chant…

Autárquicas

O resultado das eleições autárquicas foi desastroso para o PSD, mesmo que várias vozes do partido e comentadores que nutrem simpatias pela actual governação tenham encetado esforços no sentido de disfarçar a magnitude da derrota. Lisboa surpreendeu pela dimensão da vitória de António Costa; o Porto surpreendeu pela dimensão da derrota de Luís Filipe Menezes.
Porém, as surpresas não se ficaram pelo continente: na Madeira, a derrota do PSD é notória. Assim, seria de se esperar uma vitória retumbante do PS. Não terá sido bem assim, o PS acabou por perder câmaras de dimensão considerável. Um dos grandes vencedores terá sido a CDU que consegue um excelente resultado. Oeiras continua a causar apreensão, mostrando a força do caciquismo, mesmo com um rosto diferente. De um modo geral, o PSD é o grande derrotado da noite - uma noite difícil para tantos que perderam o lugar. As eleições de ontem também serviram, em muitos casos, para mostrar o descontentamento que se generalizou relativ…

Desaparecido

O tribunal não consegue notificar Oliveira e Costa, o mesmo que com os amigos certos, cometeu crimes que lesaram o contribuinte português em mais de seis mil milhões de euros (há quem apresente números ainda superiores).
Oliveira e Costa é um dos principais responsáveis. As suas ligações políticas eram interessantes e os crimes só foram possíveis graças a essas mesmas ligações. Seria interessante saber o que o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros, só a título de exemplo, pensam deste "paradeiro desconhecido". Talvez eles tenham mais informações sobre o paradeiro de Oliveira e Costa. Suspeita-se que o senhor se tenha ausentado do país. Parece anedota, mas não é. Quem não terá muita vontade de rir são os pensionistas que vêem as suas pensões emagrecer, os desempregados sem perspectivas de futuro, os trabalhadores que agonizam perante a precariedade e os baixos salários. Domingo também é dia para tentar mudar. Finalmente, recomenda-se prudênc…

Da podridão

Muito se pode discutir sobre a podridão, sobretudo quando se discute a promiscuidade entre poder político e poder económico.
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, parece ser especialista em podridão na política. Ironicamente, terá sido ele a utilizar a expressão, referindo-se naturalmente aos seus adversários políticos, esquecendo-se convenientemente das suas próprias façanhas.
Rui Machete, com fortes ligações ao BPN (SLN), accionista ou nem por isso, pertence à casta que nos governa, a partir de cargos políticos e a partir de cargos que não são de representação política. Sabe-se agora que o actual ministro dos Negócios Estrangeiro, em 2008, ocupou cargos sociais em cinco bancos concorrentes. O currículo deste ministro é invejável: quando assumiu funções deixou de estar ligado a 17 sociedades e mais algumas fundações. Por outro lado, Rui Machete não terá sido fiel à verdade quando alegou não ter sido accionista do tão malfadado BPN (SLN). As suas fidelidades são o…

A austeridade também resulta nisto

As doses cavalares de austeridade imposta na Grécia estão a produzir resultados inquietantes na democracia do país. O crescimento de um partido de extrema-direita, Aurora Dourada, não parece inquietar as instituições europeias, mais preocupadas com o sector financeiro do que com as democracias.
A austeridade aplicada em doses cavalares, acompanhada invariavelmente por humilhações, resulta no enfraquecimento das democracias. Na verdade, o neoliberalismo que tomou conta da Europa é incapaz de manter uma relação saudável com a democracia.
No caso grego e depois da morte de um músico e da implicação do dito partido de extrema-direita nessa morte, a União Europeia, fundada com base em princípios de solidariedade, prefere a ignorância e a intransigência.
Somos todos filhos da História, é um facto. Contudo, os responsáveis políticos europeus ignoram a História recente da Europa, desprezando o passado, mutilando o presente e inviabilizando o futuro.

Foi ontem

Ou melhor: ontem teria sido o dia em que Portugal regressaria aos mercados, segundo previsões do Governo, designadamente de Vítor Gaspar, o homem que saiu de cena.
É evidente que não se verificou nenhum regresso. De resto, os sacrossantos mercados preferem olhar com acrescida desconfiança para a economia portuguesa, ao invés de nos receberem de braços abertos.
Por outro lado, a troika mostra-se pouco adepta de qualquer flexibilização das metas. Em simultâneo pressiona-se o tribunal constitucional. Prefere-se a pressão a um órgão de soberania do que uma renegociação com base em cortes alternativos àqueles que, para além de imorais, correm o risco de serem também inconstitucionais.
Em bom rigor, importa não esquecer qual tem sido a postura do actual Governo perante a troika, num misto de subserviência externa e prepotência interna. O Governo subscreve a cartilha, chegando ao ponto de manifestar a sua vontade de ir mais longe do que o que já estava estipulado, recusando qualqu…