Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos percebem este objectivo enquanto outros esquecem-no rapidamente.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Enfraquecimento do PSD
Os resultados das autárquicas traduziram-se numa "colossal" (peço emprestado o adjectivo ao primeiro-ministro) derrota do PSD.
Não obstante a insistência de que se tratou de um acto eleitoral com implicações locais ou regionais, a verdade é que o PSD, sobretudo o PSD a nível nacional sai enfraquecido. A história do CDS já é outra.
Volta discussão em torno dos consensos e da sua importância. O Presidente da República, à falta de melhor, insiste nos consensos. O Governo fala de consensos em oposição a um segundo resgate, numa clara manobra de chantagem. Todos agem como se o segundo resgate dependesse ou não desses consensos: consensos com o maior partido da oposição, consensos com os cidadãos.
A retórica reduz-se a: "se não fizermos isto, lá virá o segundo resgate". O segundo resgate virá mais dia, menos dia, provavelmente menos dia. Até lá temos um Governo enfraquecido, com o partido mais votado anódino, incompetente e sem outro recurso que não seja a chantagem.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Autárquicas
O resultado das eleições autárquicas foi desastroso para o PSD, mesmo que várias vozes do partido e comentadores que nutrem simpatias pela actual governação tenham encetado esforços no sentido de disfarçar a magnitude da derrota. Lisboa surpreendeu pela dimensão da vitória de António Costa; o Porto surpreendeu pela dimensão da derrota de Luís Filipe Menezes.
Porém, as surpresas não se ficaram pelo continente: na Madeira, a derrota do PSD é notória.
Assim,
seria de se esperar uma vitória retumbante do PS. Não terá sido bem
assim, o PS acabou por perder câmaras de dimensão considerável.
Um dos grandes vencedores terá sido a CDU que consegue um excelente resultado.
Oeiras continua a causar apreensão, mostrando a força do caciquismo, mesmo com um rosto diferente.
De
um modo geral, o PSD é o grande derrotado da noite - uma noite difícil
para tantos que perderam o lugar. As eleições de ontem também serviram,
em muitos casos, para mostrar o descontentamento que se generalizou
relativamente às políticas do actual Executivo. A noite de ontem terá
sido um forte sinal de que o Governo está sozinho, refém da sua
incompetência e de Paulo Portas, amarrado a uma ideologia nefasta e nada
consonante com o bem comum.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Desaparecido
O tribunal não consegue notificar Oliveira e Costa, o mesmo
que com os amigos certos, cometeu crimes que lesaram o contribuinte
português em mais de seis mil milhões de euros (há quem apresente
números ainda superiores).
Oliveira e Costa é um dos principais responsáveis. As suas ligações políticas eram interessantes e os crimes só foram possíveis graças a essas mesmas ligações. Seria interessante saber o que o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros, só a título de exemplo, pensam deste "paradeiro desconhecido". Talvez eles tenham mais informações sobre o paradeiro de Oliveira e Costa. Suspeita-se que o senhor se tenha ausentado do país.
Oliveira e Costa é um dos principais responsáveis. As suas ligações políticas eram interessantes e os crimes só foram possíveis graças a essas mesmas ligações. Seria interessante saber o que o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros, só a título de exemplo, pensam deste "paradeiro desconhecido". Talvez eles tenham mais informações sobre o paradeiro de Oliveira e Costa. Suspeita-se que o senhor se tenha ausentado do país.
Parece
anedota, mas não é. Quem não terá muita vontade de rir são os
pensionistas que vêem as suas pensões emagrecer, os desempregados sem
perspectivas de futuro, os trabalhadores que agonizam perante a
precariedade e os baixos salários. Domingo também é dia para tentar
mudar.
Finalmente, recomenda-se prudência no tratamento
deste assunto. Afinal de contas, trata-se de uma pessoa de idade
avançada que habitualmente deambula com os bolsos cheios, facto que pode
provocar desequilíbrios e subsequentes quedas. Talvez Cabo Verde seja o
destino mais indicado para Oliveira e Costa. Pelo menos se cair, existe
a probabilidade da queda ocorrer numa das muitas praias das ilhas.
Nota: As notícias mais recentes dão conta que Oliveira e Costa já contactou o tribunal, mostrando-se disponível para depor. O seu advogado afirma que o seu cliente ficou indignado com notícia que dava conta da sua fuga. Indignado. Domingo também é dia.
Nota: As notícias mais recentes dão conta que Oliveira e Costa já contactou o tribunal, mostrando-se disponível para depor. O seu advogado afirma que o seu cliente ficou indignado com notícia que dava conta da sua fuga. Indignado. Domingo também é dia.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Da podridão
Muito se pode discutir sobre a podridão, sobretudo quando se discute a promiscuidade entre poder político e poder económico.
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, parece ser especialista em podridão na política. Ironicamente, terá sido ele a utilizar a expressão, referindo-se naturalmente aos seus adversários políticos, esquecendo-se convenientemente das suas próprias façanhas.
Rui Machete, com fortes ligações ao BPN (SLN), accionista ou nem por isso, pertence à casta que nos governa, a partir de cargos políticos e a partir de cargos que não são de representação política. Sabe-se agora que o actual ministro dos Negócios Estrangeiro, em 2008, ocupou cargos sociais em cinco bancos concorrentes. O currículo deste ministro é invejável: quando assumiu funções deixou de estar ligado a 17 sociedades e mais algumas fundações.
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, parece ser especialista em podridão na política. Ironicamente, terá sido ele a utilizar a expressão, referindo-se naturalmente aos seus adversários políticos, esquecendo-se convenientemente das suas próprias façanhas.
Rui Machete, com fortes ligações ao BPN (SLN), accionista ou nem por isso, pertence à casta que nos governa, a partir de cargos políticos e a partir de cargos que não são de representação política. Sabe-se agora que o actual ministro dos Negócios Estrangeiro, em 2008, ocupou cargos sociais em cinco bancos concorrentes. O currículo deste ministro é invejável: quando assumiu funções deixou de estar ligado a 17 sociedades e mais algumas fundações.
Por outro lado, Rui Machete não terá
sido fiel à verdade quando alegou não ter sido accionista do tão
malfadado BPN (SLN). As suas fidelidades são obviamente outras.
Nada disto provoca particular estranheza. O que causa essa dita estranheza prende-se com o facto de muitos cidadãos viverem despreocupadamente com a já referida podridão - uma podridão que enfraquece a democracia na precisa medida em que retira soberania ao povo. Ou alguém pode afirmar, mantendo uma postura séria, que estes senhores representam os interesses dos cidadãos?
Nada disto provoca particular estranheza. O que causa essa dita estranheza prende-se com o facto de muitos cidadãos viverem despreocupadamente com a já referida podridão - uma podridão que enfraquece a democracia na precisa medida em que retira soberania ao povo. Ou alguém pode afirmar, mantendo uma postura séria, que estes senhores representam os interesses dos cidadãos?
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A austeridade também resulta nisto
As doses cavalares de austeridade imposta na Grécia estão
a produzir resultados inquietantes na democracia do país. O crescimento
de um partido de extrema-direita, Aurora Dourada, não parece inquietar
as instituições europeias, mais preocupadas com o sector financeiro do
que com as democracias.
A austeridade aplicada em doses cavalares, acompanhada invariavelmente por humilhações, resulta no enfraquecimento das democracias. Na verdade, o neoliberalismo que tomou conta da Europa é incapaz de manter uma relação saudável com a democracia.
No caso grego e depois da morte de um músico e da implicação do dito partido de extrema-direita nessa morte, a União Europeia, fundada com base em princípios de solidariedade, prefere a ignorância e a intransigência.
Somos todos filhos da História, é um facto. Contudo, os responsáveis políticos europeus ignoram a História recente da Europa, desprezando o passado, mutilando o presente e inviabilizando o futuro.
A austeridade aplicada em doses cavalares, acompanhada invariavelmente por humilhações, resulta no enfraquecimento das democracias. Na verdade, o neoliberalismo que tomou conta da Europa é incapaz de manter uma relação saudável com a democracia.
No caso grego e depois da morte de um músico e da implicação do dito partido de extrema-direita nessa morte, a União Europeia, fundada com base em princípios de solidariedade, prefere a ignorância e a intransigência.
Somos todos filhos da História, é um facto. Contudo, os responsáveis políticos europeus ignoram a História recente da Europa, desprezando o passado, mutilando o presente e inviabilizando o futuro.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Foi ontem
Ou melhor: ontem teria sido o dia em que Portugal
regressaria aos mercados, segundo previsões do Governo, designadamente
de Vítor Gaspar, o homem que saiu de cena.
É evidente que não se verificou nenhum regresso. De resto, os sacrossantos mercados preferem olhar com acrescida desconfiança para a economia portuguesa, ao invés de nos receberem de braços abertos.
Por outro lado, a troika mostra-se pouco adepta de qualquer flexibilização das metas. Em simultâneo pressiona-se o tribunal constitucional. Prefere-se a pressão a um órgão de soberania do que uma renegociação com base em cortes alternativos àqueles que, para além de imorais, correm o risco de serem também inconstitucionais.
Em bom rigor, importa não esquecer qual tem sido a postura do actual Governo perante a troika, num misto de subserviência externa e prepotência interna. O Governo subscreve a cartilha, chegando ao ponto de manifestar a sua vontade de ir mais longe do que o que já estava estipulado, recusando qualquer negociação com o intuito de aligeirar as medidas.
Agora há eleições. No seio dos partidos cresce a inquietação com a eventual penalização por parte dos eleitores. Agora. Na próxima semana e se os resultados não forem excessivamente negativos, volta tudo ao mesmo.
É evidente que não se verificou nenhum regresso. De resto, os sacrossantos mercados preferem olhar com acrescida desconfiança para a economia portuguesa, ao invés de nos receberem de braços abertos.
Por outro lado, a troika mostra-se pouco adepta de qualquer flexibilização das metas. Em simultâneo pressiona-se o tribunal constitucional. Prefere-se a pressão a um órgão de soberania do que uma renegociação com base em cortes alternativos àqueles que, para além de imorais, correm o risco de serem também inconstitucionais.
Em bom rigor, importa não esquecer qual tem sido a postura do actual Governo perante a troika, num misto de subserviência externa e prepotência interna. O Governo subscreve a cartilha, chegando ao ponto de manifestar a sua vontade de ir mais longe do que o que já estava estipulado, recusando qualquer negociação com o intuito de aligeirar as medidas.
Agora há eleições. No seio dos partidos cresce a inquietação com a eventual penalização por parte dos eleitores. Agora. Na próxima semana e se os resultados não forem excessivamente negativos, volta tudo ao mesmo.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Chantagem
O primeiro-ministro, pouco habituado aos preceitos da democracia, voltou a exercer pressão sobre o Tribunal Constitucional e desta vez contou com a ajuda de Marques Mendes e de António Mexia.
A chantagem serve dois propósitos: exercer pressão sobre o Tribunal Constitucional, ao arrepio de comportamentos consonantes com a democracia, sobretudo por parte daqueles que têm responsabilidades políticas; e justificar, de antemão, um segundo resgate, mais do que inevitável, pese embora as palavras e garantias de Paulo Portas.
Não fosse o facto de sermos reféns de uma autêntica miséria cultural, talvez o dia 29 de Setembro pudesse servir para mostrar o desagrado colectivo perante todos os atropelos a que temos assistido. Apesar dessa já referida miséria cultural, vou mantendo a esperança.
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