Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Autárquicas

O resultado das eleições autárquicas foi desastroso para o PSD, mesmo que várias vozes do partido e comentadores que nutrem simpatias pela actual governação tenham encetado esforços no sentido de disfarçar a magnitude da derrota. Lisboa surpreendeu pela dimensão da vitória de António Costa; o Porto surpreendeu pela dimensão da derrota de Luís Filipe Menezes.
Porém, as surpresas não se ficaram pelo continente: na Madeira, a derrota do PSD é notória. Assim, seria de se esperar uma vitória retumbante do PS. Não terá sido bem assim, o PS acabou por perder câmaras de dimensão considerável. Um dos grandes vencedores terá sido a CDU que consegue um excelente resultado. Oeiras continua a causar apreensão, mostrando a força do caciquismo, mesmo com um rosto diferente. De um modo geral, o PSD é o grande derrotado da noite - uma noite difícil para tantos que perderam o lugar. As eleições de ontem também serviram, em muitos casos, para mostrar o descontentamento que se generalizou relativ…

Desaparecido

O tribunal não consegue notificar Oliveira e Costa, o mesmo que com os amigos certos, cometeu crimes que lesaram o contribuinte português em mais de seis mil milhões de euros (há quem apresente números ainda superiores).
Oliveira e Costa é um dos principais responsáveis. As suas ligações políticas eram interessantes e os crimes só foram possíveis graças a essas mesmas ligações. Seria interessante saber o que o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros, só a título de exemplo, pensam deste "paradeiro desconhecido". Talvez eles tenham mais informações sobre o paradeiro de Oliveira e Costa. Suspeita-se que o senhor se tenha ausentado do país. Parece anedota, mas não é. Quem não terá muita vontade de rir são os pensionistas que vêem as suas pensões emagrecer, os desempregados sem perspectivas de futuro, os trabalhadores que agonizam perante a precariedade e os baixos salários. Domingo também é dia para tentar mudar. Finalmente, recomenda-se prudênc…

Da podridão

Muito se pode discutir sobre a podridão, sobretudo quando se discute a promiscuidade entre poder político e poder económico.
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, parece ser especialista em podridão na política. Ironicamente, terá sido ele a utilizar a expressão, referindo-se naturalmente aos seus adversários políticos, esquecendo-se convenientemente das suas próprias façanhas.
Rui Machete, com fortes ligações ao BPN (SLN), accionista ou nem por isso, pertence à casta que nos governa, a partir de cargos políticos e a partir de cargos que não são de representação política. Sabe-se agora que o actual ministro dos Negócios Estrangeiro, em 2008, ocupou cargos sociais em cinco bancos concorrentes. O currículo deste ministro é invejável: quando assumiu funções deixou de estar ligado a 17 sociedades e mais algumas fundações. Por outro lado, Rui Machete não terá sido fiel à verdade quando alegou não ter sido accionista do tão malfadado BPN (SLN). As suas fidelidades são o…

A austeridade também resulta nisto

As doses cavalares de austeridade imposta na Grécia estão a produzir resultados inquietantes na democracia do país. O crescimento de um partido de extrema-direita, Aurora Dourada, não parece inquietar as instituições europeias, mais preocupadas com o sector financeiro do que com as democracias.
A austeridade aplicada em doses cavalares, acompanhada invariavelmente por humilhações, resulta no enfraquecimento das democracias. Na verdade, o neoliberalismo que tomou conta da Europa é incapaz de manter uma relação saudável com a democracia.
No caso grego e depois da morte de um músico e da implicação do dito partido de extrema-direita nessa morte, a União Europeia, fundada com base em princípios de solidariedade, prefere a ignorância e a intransigência.
Somos todos filhos da História, é um facto. Contudo, os responsáveis políticos europeus ignoram a História recente da Europa, desprezando o passado, mutilando o presente e inviabilizando o futuro.

Foi ontem

Ou melhor: ontem teria sido o dia em que Portugal regressaria aos mercados, segundo previsões do Governo, designadamente de Vítor Gaspar, o homem que saiu de cena.
É evidente que não se verificou nenhum regresso. De resto, os sacrossantos mercados preferem olhar com acrescida desconfiança para a economia portuguesa, ao invés de nos receberem de braços abertos.
Por outro lado, a troika mostra-se pouco adepta de qualquer flexibilização das metas. Em simultâneo pressiona-se o tribunal constitucional. Prefere-se a pressão a um órgão de soberania do que uma renegociação com base em cortes alternativos àqueles que, para além de imorais, correm o risco de serem também inconstitucionais.
Em bom rigor, importa não esquecer qual tem sido a postura do actual Governo perante a troika, num misto de subserviência externa e prepotência interna. O Governo subscreve a cartilha, chegando ao ponto de manifestar a sua vontade de ir mais longe do que o que já estava estipulado, recusando qualqu…

Chantagem

O primeiro-ministro, pouco habituado aos preceitos da democracia, voltou a exercer pressão sobre o Tribunal Constitucional e desta vez contou com a ajuda de Marques Mendes e de António Mexia.
A chantagem serve dois propósitos: exercer pressão sobre o Tribunal Constitucional, ao arrepio de comportamentos consonantes com a democracia, sobretudo por parte daqueles que têm responsabilidades políticas; e justificar, de antemão, um segundo resgate, mais do que inevitável, pese embora as palavras e garantias de Paulo Portas.
Não fosse o facto de sermos reféns de uma autêntica miséria cultural, talvez o dia 29 de Setembro pudesse servir para mostrar o desagrado colectivo perante todos os atropelos a que temos assistido. Apesar dessa já referida miséria cultural, vou mantendo a esperança.

Ainda os swaps

A história em torno dos swaps testa a paciência dos cidadãos. Entre mentiras, comportamentos pouco éticos e acusações, a verdade é que estes contratos podem implicar perdas na ordem dos três mil milhões de euros. Os números são do Governo, o que implica alguma desconfiança, tendo em consideração o vasto rol de mentiras com que temos sido brindados nos últimos dois anos. Seja como for, o número em torno das perdas potenciais não deve divergir significativamente desses três mil milhões de euros.
PS e PSD têm responsabilidades, a actual ministra das Finanças deve muito à seriedade e o actual Governo, sobretudo o primeiro-ministro, deleita-se com cortes nas pensões, salários baixos e enfraquecimento do Estado Social.
O Estado tem sido lesado, há responsáveis, não há é consequências. Ou os cidadãos manifestam o seu descontentamento, mostrando não aceitar estas e outras trapalhadas que posteriormente servem para justificar todos os atropelos a que temos sido sujeitos, ou esses m…