A ideia de que o crescimento
económico, o novo rumo, o decréscimo da taxa de desemprego ou a ideia de
que os sacrifícios valem mesmo a pena são insuficientes para esconder o
retrocesso que marca estes últimos dois anos. Um retrocesso deliberado,
ideológico e muito para além da troika que, aliás, intervém graças, em
larga medida, à avidez de Passos Coelho e de Paulo Portas. Recorde-se que
até o governo alemão almejava uma solução que não passasse por FMI, BCE e
Comissão Europeia. A desvalorização salarial, por alguns
inevitável por se tratar da única desvalorização interna possível,
constituiu um acentuado retrocesso social, a par do enfraquecimento das
relações laborais do ponto de vista do trabalhador. Por cá, recorde-se,
aumentam os empregos cuja remuneração ronda os 300 euros líquidos. O
Estado Social e o seu deliberado e ideológico enfraquecimento com
cortes cegos na saúde, educação e prestações sociais. Um retrocesso e
mais uma forma de empobrecimento, empobreciment…
Para a construção de uma sociedade justa e funcional é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: a protecção do ambiente, o bem-estar social com a necessária eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. No entanto, estamos a falhar clamorosamente o primeiro objectivo, o que faz com tudo o resto seja inexoravelmente sem importância.