segunda-feira, 29 de julho de 2013

União nacional

Pedro Passos Coelho, depois de uma semana de remodelações e escolhas contestadas, apelou à "união nacional". O primeiro-ministro referiu que as pessoas percebem o significado das suas palavras.
O fim-de-semana serviu essencialmente para o primeiro-ministro procurar fazer esquecer a semana atribulada que marcou o "novo ciclo". Entre mentiras, omissões, escolhas menos acertadas (ou acertadas mas na perspectiva de um casta que está à frente dos destinos do país) e outras trapalhadas, Passos Coelho procurou dar um ar da sua graça. Para tal, recorreu a conceitos como "novo rumo" e "união nacional", não esquecendo de relembrar a necessidade de mais austeridade, referindo que num país moderno a constituição não pode ser um óbice.
O país está muito longe de qualquer espécie de união, muito menos em torno deste governo e das suas políticas. De buraco em buraco, o Governo vai fazendo o seu caminho, um caminho diametralmente oposto ao que se devia seguir, pelo menos para a maior parte de nós.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Um bom começo

A remodelação do Governo já está a produzir os seus frutos. Primeiro, a demissão do ministro Vítor Gaspar e a subsequente escolha de Maria Luís Albuquerque para o seu lugar. A escolha foi desde logo polémica, consequência do envolvimento pouco claro da agora ministra nos contratos swaps - ruinosos para o Estado. Quando todos esperavam um afastamento da secretária de Estado, a senhora é promovida a ministra.
Mais recentemente, a escolha de Rui Machete para ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros veio relembrar o caso BPN . Agora a ministra das Finanças não terá dito bem a verdade relativamente aos tais contratos de alto risco, os ditos swaps.
Não restam dúvidas, o Governo moribundo de Passos Coelho e Paulo Portas tem um futuro auspicioso.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um novo rumo

O Governo moribundo e ainda assim remodelado procura agora mostrar-se empenhado em seguir um novo rumo, não abandonando, claro está, a austeridade que tanta excitação provoca em Passos Coelho e nos seus superiores hierárquicos.
O novo rumo centrar-se-á no investimento, na criação de emprego e no crescimento económico. Paralelamente, os cortes no Estado Social, nos salários e pensões continuarão a ser apanágio deste Governo, mesmo com Paulo Portas à frente dos destinos do Governo - o representante do "protectorado".
Quando se fala de investimento, de criação de emprego e de crescimento económico (crescimento que beneficia quem exactamente?) espera-se encontrar um determinado contexto favorável à concretização dessas ambições. Ora, o actual Governo nada fez em prol de captação de investimento, da criação de emprego e do crescimento económico. O contexto fiscal português é marcado pela incerteza, já para não falar das assimetrias fiscais que prejudicam muito a classe média e os pequenos e médios empresários; a justiça é morosa e inoperante; a burocracia é endémica; o jogo é desleal fruto da corrupção e da promiscuidade entre poder político e poder económico. Estamos, portanto, longe, muito longe, de reunir condições favoráveis às agora propaladas ambições do Governo. Por outro lado, o investimento público que arrasta consigo investimento privado é inexistente e a concessão de crédito às empresas, sobretudo às pequenas e médias, é manifestamente escassa.
Por outro lado ainda, a austeridade veio para ficar. Este Governo mostra-se indisponível para adoptar uma postura contundente em matéria de negociações, preferindo encostar-se à tese da inevitabilidade.
Finalmente, os últimos anos, sobretudo os últimos dois, foram dramáticos para o país: não obstante os sacrifícios pedidos, nenhum indicador é particularmente favorável. O país está de rastos e continua rumo ao abismo. A saída de Gaspar, como se sabe, não foi propriamente fruto do acaso.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Remodelação


Ontem ficámos a conhecer os novos ministros do moribundo governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Entre eles, conta-se Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros. E de negócios e negociatas percebe o dito senhor, cuja passagem pelo BPN e pelo BPP são conhecidas, embora convenientemente omitidas da sua biografia.
É claro que não há pudor quando se exige o corte de quase 5 mil milhões de euros em pensões, salários, postos de trabalho e Estado Social, depois de se ter nacionalizado os prejuízos do BPN que nos custaram 5, 6,7 8 mil milhões de euros (?); depois de se saber que a venda do BPN aos Angolanos do BIC por uns meros 40 milhões, afinal contém contrapartidas que podem custar mais 800 milhões ao erário público, e quando o ministro dos Negócios Estrangeiros  é alguém que teve uma posição importante no grupo envolvido na burla que tanto nos custou a todos nós que vivemos acima das nossas possibilidades.
O Presidente da República tudo tem feito para manter o actual governo mais ou menos remodelado.
Todavia, a possibilidade de eleições antecipadas não é tão improvável quanto isso, sobretudo se estivermos perante a eminência de um segundo resgate. Perante tudo isto, nós cidadãos, preferimos continuar a assistir  ao que se passa na qualidade de espectadores e enquanto assim for, a tal ausência de pudor continuará a recrudescer e nós, os tais que temos vivido acima das nossas possibilidades, os mesmos que não podem estar sempre a contar com os países do norte da Europa para pagar os nossos vícios, vamos continuar a pagar.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os indefectíveis

Não obstante as últimas semanas conturbadas, com pedidos de demissão, mudanças no significado de palavras e negociações condenadas à nascença, os indefectíveis defensores da receita entretanto reconhecida como sendo um fracasso pelo também outrora indefectível Vítor Gaspar, continuam, naturalmente, a fazer o seu caminho. Estes indefectíveis entre os quais se contam o primeiro-ministro o próprio vice-primeiro ministro, primeiro ministro dos negócios estrangeiros cuja demissão era irrevogável, depois vice-primeiro ministro, têm agora uma nova oportunidade de mostrarem aos Portugueses o que valem. E ainda dizem que a ascensão social anda pelas ruas da amargura. Perguntem a Paulo Portas. Ele sabe muito do assunto.
A receita falhou, mas como não há alternativas - para os tais indefectíveis defensores da receita para o desastre nunca haverá alternativas -, aguente-se.
Entre os indefectíveis há aqueles que surgem invariavelmente de rosto sério, a condizer com a seriedade do momento e os outros cujos rostos são menos conhecidos ou até desconhecidos. E entre esses conta-se uma miríade de indefectíveis entre PSD e CDS. Estes vivem da existência do partido no poder. Contrariamente, a Vítor Gaspar, cuja ideologia veio ele próprio a reconhecer como sendo caduca, mas ainda assim, mostrando sempre existir uma ideologia, esses indefectíveis são mais pragmáticos e menos ideológicos. A procura da salvaguarda do lugar que ocupam é a grande prioridade, sobretudo em alturas de tanto desemprego.
Finalmente, não podemos deixar de referir outros indefectíveis: banqueiros, os que misturam onanismo com mercados, grandes empresários, notáveis empreendedores. Estes são quem mais lucra com a receita aplicada pelos outros indefectíveis.
Todos estes indefectíveis passaram umas semanas um pouco diferentes, caracterizadas por uma muito ligeira apreensão. Esse incomodo acabou ultrapassado. Os outros, os que não pertencem ao grupo dos indefectíveis, continuarão a ser vítimas da receita. E serão vítimas até ao dia em que abandonarem a (aparente?) letargia

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Na periferia da Europa, nada de novo

Em ano de eleições, Angela Merkel insiste na tese de tudo está a correr bem, sobretudo nos países alvo de intervenção. De certa forma, Merkel tem razão. Senão, vejamos: A Irlanda, apesar da recessão, continua a seguir a receita da troika, com maior ou menor fervor; a Grécia, apesar do enfraquecimento político do primeiro-ministro Samaras consequência da saída de um partido da coligação, vai-se afundando na miséria, mas insiste na mesma receita; as economias espanhola, italiana e até a francesa já conheceram melhores dias, mas finge-se que com a tal austeridade tudo se resolve; e, finalmente, Portugal que fugiu das eleições como o Diabo da cruz e cujo Presidente preferiu manter um governo a cheirar a podre. Na periferia da Europa faz-se troça da democracia; na periferia da Europa, nada de novo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A escolha do PS

O Partido Socialista foi encostado à parede pelo Presidente da República, entretanto mais entretido com cagarras.  O PSD procura fazer o mesmo ao PS: encostar os socialista à solução proposta pelo Presidente da República.
Neste momento, parece-me que são poucos os que procuram compreender estas guerras intestinas. Creio que a maior parte dos cidadãos já não tem tolerância para o que se está a passar. Tudo, em nome de uma pretensa salvação nacional; tudo em nome de uma pretensa estabilidade que não pode passar por eleições.
O Partido Socialista se alinhar com PSD e CDS, aceitando o repto do homem das cagarras, fragiliza as suas bases de apoio, desvirtua o seu alinhamento ideológico, por muito deturpado que este tenha vindo a ser e, à semelhança do que foi dito por Mário Soares, cria uma cisão no partido. O PS se alinhar com os cadáveres políticos Paulo Portas e Pedro Passos Coelho compromete as suas ambições eleitorais.
O Partido Socialista, em nome do que resta da sua ideologia e em nome da coerência, não pode alinhar com CDS e PSD, se o fizer, Seguro passará a fazer companhia aos cadáveres políticos Paulo Portas (este talvez ainda consiga rescuscitar, até porque também há milagres na política) e Pedro Passos Coelho.