segunda-feira, 22 de julho de 2013

Na periferia da Europa, nada de novo

Em ano de eleições, Angela Merkel insiste na tese de tudo está a correr bem, sobretudo nos países alvo de intervenção. De certa forma, Merkel tem razão. Senão, vejamos: A Irlanda, apesar da recessão, continua a seguir a receita da troika, com maior ou menor fervor; a Grécia, apesar do enfraquecimento político do primeiro-ministro Samaras consequência da saída de um partido da coligação, vai-se afundando na miséria, mas insiste na mesma receita; as economias espanhola, italiana e até a francesa já conheceram melhores dias, mas finge-se que com a tal austeridade tudo se resolve; e, finalmente, Portugal que fugiu das eleições como o Diabo da cruz e cujo Presidente preferiu manter um governo a cheirar a podre. Na periferia da Europa faz-se troça da democracia; na periferia da Europa, nada de novo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A escolha do PS

O Partido Socialista foi encostado à parede pelo Presidente da República, entretanto mais entretido com cagarras.  O PSD procura fazer o mesmo ao PS: encostar os socialista à solução proposta pelo Presidente da República.
Neste momento, parece-me que são poucos os que procuram compreender estas guerras intestinas. Creio que a maior parte dos cidadãos já não tem tolerância para o que se está a passar. Tudo, em nome de uma pretensa salvação nacional; tudo em nome de uma pretensa estabilidade que não pode passar por eleições.
O Partido Socialista se alinhar com PSD e CDS, aceitando o repto do homem das cagarras, fragiliza as suas bases de apoio, desvirtua o seu alinhamento ideológico, por muito deturpado que este tenha vindo a ser e, à semelhança do que foi dito por Mário Soares, cria uma cisão no partido. O PS se alinhar com os cadáveres políticos Paulo Portas e Pedro Passos Coelho compromete as suas ambições eleitorais.
O Partido Socialista, em nome do que resta da sua ideologia e em nome da coerência, não pode alinhar com CDS e PSD, se o fizer, Seguro passará a fazer companhia aos cadáveres políticos Paulo Portas (este talvez ainda consiga rescuscitar, até porque também há milagres na política) e Pedro Passos Coelho.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Selvagens

O Presidente da República, pese embora, e provavelmente devido à crise política,  procurou refúgio nas Ilhas Selvagens. A bordo da fragata Vasco da Gama confessou aos jornalistas estar confiante nas negociações para a salvação nacional, referindo ver "sinais muito positivos" nos encontros dos três partidos.
As Ilhas Selvagens, um sub-arquipélago da Madeira, têm sido visitadas por vários Presidentes da República.
Num momento em que Portugal vive subjugado a uma verdadeira selvajaria, representado por um Governo que alinha no mais abjecto neoliberalismo, à mercê de interesses que estão muito longe de ser os interesses dos cidadãos, Cavaco Silva encontra-se no sítio certo: isolado, desabitado e que talvez lhe possa fazer lembrar a tal selvajaria que assola o país.
Por cá, no continente, discute-se a salvação nacional, mas não uma salvação - um resgate - dessa referida selvajaria, mas sim a perpetuação da mesma. Chamar-lhe salvação nacional é, no mínimo, uma afronta.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A resposta é não


A proposta do Bloco de Esquerda de se pensar numa solução à esquerda, solução essa que envolvesse o maior partido da oposição, foi recusada pelo Partido Socialista que sublinha que  o partido não entrará em processos de negociação paralelos.
Recorde-se que o PS encontra-se em negociações com PSD e CDS, a pedido do Presidente da República. De fora da equação ficaram Bloco de Esquerda, Partido Comunista e "Os verdes", embora o Partido Socialista tivesse a intenção de os trazer para a mesa das negociações.
Estrategicamente, a proposta do Bloco de Esquerda faz sentido. Numa altura em que a actualidade é marcada pelos partidos políticos que assinaram o memorando de entendimento e dias depois do Presidente mostrar ter pouco mais do que desprezo pelo BE, PCP e Verdes, o Bloco de Esquerda procura também marcar a actualidade.
A procura de uma solução à esquerda é legítima.  Como é a procura de outras soluções, congeminadas ou não por Cavaco Silva.
No cômputo geral, a liderança do Partido Socialista terá de demonstrar uma elevada destreza política para fazer face aos dias que ainda restam. Até ao momento, não se pode falar numa  acentuada destreza política. Com a recusa imediata dos socialistas, clarifica-se a posição do maior partido da oposição.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A semana da salvação nacional

A semana que ainda agora começou será marcada por conversações entre os três partidos que assinaram o famigerado de entendimento com o objectivo de chegarem à salvação nacional - um compromisso proposto pelo Presidente da República.
É por demais evidente que o tal acordo ou compromisso de salvação nacional mais não é do que a perpetuação das políticas de austeridade que têm destruído o país, sem, paradoxalmente, se resolver os problemas das contas públicas.
O PSD e o CDS mostram-se empenhados na perpetuação dessas políticas de austeridade e não mostram menos empenho na garantia dos seus lugares. O Governo de Passos Coelho e de Portas está morto, apesar do não reconhecimento dessa morte.
O PS, embora tenha anunciado que votará favoravelmente a moção de censura do Partido Ecologista Verdes, insiste em negociar com um cadáver (Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas).
Como se sabe, o cenário de eleições antecipadas é rejeitado por PSD, CDS e pelo próprio Presidente que prefere eleições a partir de Junho de 2014.
Espera-se que o PS, embora insista em negociar com um cadáver político, seja consonante com tudo que tem dito em relação ao Governo defunto e que pugne por eleições antecipadas. Até ao final da semana, espera-se uma decisão.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Negócios ruinosos

O jornal "Público" avança que o Estado terá de pagar mais 100 milhões de euros a propósito da ruinosa nacionalização e venda de parte do BPN - da parte contaminada.
O BIC, responsável pela compra pelos famigerados 40 milhões reclama agora esse 100 milhões, ao abrigo do contrato assinado com a actual ministra das Finanças, diz o jornal "Público".
Da sociedade Galilei (ex- SLN), do BPN, sociedade que está envolvida em contratos milionários na área do imobiliário e da saúde , apesar de ter nas suas hostes muito do BPN, pouco ou nada se fala.
A nacionalização e venda do BPN, os contratos referentes às parcerias público-privadas, os contratos swap, invariavelmente assessorados por escritórios de advogados e afins, pagos a peso de ouro, são exemplos da gestão ruinosa da coisa pública. Esta gestão ruinosa não é fruto do acaso ou da mera incompetência, é o resultado da promiscuidade entre poder político e económico. Uma promiscuidade é também nossa responsabilidade que vivemos relativamente com a opacidade que caracteriza estas situações; essa responsabilidade também é nossa que não só parecemos conviver bem com ela, como insistimos em premiá-la, através dos mecanismos da democracia representativa.
Entretanto, os promotores da já referida promiscuidade dizem que vão negociar uma solução para a crise política do país.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

As galerias


Ontem assistimos, desta feita na Assembleia da República, a mais um sinal de degradação da democracia portuguesa. Um grupo de perto de cem pessoas protestou com particular veemência contra alterações substanciais na carreira pública.
A resposta da Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, não podia ter sido pior. Não lhe chegou pedir a evacuação das galerias, não foi suficiente reforçar a sua pretensa legitimidade, não lhe chegou citar Simone de Beauvoir, não lhe chegou fazer comparações obtusas a partir de um citação cujo contexto não pode ser esquecido, a Presidente da Assembleia da República mesmo viu-se impelida a reforçar a necessidade de se rever o acesso às galerias da Assembleia da República - as chamadas galerias do povo. Esta afirmação a clamar por um potencial condicionamento dos cidadãos às galerias foi seguida pelo gáudio dos deputados do PSD e alguns do CDS.
As imagens são inquietantes; as palavras da Presidente da Assembleia da República são anti-democráticas e revelam mais um sinal inquietante da fragilização da democracia. A mera proposta do encerramento das galerias daquela que é a casa da democracia e subsequentemente a casa do povo é sinal de autoritarismo e de desorientação de quem ainda não percebeu que já há muito que só tem uma legitimidade meramente formal.E há quem ainda apregoe que não são necessárias eleições
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