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Mensagens

Negócios ruinosos

O jornal "Público" avança que o Estado terá de pagar mais 100 milhões de euros a propósito da ruinosa nacionalização e venda de parte do BPN - da parte contaminada.
O BIC, responsável pela compra pelos famigerados 40 milhões reclama agora esse 100 milhões, ao abrigo do contrato assinado com a actual ministra das Finanças, diz o jornal "Público".
Da sociedade Galilei (ex- SLN), do BPN, sociedade que está envolvida em contratos milionários na área do imobiliário e da saúde , apesar de ter nas suas hostes muito do BPN, pouco ou nada se fala.
A nacionalização e venda do BPN, os contratos referentes às parcerias público-privadas, os contratos swap, invariavelmente assessorados por escritórios de advogados e afins, pagos a peso de ouro, são exemplos da gestão ruinosa da coisa pública. Esta gestão ruinosa não é fruto do acaso ou da mera incompetência, é o resultado da promiscuidade entre poder político e económico. Uma promiscuidade é também nossa responsabilidad…

As galerias

Ontem assistimos, desta feita na Assembleia da República, a mais um sinal de degradação da democracia portuguesa. Um grupo de perto de cem pessoas protestou com particular veemência contra alterações substanciais na carreira pública.
A resposta da Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, não podia ter sido pior. Não lhe chegou pedir a evacuação das galerias, não foi suficiente reforçar a sua pretensa legitimidade, não lhe chegou citar Simone de Beauvoir, não lhe chegou fazer comparações obtusas a partir de um citação cujo contexto não pode ser esquecido, a Presidente da Assembleia da República mesmo viu-se impelida a reforçar a necessidade de se rever o acesso às galerias da Assembleia da República - as chamadas galerias do povo. Esta afirmação a clamar por um potencial condicionamento dos cidadãos às galerias foi seguida pelo gáudio dos deputados do PSD e alguns do CDS.
As imagens são inquietantes; as palavras da Presidente da Assembleia da República são …

Amarrar o PS

O Presidente da República, surpreendendo tudo e todos, não aceitou a solução proposta pelo PSD e CDS e que contava com a anuência da Alemanha. Ao invés, Cavaco Silva, propôs um compromisso de salvação nacional, chamando para o efeito os três partidos que assinaram o memorando de entendimento.
A pressão maior fica do lado do Partido Socialista que tem defendido eleições antecipadas. Se, porventura, aceitar a proposta do Presidente, vai seguir um caminho contrário a tudo o que tem defendido nos últimos meses. Se recusar, será acusado de contribuir decisivamente para a tão temida instabilidade.
Cavaco Silva amarrou, ou está a tentar amarrar, o PS  uma solução que dificilmente agradará aos socialistas e que encosta o maior partido da oposição à parede.
Relativamente aos partidos do Governo, a surpresa também parece ter tido o seu lugar. Aparentemente, há receptividade por parte dos dois partidos. Sabendo de antemão que ficam até Junho de 2014 - data que faz parte do tal compromi…

A luz verde da Alemanha

Enquanto Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, ouvia partidos da oposição, Governador do Banco de Portugal e parceiros sociais, a Alemanha dava a sua anuência à solução saída das mentes de Passos Coelho e de Paulo Portas, tornando o Presidente da República uma figura meramente decorativa.
O jornal I noticia que estas diligências do Presidente são uma mera formalidade e que a decisão já terá sido tomada. A antecipação da Alemanha revela isso mesmo e muito mais: revela a pequenez de quem nos governa, os tais que adoptaram agora, como no passado, uma postura de total subserviência que nos envergonha a todos. A democracia não é isto. Aliás, o que se tem passado nas últimas semanas é a antítese do que deve ser a democracia.
A nossa qualidade de devedor (não se sabe bem ao certo de que dívida é que realmente estamos a falar) não pode ser sinónimo de humilhações que mais não são do que a consequência de uma postura que tem sido invariavelmente subserviente. Lamentável…

Recebida de braços abertos

Foi assim que a comunicação social descreveu a primeira reunião de Maria Luís Albuquerque em contexto europeu. A imagens da reunião de ministros das Finanças, a primeira, na qualidade de ministra, de Maria Luís Albuquerque são elucidativas: abraços, beijinhos, sorrisos e elogios de um grupo de ministros que ficará na História como coveiros da União Europeia.
É evidente que a recepção não podia ser outra coisa que não aquele espectáculo deprimente que as televisões mostraram.
O ministro das Finanças alemão já elogiou a aposta na continuidade e disso mesmo que se trata: de continuidade. A continuidade das políticas que arrasaram os países periféricos que arrastarão consigo toda a Europa.
Maria Luís Albuquerque vai seguir indefectivelmente a linha do seu antecessor, dando a tal continuidade às políticas de uma Europa em declínio. Esse é um facto.
É também importante sublinhar que a recepção de braços abertos seria feita até no caso de um macaco ter sido escolhido para ministro d…

Afinal há Governo

Depois de uma semana marcada por decisões não tão irrevogáveis quanto isso, o Governo mantém-se em funções, com alterações em várias pastas ministeriais e com um novo peso do parceiro de coligação CDS-PP.
Desde logo, confesso a dificuldade em escrever sobre os últimos acontecimentos, tendo em consideração o rídiculo que os caracteriza. Primeiro, a demissão de Paulo Portas, depois a rejeição dessa demissão por parte do primeiro-ministro e, finalmente, o regresso de Paulo Portas com poderes reforçados, esvaziando de sentido a palavra "irrevogável". De resto, Paulo Portas não só maltratou o país, como a própria língua portuguesa.
Hoje o El País noticia que Bruxelas prepara um segundo resgate, numa linha mais branda... O FMI volta a dar conta dos erros da austeridade e o próprio Vítor Gaspar, com a sua demissão, faz esse reconhecimento ao mesmo tempo que se queixa da solidão.
O Governo é para continuar, a realidade um problema dos povos que sofrem as consequências de t…

Segundo resgate

O Presidente da República põe as coisas da seguinte forma: ou estabilidade política, assente numa coligação cujos líderes estão desavindos, ou o dilúvio (leia-se: segundo resgate). Cavaco dirá mais tarde que avisou.
Na verdade, esta novela de mau gosto a que alguns apelidam de crise política mais não é do que a justificação precisamente para um segundo resgate. Quando nos confrontarmos com essa realidade, dir-se-á então que a instabilidade política produzida nos últimos dias terá contribuído decisivamente para o tal segundo resgate. Até lá foi-se fingindo que um segundo resgate não era eminente.
A pretensa crise política servirá então para justificar o falhanço das políticas de Passos e Portas, invariavelmente coadjuvados pelo aparentemente letárgico Presidente da República.
Posteriormente e para que tudo não piore (a saída do euro, sempre o anátema da saída do euro), será necessário encontrar a tão apregoada estabilidade política, a tudo custo, custe o que custar, sempre …