Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos percebem este objectivo enquanto outros esquecem-no rapidamente.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Recebida de braços abertos
Foi assim que a comunicação social descreveu a primeira reunião de Maria Luís Albuquerque em contexto europeu. A imagens da reunião de ministros das Finanças, a primeira, na qualidade de ministra, de Maria Luís Albuquerque são elucidativas: abraços, beijinhos, sorrisos e elogios de um grupo de ministros que ficará na História como coveiros da União Europeia.
É evidente que a recepção não podia ser outra coisa que não aquele espectáculo deprimente que as televisões mostraram.
O ministro das Finanças alemão já elogiou a aposta na continuidade e disso mesmo que se trata: de continuidade. A continuidade das políticas que arrasaram os países periféricos que arrastarão consigo toda a Europa.
Maria Luís Albuquerque vai seguir indefectivelmente a linha do seu antecessor, dando a tal continuidade às políticas de uma Europa em declínio. Esse é um facto.
É também importante sublinhar que a recepção de braços abertos seria feita até no caso de um macaco ter sido escolhido para ministro das Finanças, desde que esse macaco estivesse comprometido com a linha de austeridade e liquidação dos países periféricos.
Talvez seja um problema exclusivamente meu, mas as imagens de rostos sorridentes e o ambiente festivo na reunião de ministros das Finanças da zona euro não se coaduna com o ambiente negro que se vive em boa parte da Europa.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Afinal há Governo
Depois de uma semana marcada por decisões não tão
irrevogáveis quanto isso, o Governo mantém-se em funções, com alterações
em várias pastas ministeriais e com um novo peso do parceiro de
coligação CDS-PP.
Desde logo, confesso a dificuldade em escrever sobre os últimos acontecimentos, tendo em consideração o rídiculo que os caracteriza. Primeiro, a demissão de Paulo Portas, depois a rejeição dessa demissão por parte do primeiro-ministro e, finalmente, o regresso de Paulo Portas com poderes reforçados, esvaziando de sentido a palavra "irrevogável". De resto, Paulo Portas não só maltratou o país, como a própria língua portuguesa.
Hoje o El País noticia que Bruxelas prepara um segundo resgate, numa linha mais branda... O FMI volta a dar conta dos erros da austeridade e o próprio Vítor Gaspar, com a sua demissão, faz esse reconhecimento ao mesmo tempo que se queixa da solidão.
O Governo é para continuar, a realidade um problema dos povos que sofrem as consequências de tanta cegueira. O país convence-se cada vez mais da inutilidade e, em casos mais graves, do carácter ignominioso de quem exerce cargos políticos. Mais uma machada na democracia. E será que ainda existe alguém a prestar atenção? Ou que se inquiete?
Desde logo, confesso a dificuldade em escrever sobre os últimos acontecimentos, tendo em consideração o rídiculo que os caracteriza. Primeiro, a demissão de Paulo Portas, depois a rejeição dessa demissão por parte do primeiro-ministro e, finalmente, o regresso de Paulo Portas com poderes reforçados, esvaziando de sentido a palavra "irrevogável". De resto, Paulo Portas não só maltratou o país, como a própria língua portuguesa.
Hoje o El País noticia que Bruxelas prepara um segundo resgate, numa linha mais branda... O FMI volta a dar conta dos erros da austeridade e o próprio Vítor Gaspar, com a sua demissão, faz esse reconhecimento ao mesmo tempo que se queixa da solidão.
O Governo é para continuar, a realidade um problema dos povos que sofrem as consequências de tanta cegueira. O país convence-se cada vez mais da inutilidade e, em casos mais graves, do carácter ignominioso de quem exerce cargos políticos. Mais uma machada na democracia. E será que ainda existe alguém a prestar atenção? Ou que se inquiete?
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Segundo resgate
O Presidente da República põe as coisas da seguinte forma: ou estabilidade política, assente numa coligação cujos líderes estão desavindos, ou o dilúvio (leia-se: segundo resgate). Cavaco dirá mais tarde que avisou.
Na verdade, esta novela de mau gosto a que alguns apelidam de crise política mais não é do que a justificação precisamente para um segundo resgate. Quando nos confrontarmos com essa realidade, dir-se-á então que a instabilidade política produzida nos últimos dias terá contribuído decisivamente para o tal segundo resgate. Até lá foi-se fingindo que um segundo resgate não era eminente.
A pretensa crise política servirá então para justificar o falhanço das políticas de Passos e Portas, invariavelmente coadjuvados pelo aparentemente letárgico Presidente da República.
Posteriormente e para que tudo não piore (a saída do euro, sempre o anátema da saída do euro), será necessário encontrar a tão apregoada estabilidade política, a tudo custo, custe o que custar, sempre em nome do interesse nacional. Todos já sabemos o que isto quer dizer.
Pelo caminho, vamos continuar a assistir ao senhor que avisa (Cavaco Silva) e às duas comadres que não se entendem e que ralham uma com a outra enquanto vêem o país a afundar.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Estabilidade
Em nome da estabilidade pretende-se manter uma coligação de governo puramente artificial. Com a demissão irrevogável do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, líder do parceiro de coligação, todos esperavam a demissão do Governo.
O volte-face acontece no dia de ontem, com a possibilidade do partido de Paulo Portas encontrar um novo entendimento com o PSD.
Quando
se pensava que o Governo poderia, finalmente, cair, tudo parece indicar
a manutenção do Executivo de Passos Coelho, mantendo a coligação.
Quanto ao futuro de Portas, parece haver mais dúvidas.
A estabilidade terá sido uma das palavras mais utilizadas nos últimos dias. A queda da bolsa, a resposta dos sacrossantos mercados e a inquietação de Merkel que tem em Passos Coelho o melhor parceiro possível, contribuíram para que o medo latente se manifestasse. A comunicação social faz o resto.
A estabilidade terá sido uma das palavras mais utilizadas nos últimos dias. A queda da bolsa, a resposta dos sacrossantos mercados e a inquietação de Merkel que tem em Passos Coelho o melhor parceiro possível, contribuíram para que o medo latente se manifestasse. A comunicação social faz o resto.
De
resto é graças a esse medo que se traduz na possibilidade de nos
transformamos numa nova Grécia, na possibilidade de um novo resgate, na
possibilidade de não haver dinheiro para salários e pensões, na
possibilidade da chegada dos sete anjos do Apocalipse munidos dos sete
selos, que o Governo se poderá manter.
Por muito que
alguns apregoem a necessidade de se convocarem eleições antecipadas -
outro medo evidente é o da própria democracia -, a verdade é que tudo se
fará para garantir a manutenção do Governo, seja ele mais ou menos
artificial.
O Presidente da República é um dos principais
apologistas da manutenção do actual estado de coisas. Os partidos da
oposição vêm a sua margem limitada pela permanência da coligação e o
povo sucumbe ao medo.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O rídiculo
A semana tem sido pródiga em demissões no Governo. Começou com
Vítor Gaspar, depois Paulo Portas e, em consequência, todos os ministros
e secretários de Estado do CDS-PP.
Pedro Passos Coelho decidiu falar ao país. Em vez do anúncio
da sua demissão, o primeiro-ministro preferiu abordar o assunto da
demissão do Presidente do partido que suporta o partido da coligação,
mostrando que não aceita a demissão, discursando num tom de quase
condescendência, diminuindo Paulo Portas, ministro demissionário,
diminuindo-se a si próprio e diminuindo o país. Os interesses partidários, com eleições à porta, não serão alheios à decisão do primeiro-ministro. O país, esse, é a última das suas preocupações.
A
comunicação de Pedro Passos Coelho ao país é um sinal de como a
obstinação pode redundar numa situação ridícula. O que país assistiu
ontem às 20h foi ao exercício penoso e ridículo de um primeiro-ministro
que insiste em manter-se em funções quando tudo, rigorosamente tudo,
indica que não haver condições para essa manutenção.
O
Governo não tem condições para continuar em funções. É urgente que se
convoquem eleições antecipadas, o quanto antes. Recorde-se que este
também é o ano de eleições na Alemanha, o que poderá representar uma
janela de oportunidade para quem negoceia com as instâncias europeias
subservientes ao diktat alemão. A chanceler Angela Merkel necessita de
bons exemplos - a Irlanda entrou em recessão, a Grécia é que se sabe e
Portugal poderia ser, com recurso a muita imaginação, o tal bom exemplo
de como as políticas advogadas por Merkel funcionam. Essa é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.
De
qualquer modo, terá de ser outro Governo a encetar negociações. Este
que se mantém incrivelmente em funções, para além de ser mais papista do
que o Papa, não tem credibilidade e não tem condições para encabeçar
quaisquer negociações com as instâncias internacionais. Este Governo
está liquidado. Só Passos Coelho e, até ver, o Presidente da República é que ainda não aceitaram esta verdadeira inevitabilidade. Ridículo.
terça-feira, 2 de julho de 2013
A saída
Desgastado, cansado da ausência de coesão no próprio Governo e
provavelmente da sua própria incapacidade de acertar uma única previsão,
Vítor Gaspar demitiu-se do cargo de ministro das Finanças. Pedro Passos
Coelho, por sua vez, aposta na continuidade, escolhendo para o lugar a
secretária de Estado, Maria Luís Albuquerque. A mesma envolvida na
intrincada e opaca história dos contratos de alto risco - Swap.
O parceiro de coligação, Paulo Portas, passa para número dois. Isto numa coligação que se encontra num eterno estado titubeante.
A saída de Vítor Gaspar não muda o rumo das políticas do Governo, tanto mais que não se regista nenhum episódio de inquietação nas instâncias europeias.
Todavia, a saída de Gaspar, pelas razões apontadas pelo mesmo, contribui para a fragilização de um Governo que só se mantém no poder graças ao apoio do Presidente da República, longe dos cidadãos, mas no coração de Cavaco Silva.
O parceiro de coligação, Paulo Portas, passa para número dois. Isto numa coligação que se encontra num eterno estado titubeante.
A saída de Vítor Gaspar não muda o rumo das políticas do Governo, tanto mais que não se regista nenhum episódio de inquietação nas instâncias europeias.
Todavia, a saída de Gaspar, pelas razões apontadas pelo mesmo, contribui para a fragilização de um Governo que só se mantém no poder graças ao apoio do Presidente da República, longe dos cidadãos, mas no coração de Cavaco Silva.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
28
Numa altura em que a União Europeia atravessa a sua
mais grave crise, assiste-se a um novo alargamento. O novo Estado-membro
é a Croácia. Um sinal da desunião que se vive no seio europeu é,
segundo muitas opiniões, a ausência da Chanceler alemã, Angela Merkel,
que não compareceu a Zagreb para as comemorações, alegando razões de
agenda.
O facto da mensagem de boas-vindas ter sido proferida por Durão Barroso é desde logo um mau prenúncio.
Hoje passamos a ser 28. Muitos cidadãos, sobretudo dos países alvo de intervenção (pertencentes à Zona Euro), olham para a União Europeia com grande cepticismo, alguns anseio pela saída.
A festa em Zagreb contrasta com a imagem de uma União Europeia triste, apagada, desunida, egoísta. A ausência de Merkel é paradigmática de uma UE que no fundo é controlada pelo seu país, sobretudo a moeda única que se tornou um calvário para uma boa parte dos países que integram a zona euro.
A Sérvia será o próximo a entrar? Demorará alguns anos. Como estará a União Europeia passarmos a ser 29.
O facto da mensagem de boas-vindas ter sido proferida por Durão Barroso é desde logo um mau prenúncio.
Hoje passamos a ser 28. Muitos cidadãos, sobretudo dos países alvo de intervenção (pertencentes à Zona Euro), olham para a União Europeia com grande cepticismo, alguns anseio pela saída.
A festa em Zagreb contrasta com a imagem de uma União Europeia triste, apagada, desunida, egoísta. A ausência de Merkel é paradigmática de uma UE que no fundo é controlada pelo seu país, sobretudo a moeda única que se tornou um calvário para uma boa parte dos países que integram a zona euro.
A Sérvia será o próximo a entrar? Demorará alguns anos. Como estará a União Europeia passarmos a ser 29.
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