Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A saída

Desgastado, cansado da ausência de coesão no próprio Governo e provavelmente da sua própria incapacidade de acertar uma única previsão, Vítor Gaspar demitiu-se do cargo de ministro das Finanças. Pedro Passos Coelho, por sua vez, aposta na continuidade, escolhendo para o lugar a secretária de Estado, Maria Luís Albuquerque. A mesma envolvida na intrincada e opaca história dos contratos de alto risco - Swap.
O parceiro de coligação, Paulo Portas, passa para número dois. Isto numa coligação que se encontra num eterno estado titubeante.
A saída de Vítor Gaspar não muda o rumo das políticas do Governo, tanto mais que não se regista nenhum episódio de inquietação nas instâncias europeias.
Todavia, a saída de Gaspar, pelas razões apontadas pelo mesmo, contribui para a fragilização de um Governo que só se mantém no poder graças ao apoio do Presidente da República, longe dos cidadãos, mas no coração de Cavaco Silva.

28

Numa altura em que a União Europeia atravessa a sua mais grave crise, assiste-se a um novo alargamento. O novo Estado-membro é a Croácia. Um sinal da desunião que se vive no seio europeu é, segundo muitas opiniões, a ausência da Chanceler alemã, Angela Merkel, que não compareceu a Zagreb para as comemorações, alegando razões de agenda.
O facto da mensagem de boas-vindas ter sido proferida por Durão Barroso é desde logo um mau prenúncio.
Hoje passamos a ser 28. Muitos cidadãos, sobretudo dos países alvo de intervenção (pertencentes à Zona Euro), olham para a União Europeia com grande cepticismo, alguns anseio pela saída.
A festa em Zagreb contrasta com a imagem de uma União Europeia triste, apagada, desunida, egoísta. A ausência de Merkel é paradigmática de uma UE que no fundo é controlada pelo seu país, sobretudo a moeda única que se tornou um calvário para uma boa parte dos países que integram a zona euro.
A Sérvia será o próximo a entrar? Demorará alguns anos. Como estará a …

A lei

A greve geral, esta como outras recentes, acabou ofuscada por episódios que visam desviar a atenção do essencial. Esses episódios têm como protagonistas manifestantes e a policia.
Em tempos não assim tão remotos, a polícia depois do discurso do líder da CGTP, e depois de algumas pedras arremessadas por meia-dúzia de pessoas, carregou indiscriminadamente sobre todos os que se manifestavam.
Ontem, um grupo de mais de 200 pessoas que alegadamente teria a intenção de bloquear um acesso à ponte 25 de Abril, foi retido, identifico e notificado. Repito: alegadamente. São acusados de manifestação ilegal e atentado à segurança de transporte rodoviário. Da greve pouco mais se discutiu. Hoje, como no passado mais recente. Ficam imagens deploráveis de manifestantes encurralados pela polícia, retidos, arrebanhados.
A velha máxima dura lex sed lex aplica-se com particular contundência a estes e a outros manifestantes. Isto num país cuja Constituição é permanentemente atropelada por quem a…

Quando a democracia falha

O neoliberalismo que atinge o seu auge, paradoxalmente depois da crise de 2008, conhecendo uma renovada força desde os áureos tempos de Tatcher e de Reagan, tem vindo a enfraquecer a democracia. A democracia coloca entraves à disseminação da ideologia que também por cá se instalou. Veja-se a forma como este Governo lida com o Tribunal Constitucional e com as suas deliberações. Veja-se a forma como o próprio Presidente da República lida com a Constituição. Trata-se apenas de um exemplo.Em Portugal, à semelhança do que acontece com outros países, as democracias são indissociáveis de pactos sociais que estão a ser genericamente desrespeitados. Quem governa, representa interesses alheios ou contrários ao interesse comum, deixando o povo de ser soberano, para no seu lugar, as grandes empresas e a alta finança, através de representantes, tomarem as decisões. Esvazia-se o conceito de democracia.Hoje o perigo da democracia ser substituída por regimes déspotas, xenófobos, fascistas…

E depois das manifestações?

Uma das perguntas mais pertinentes a ser colocada a propósito dos mais recentes protestos no Brasil prende-se com as consequências desses mesmos protestos. E depois das manifestações?
Dilma Rousseff dá a resposta, propondo um referendo sobre a reforma do Estado, a par do combate à corrupção, melhorias na saúde, educação e transportes.
Dilma propõe uma forma mais directa de democracia - o referendo -, e em simultâneo, promete mais investimento no Estado Social, e um combate mais cerrado à corrupção.
As manifestações que marcaram as últimas semanas no Brasil surpreenderam o mundo e o próprio Brasil político. Uma sociedade considerada pouco politizada deu afinal uma lição ao mundo.
De resto, não esqueçamos que as manifestações não apontavam o dedo especificamente à Presidente Dilma Rousseff, o que deixava antever que não era a queda de Dilma que os manifestantes pediam. A presidente já se reuniu com manifestantes e agora apresenta propostas que vão ao encontro das necessidad…

Condescendência

Já conhecíamos várias facetas do primeiro-ministro, sobretudo uma faceta antes de conseguir a eleição que o levou ao cargo de primeiro-ministro e outra(s) já no decurso do desempenho do cargo de primeiro-ministro.
Como primeiro-ministro já conhecíamos a sua faceta pouco dialogante, obstinada , mas simultaneamente inane; já lhe conhecíamos a arrogância de quem acredita não ter de prestar grandes esclarecimentos aos cidadãos; já lhe conhecíamos o distanciamento incomensurável relativamente a esses mesmos cidadãos.
Agora, a propósito do pagamento tardio, à margem da decisão do Tribunal Constitucional (TC), ficámos a conhecer melhor a sua faceta paternalista. Pedro Passos Coelho, afirmou aos microfones de vários canais de televisão, que a decisão do Governo de não pagar a totalidade dos subsídios no mês de Junho e Julho a funcionários públicos e aposentados prende-se com a necessidade de proteger os interesses desses cidadãos. Passos Coelho afirmou mesmo estar a pensar no mel…

Ainda o Brasil

As manifestações em dezenas de cidades brasileiras vão crescendo de dia para dia, sem que o poder político tenha ainda conseguido dar uma resposta, excepção feita em algumas cidades, cujos representantes políticos voltaram atrás no aumento da tarifa dos miseráveis transportes públicos brasileiros.
Porém, o aumento da tarifa foi um pretexto que levou e continua a levar muitos brasileiros para a rua para exigirem o fim da corrupção e a melhoria dos seus serviços públicos, ao mesmo tempo que criticam o investimento faraónico com eventos desportivos.
Aguarda-se uma resposta do poder político. Dilma Rousseff, já procurou mostrar que percebia os manifestantes, mas são precisas acções que mostrem essa mesma compreensão. É essencial que o poder político dê sinais que está disponível para melhorar os serviços públicos, que está disposto a apostar no seu Estado Social, que está disposto a ir contra interesses confortavelmente instalados há demasiado tempo, interesses que se centram …