terça-feira, 18 de junho de 2013

Forma de governar

Governa-se cá dentro para fora. Os representantes políticos portugueses agem como se fossem mandatos pelas instituições europeias, pelas grandes multinacionais e pela banca, ao invés de agirem como representantes do povo.
Governa-se aparentemente de forma racional, não obstante a facilidade com que se cai na tentação da vingança que não cabe em formas de governação democráticas. O melhor exemplo é precisamente a trapalhada com o pagamento dos subsídios de férias de funcionários públicos e pensionistas. Afinal há dinheiro, não há é vontade em cumprir a lei, prejudicand quem tem o direito de receber esse subsídio.
Governa-se recorrendo à chantagem. Veja-se a greve dos professores. Utiliza-se o argumento falacioso da salvaguarda dos interesses dos estudantes, quando na verdade o governo está-se nas tintas para esses interesses.
Governa-se sem dar satisfação a quem quer que seja. Não são necessárias explicações. Governa-se para uma minoria. Governa-se para destruir o pacto social vigente no país desde o 25 de Abril de 1974. Governa-se para levar Portugal ainda mais para a periferia dos baixos salários, da ausência de direitos, da inexistência de um Estado Social.
Governa-se mal, amiúde de forma pouco consonante com a democracia. As políticas, já todos perceberam, são maliciosas, mas a forma de governar não lhe fica atrás.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ainda a Turquia

A situação em Istambul continua periclitante. A receita de Erdogan, o primeiro-ministro turco, não está a produzir outro resultado que não seja a violência. A receita de Erdogan não é nova e baseia-se na repressão, na violência, na ausência de diálogo.
O resultado está à vista: a cidade de Istambul e, em larga medida o país, está dividido entre apoiantes do primeiro-ministro e manifestantes. As imagens de Istambul são impressionantes e os níveis de violência não deixam ninguém de fora. O jornalista do jornal Público Paulo Moura foi uma das vítimas da violência policial. De resto,  é conhecida a aversão de Erdogan a jornalistas, à liberdade de imprensa, ao direito de informar e de ser informado.
O regime que já possuía laivos de totalitarismo resvala por completo. A repressão é cada vez mais violenta e aqueles que têm como missão informar são alvos dessa repressão. A propósito veja-se a cobertura tendenciosa e parcial da comunicação social turca aos protestos.
O futuro da Turquia afigura-se intrincado. O país está dividido e quem o governa fomenta as divisões.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A celeridade da Justiça

Os Portugueses têm o hábito de se queixarem da ineficiência e morosidade da Justiça, existe mesmo quem justifique a baixa competitividade da economia portuguesa com essa tal morosidade.
Porém, os Portugueses podem até nem ter razão. Veja-se a eficiência e rapidez com que o cidadão Carlos Costal, acusado de difamação foi condenado a multa de 1300 euros. Uma condenação de um dia para o outro. O episódio passou-se há escassos dias, em Elvas, o alvo dos impropérios ("vai trabalhar!") foi Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, o excelso Senhor Doutor Cavaco Silva. A Justiça é eficiente, é célere. Quem diz o contrário, não sabe do que fala. E se dúvidas existirem, pergunte-se ao ilustre Presidente da República que, com a sua perspectiva empírica, é capaz de dar a resposta mais elucidativa.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Insólito

O governo grego anunciou o encerramento temporário da televisão pública do país. A ideia parece ser a de um hiato enquanto se estuda e se procede à reestruturação da televisão e rádio do país. Os funcionários serão suspensos.
A medida é insólita e vem na sequência do acordo firmado com a troika e que implicaria o despedimento de milhares de trabalhadores públicos.
Para acicatar os ânimos, um porta-voz referiu-se à televisão pública como "vaca sagrada", estabelecendo analogias entre a pretensa vaca sagrada e o sacrifício dos gregos.
Para além da discussão em torno da reestruturação da televisão e rádio públicas, fica o insólito da própria situação, encerrando-se temporariamente a empresa e suspendendo-se os funcionários.
Recorde-se que há escassos dias, o FMI fez uma espécie de mea culpa, referindo que se foi longe de mais na austeridade, sublinhando precisamente o caso grego. Ora, o exemplo do encerramento da televisão pública grega - com 70 anos de História - não se compadece com esses lamentos hipócritas do FMI. A ver vamos como será o processo de reestruturação/privatização da RTP.
De qualquer modo, há limites que estão claramente a ser ultrapassados. As consequências, mais dia menos dia, também se serão uma inevitabilidade.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ainda o pós-troika

Cavaco Silva tudo faz para fugir às dificuldades do presente, consequentemente não espanta que o seu tema de eleição seja o futuro pós-troika. No dia de Portugal, o Presidente da República volta a manifestar a sua apetência para fugir ao presente.
Sobre a situação política interna, o Presidente escolhe proferir duas ou três frases vagas e inconsequentes, voltando a frisar a sua intenção de ser um factor de estabilidade num contexto em que, quer admita, quer não, se afunda na instabilidade.
Outro tema de eleição de Cavaco Silva prende-se com a agricultura e com o mar. Escusado será dizer que o passado, a par do presente, parece dizer muito pouco ao Presidente da República.
O pós-troika de Cavaco continuará a fazer o seu caminho num mundo de faz-de-conta, em que não existe instabilidade política, em que as dificuldades dos Portugueses serão ultrapassadas, em que a receita aplicada pelo Governo  produzirá os resultados almejados.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Turquia

A Turquia tem sido notícia devido à convulsão que se vive nas ruas, sobretudo em Istambul. Apesar das tentativas de moderação e até de apaziguamento quer do Presidente, quer do vice-primeiro ministro, Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro, continua a adoptar uma postura de confrontação, apostando na repressão.
As motivações, inicialmente de natureza ambientalista - Erdogan insiste na construção do centro comercial na origem dos protestos - rapidamente agregou outros motivos de protesto, designadamente contra a tentativa de islamizar uma sociedade secular.
Com efeito, a Turquia é um país entalado entre a religião e o secularismo, herança de Kamal Ataturk e ainda longe de uma democracia consolidada.
O primeiro ministro de regresso ao país, prometeu continuar irredutível nas suas posições, à revelia do Presidente do país e até do vice-primeiro ministro. No aeroporto foi recebido por apoiantes que gritavam palavras de apoio e promessas de um apoio até à morte. Seguramente um mau augúrio para um país claramente dividido.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O reconhecimento


Espera-se que na próxima sexta-feira o FMI venha a reconhecer os erros "grosseiros" cometidos na Grécia, designadamente na natureza das suas receitas para a economia grega. O reconhecimento, tardio ainda para mais, não chega.
O documento, considerado ultra secreto, aponta para uma subestimação  relativamente às consequências das políticas advogadas pelo FMI na economia grega.
Volvidos 3 anos, o FMI preparara-se agora para reconhecer uma evidência por muitos assinalada desde o dealbar desta crise.
É claro que esse reconhecimento, para além de tardio, é inconsequente. A Europa está ainda longe de fazer qualquer reconhecimento semelhante e, em bom rigor, o estrago está feito: destruição da economia grega, consequências sociais cuja dimensão é incomensurável; enfim, a destruição de um país.
Em Portugal, o reconhecimento é outro: Pedro Passos Coelho reconhece não ter medo dos Portugueses e do seu julgamento. Claro, quem tem medo compra um cão.