quarta-feira, 17 de abril de 2013

O encontro

Pedro Passos Coelho e  António José Seguro encontram-se hoje para gáudio do Presidente da República.
O primeiro-ministro pediu para se reunir com o líder do maior partido da oposição, embora tudo já esteja a ser feito à revelia dos partidos com assento parlamentar e à revelia dos Portugueses. Escrevem-se cartas, pedem-se relatórios com carácter vinculativo, tomam decisões à revelia de todos - cidadãos e representantes eleitos.
Este encontro mais não é do que um exercício em que o primeiro-ministro manifesta o seu desejo de procurar consensos. Mais uma ilusão. Uma ilusão do agrado do Presidente da República.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Voto de louvor


Depois das trapalhadas em torno de uma pseudo-licenciatura e da saída de Miguel Relvas do Governo, o seu partido, o PSD, aprovou um voto de louvor a Miguel Relvas. A razão? Aparentemente devido à sua inexcedível dedicação à causa pública.
É por situações como a descrita acima que tantos se afastam da política; graças a estes infelizes episódios o fosso entre cidadãos e representantes políticos é cada vez maior.
É certo que o PSD é livre de aprovar votos de louvor a quem bem entender, porém no caso em apreço é a imagem do partido que sai beliscada, não que a governação de Passos Coelho tenha feito qualquer bem à imagem do partido, como se depreenderá das próximas eleições autárquicas. Ainda assim, votos de louvor a Miguel Relvas em nada ajudam o partido.
Na verdade, Miguel Relvas não é um político exemplar - não se trata de uma questão de opinião, trata-se antes de um facto. Miguel Relvas não teve a melhor postura no caso da jornalista do público, no caso do espião mais recentemente reintegrado, ou no caso da licenciatura. A sua saída do Governo foi uma boa notícia para o país; para o conselho nacional do partido, a saída mereceu um louvor, um sinal do afastamento entre o partido em questão (e não só) e o próprio país.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dívidas

É o assunto do dia. Dívidas. A Chanceler Alemã, Angela Merkel, levanta o tom de voz sempre que o assunto é a dívida.
O tom de voz de Merkel tenderá a descer quando o assunto for a dívida alemã. Duas guerras mundiais, o que sobrou da II Guerra Mundial em compensações de guerra é muito significativo. Os Gregos que o digam.
Segundo um relatório grego, a Alemanha deve mais de 160 mil milhões de euros à Grécia, na sequência da devastação que causou ao país. O ministro das Finanças Alemão, atolado na sua própria arrogância, desvia a atenção para as reformas que os Gregos alegadamente não estão a realizar.
A história das dívidas têm muito que se lhe diga, muito mais do que por aí se diz. No caso Grego, depois de tantas humilhações, depois de exercícios de arrogância por parte do Governo alemão e da comunicação social alemã, depois da total obliteração do conceito de solidariedade, a Alemanha poderá ter de ver este assunto resolvido nos tribunais internacionais, correndo o risco de se ver forçada a pagar pela devastação que causou a países como a Grécia.
Nunca é demais sublinhar o menosprezo que tem recaído sobre a História e as suas lições. Aqui está um primeira factura que, se espera, seja paga pela Alemanha.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O passado ficou lá para trás

O passado ficou lá para trás; o passado negro da Europa ficou para trás e jamais regressará. Os tempos são diferentes, esta é apenas mais uma crise que será resolvida de forma inexorável, à maneira alemã.
Por cá, o Governo, depois dos subterfúgios mais ignóbeis, procura agradar a tudo o custo aos seus patrões europeus, designadamente alemães.
De resto, o Governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar, atrofiados por uma mentalidade serôdia e pequena, imbuída numa ideologia de trazer por casa na medida em que a sua aplicação se revela repleta de contradições, mostram-se empenhados em agradar sobretudo à Alemanha. Gaspar terá a recompensa óbvia - um lugar de destaque no BCE; Passos Coelho terá outras recompensas e os seus acólitos não ficarão seguramente de fora.
O contexto político na Europa é marcado pelo esquecimento. Esqueceu-se a importância do projecto europeu; esqueceu-se a História da Europa, designadamente a mais recente.
Por outro lado, elogia-se a eficácia, o carácter metódico, quase infalível da economia alemã, características que noutros tempos não tão remotos contribuíram para as páginas mais negras do velho continente.
Por cá, como noutros países europeus, pratica-se o sadismo. Todas as semanas assistimos a exercícios de um sadismo infligido por quem diz governar em função dos interesses dos seus cidadãos, enquanto na tribuna da Europa se aplaude e se instiga.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A resposta

Depois do chumbo do Tribunal Constitucional, e depois de assistirmos até à exaustão a exercícios de dramatização e vitimização do Governo e dos seus acólitos, surge agora a resposta sob a forma de paralisação do país.
Doravante e não se sabe bem durante quanto tempo, o ministro das Finanças retira qualquer margem de manobra à Administração Pública, proibindo gastos, por mais supérfluos que sejam.
Assim, quaisquer despesas têm de passar pelo crivo do ministro. Esperemos que não se verifiquem rupturas no fornecimento de papel higiénico porque para aventuras escatológicas já basta viver com esta governação.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um país acossado

O chumbo do Tribunal Constitucional (TC), envolto numa inusitada ausência de respeito institucional por parte do Governo, serve agora de pretexto para mais medidas de austeridade.
A reacção das instituições europeias não se fez esperar. Habituados a ter no Governo português um parceiro perfeito, este volte-face não agrada a quem está habituado a tudo impor.
Resta então acossar ainda mais o país, apontando uma miríade de alternativas com o pretenso objectivo de cobrir o que advém da anulação do TC. Não assistimos a tanta celeuma com os falhanços de Vítor Gaspar que representam muito mais do que o valor que resulta do chumbo do TC.
Um país que já vivia acossado sofre agora nova investida quer pelas instituições europeias, quer pelo Governo português que vê neste chumbo do TC mais uma oportunidade de escamotear os seus próprios erros e nova oportunidade de aplicar mais um golpe no Estado Social.
Voltamos assim a viver um novo período em que a chantagem (incluindo a que assistimos por parte de um primeiro-ministro ao TC) vai entrando pelas nossas casas adentro. Os comentadores de pacotilha aguçam os seus fracos espíritos; o Governo volta a transformar um problema de sua responsabilidade num problema causado por outros, desta vez pelo Tribunal Constitucional.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O rídiculo e a dramatização

Diz-se que o rídiculo não mata. Não terá sido tanto assim no caso de Miguel Relvas. O rídiculo não terá sido a única razão a justificar o seu afastamento, mas seguramente contribuiu para a acentuada fragilização do ministro.
Por outro lado, as decisões do Tribunal Constitucional poderiam ter constituído mais um revês para o Governo que ficou espantado com a dimensão dos chumbos. Porém, também não será bem assim. Depois do chumbo de quatro medidas surge agora o processo de dramatização que teve o seu expoente máximo nas declarações de Passos Coelho ontem ao final do dia.
Com efeito, o chumbo do Tribunal Constitucional serve essa dramatização; serve para escamotear os erros do Governo; serve para lavar a imagem marcada pela incompetência do Executivo de Pedro Passos Coelho.
Doravante, todos os erros, todas as previsões falhadas, são consequência da decisão do Tribunal Constitucional. Subitamente tudo está ameaçado. Não há outra alternativa, tem de se mexer no Estado Social (um dos grandes objectivos do Governo) e voltar a cortar no rendimento disponível. O Tribunal Constitucional passa a ser o bode expiatório.Vivemos tempos difíceis e vergonhosos.