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Mensagens

Ainda sobre a reforma do Estado

Pedro Passos Coelho nunca escondeu a vontade de encetar uma reforma no Estado, designadamente no Estado Social. Nas últimas semanas um relatório do FMI que incide sobre cortes na despesa e que solicita, em concreto, o corte de quatro mil milhões de euros veio, convenientemente, reforçar esse almejo de Passos Coelho e do seu Governo.
Ora, uma reforma do Estado não é forçosamente negativa. Sabemos que se a mesma incidir sobre o clientelismo que grassa pela Administração Pública e que se cruza com partidos políticos e interesses económicos mina o próprio Estado. Qualquer reforma teria de começar por debelar a promiscuidade que há muito tomou conta do Estado.
É evidente que um ataque ao clientelismo poria em causa interesses daquela espécie de casta que tomou conta do país.
Por outro lado, nada se faz para melhorar o desempenho da Administração Pública, toda a acção do Governo incide sobre cortes, preservando o já referido clientelismo.
Consequentemente, a reforma, refundação do…

A França está falida

A França está falida, ou melhor, a França está "totalmente falida" - palavras do ministro do Trabalho de François Hollande. O desconforto em volta das declarações do ministro do Trabalho foram imediatas.
Se este país está, de facto, falido, a Europa acabará por ter um novo problema de dimensões consideráveis, depois das dificuldades de países como Espanha ou Itália.
Ainda assim, França continua a financiar-se nos mercados a taxas de juro sustentáveis. Mas nada garante que essa situação não se inverta, aliás, as agências de notação financeira não se coibiram de retirar o triplo "A".
Claro está que países como França dificilmente se sujeitariam a planos de austeridade onerosos como tem sido o nosso caso, desde logo porque François Hollande, ao contrário de Passos Coelho, nunca o admitiria. Em rigor, e já aqui se referiu, Pedro Passos Coelho e o seu séquito chafurdam no mais acérrimo neoliberalismo

Ainda o regresso aos mercados

Expiámos a nossa culpa, regressámos com sucesso aos mercados. Depois de anos de incúria, de esbanjamento cujas responsabilidades são só nossas, o grande líder Pedro Passos Coelho, coadjuvado pelo igualmente magnânimo mestre das Finanças Vítor Gaspar conseguiram a proeza de nos fazer regressar aos sacrossantos mercados.
Exageros de retórica à parte, o discurso oficial não anda longe do que acabámos de mencionar.
De resto, fica excluído o enquadramento europeu, decisivo para a compreensão deste assunto. Não se refere a crise da moeda única - que se agudizou com as doses cavalares de austeridade -. não se sublinha o facto dos mercados terem acalmado depois da mudança (ténue, mas ainda assim uma mudança) das políticas do BCE, excluindo-se da discussão o facto de toda a operação de regresso aos mercados ter decorrido debaixo do chapéu do BCE.
No discurso oficial não cabe a dimensão europeia do problema. Estamos como estamos por nossa responsabilidade e só sairemos deste proble…

A tibieza do PS

A liderança do PS tem sido caracterizada por uma acentuada fragilização do líder. Apesar das políticas do Governo e das subsequentes manifestações de desagrado oriundas de vários quadrantes da sociedade portuguesa, António José Seguro não tem conseguido assumir uma liderança consolidada do maior partido da oposição.
Assim sendo, e perante a fragilidade do líder, surgem vozes de contestação dentro do próprio partido. No PS há quem almeje uma outra liderança e reunidas determinadas condições essas mesmas vozes de contestação interna acabarão por contribuir para a queda da actual liderança.
A tibieza revelada pelo líder do partido confunde-se com a fragilização do próprio Partido Socialista. Seguro tem dificuldades manifestas em assumir posições. Comprometido com o memorando de entendimento e procurando afastar-se do PSD e do CDS, mas também dos partidos mais à esquerda, não raras vezes cai na armadilha da insegurança.
O actual contexto é intrincado. Eleições internas podem co…

Luz ao fundo do túnel

É tarefa intrincada aduzir argumentos para a defesa das políticas do Executivo de Passos Coelho, ainda assim verifica-se que já há mais alguém a ver "uma luz ao fundo do túnel".
Primeiro foi o próprio primeiro-ministro a ver a tal luz ao fundo do túnel. Agora foi o ministro dos Negócios Estrangeiros Alemão a dizer o mesmo. De facto, estes senhores e seus respectivos lacaios têm capacidades que suplantam o comum dos mortais.
Quanto ao ministro Alemão, pouco haverá a dizer - a Europa, designadamente o Governo alemão, necessita de casos de sucesso que justifiquem a sua visão draconiana da economia e da vida. Portugal serve como caso de sucesso. Nem podia ser de outra forma, até porque outra Grécia poderia pôr em causa as políticas defendidas por Merkel e pelos seus arautos para os países periféricos.
Relativamente a Passos Coelho, o primeiro a ver a luz ao fundo do túnel, resta dizer que o primeiro-ministro não vê, ou não quer ver, ou, eventualmente, não tem a intenç…

Sucesso

Depois de quase dois anos de contestação (incluindo alguma contestação interna) e aproximando-se um período eleitoral de significativa importância, o Governo necessita da divulgação exaustiva de episódios de sucesso. A operação sindicada de ontem - o famigerado regresso bem-sucedido aos mercados - insere-se nessa lógica.
Pouco interessará esmiuçar os meandros dessa dita operação de regresso aos mercados. Muito menos interessará sublinhar que não há mérito do Governo na dita operação. Importa apenas associar a manobra bem-sucedida ao trabalho do Governo, enaltecendo o sucesso da mesma.
Paralelamente à contestação, os quase dois anos do Executivo de Passos Coelho têm-se pautado por falhanços atrás de falhanços. A insistência na receita da austeridade, consequência da cegueira ideológicas e da salvaguarda de interesses diametralmente opostos aos dos cidadãos, vão fazendo o seu caminho, desta vez sob os auspícios do sucesso. Do aparente sucesso.

Regresso aos mercados

O regresso aos mercados previsto para hoje é pintado com as cores do sucesso. Com efeito, o Governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar precisam de um sucesso que venha ao de cima num mar de fracassos.
Ora o regresso aos mercados, numa tentativa de agradar ao BCE - recorde-se que o BCE só compra títulos de dívida pública de países que estão efectivamente nos "mercados". As manobras de compra e venda de dívida pública envolvendo Estados-membros, BCE e banca privada continuam, como é do agrado da Alemanha, das instituições europeias e do inefável Vítor Gaspar.
Por outro lado, importa sublinhar que a austeridade continuará a fazer o seu caminho de destruição do país. Agora o argumento será: não podemos baixar os braços, depois de tanto sacrifício. É fundamental refundar-se o Estado. Há demasiados funcionários públicos, a escolas e hospitais custam demasiado dinheiro ao país. Os desempregados acomodam-se aos parcos subsídios de desemprego. Os reformados e pensionistas nã…