quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Negócios

Portugal está à venda. Pelo menos no que diz respeito a alguns sectores estratégicos. Terá sido essa uma das contrapartidas resultante da assinatura do acordo com a famigerada Troika.
Pelo caminho assistimos às negociatas entre os membros do Governo e sector empresarial. O caso da venda da TAP cheira mal por todos os lados, mas parece que já estamos acostumados a viver entre os odores mais desagradáveis.
De resto, é curioso ver a movimentação dos mesmos protagonistas em torno dos negócios mais opacos. Neste particular, Miguel Relvas movimenta-se com relativa facilidade.
Enquanto os cidadãos procuraram sobreviver num país com cada vez menos condições, os negócios vão levando o seu curso normal - para os nossos parâmetros - entre a obscuridade e o prejuízo do país.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ainda o 14 de Novembro

Depois dos episódios de violência junto à Assembleia da República e que se espalharam por várias zonas de Lisboa, ainda há quem esteja a ser chamado ao DIAP por suspeitas de ter desencadeado os incidentes.
Quanto à actuação da polícia, tudo parece ter corrido pelo melhor, com o primeiro-ministro, líder do maior partido da oposição e Presidente da República a corroborarem essa tese.
Esta semana soube-se que uma activista foi constituída arguida por suspeita de ter arremessado pedras. A pessoa em questão aparece em alegadas imagens da manifestação munida de pedras, ou será de uma mera máquina fotográfica?
O dia 14 de Novembro ficou marcado não só pelo descontentamento, pela greve geral, pelos incidentes, bem como pela actuação desproporcionada da polícia e da forma torpe como se atropela os direitos dos cidadãos.
O dia 14 de Novembro representou mais uma machadada na democracia, e incrivelmente continua a fustigar o sistema democrático, isto perante a passividade de um país à deriva, sujeito à arrogância recrudescente do Governo, às negociatas escandalosas e à austeridade que redunda apenas em miséria.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pensões

O primeiro-ministro afirmou que algumas pensões não correspondem ao que as pessoas descontaram, procurando deste modo justificar uma das medidas mais penalizadoras do Orçamento de Estado de 2013. Segundo o primeiro-ministro, as pensões mais elevadas não correspondem aos descontos efectuados.
A frase provocou celeuma com referências a "caneladas" e afins. No entendimento de Marcelo Rebelo de Sousa, as críticas do primeiro-ministro visam o Presidente da República, entre outras individualidades.
Ora, mais uma vez recorre-se à estratégia que incide sobre as divisões para melhor reinar. Diz-se que quem tem uma pensão elevada (falta saber qual o limite a partir do qual se trata de uma pensão elevada) não contribuiu para essa benesse. Desde logo, e embora seja do conhecimento público a existência de pensões elevadas de titulares de cargos públicos cuja carreira contributiva terá sido curta, esta é mais uma generalização abusiva. Há quem tenha pensões acima da média e que descontou durante largas décadas para mais tarde socorrer-se dessa reforma.
De qualquer modo, a questão para Coelho é de somenos. O primeiro-ministro, num tom demagógico, procura justificar o que muitos consideram inconstitucional. Foi esse o seu objectivo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A difícil condição de Paulo Portas

Depois da entrevista na TVI em que o primeiro-ministro elucidava o país sobre o seu número dois e número três (Paulo Portas), depois das hesitações, confusões, dissimulações e afins acerca do Orçamento de Estado, confirma-se a difícil condição de Paulo Portas, na qualidade, bem entendido, de líder do partido minoritário da coligação que forma o Governo.
Agora Paulo Portas, o patriota que parece tudo aguentar em nome do interesse nacional, afirmou que a voz do CDS, no que diz respeito ao Orçamento de Estado, "não foi suficientemente ouvida", situação que, sublinha, não se repetirá.
As afirmações de Portas visam atingir dois objectivos: sossegar as hostes internas que estão a ver a vida do partido andar para trás e sair desta situação de cara lavada, fazendo lembrar um pouco a velha história do polícia bom e do polícia mau - no caso, o CDS terá sido o polícia bom que, num contexto de inevitabilidade, ainda tentou conceber um orçamento menos oneroso para os Portugueses.
Paulo Portas, comprometido com o orçamento, não terá a sua vida futura facilitada. Os riscos são evidentes. Adianto apenas um - o CDS corre o risco de deixar de ser o partido do táxi para passar a ser o partido da bicicleta.
Quanto ao parceiro de coligação, parece imperar o princípio da reciprocidade: "tu tratas-me mal e eu não me fico atrás". Tudo em nome do interesse nacional, claro está.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

União bancária

A União Europeia chegou a acordo sobre um mecanismo único de supervisão bancária, com vários responsáveis europeus a vangloriarem-se com esta pretensa vitória da Europa que, quando muito, será uma vitória mais própria de Pirro como outras que se seguirão, depois de tantas baixas entre as classes médias e as classes mais desfavorecidas devastadas pela precariedade, pelo enfraquecimento do Estado Social e pelo desemprego. Tudo consequência da voracidade do sistema financeiro que se aliou a representantes políticos de uma ideologia caduca.
A supervisão bancária única abrangerá 200 bancos, deixando de fora 6000. O BCE conspurcado pela ideologia dominante continuará a ter a mesma filosofia, deixando os Estados entregues à tal voracidade do sistema financeiro; o orçamento comunitário pretende-se que seja reduzido; a uniformização fiscal é ainda uma utopia, tal como é qualquer espécie de uniformização social; o Banco de Investimento Europeu continuará a ter uma actuação insuficiente. Nestas matérias não se ousa falar de vitórias. Também era o que mais faltava.
Por outro lado, a UE, esquecida do seu projecto e, paradoxalmente, prémio Nobel da paz, vê o recrudescimento do desemprego assolar a Europa e assiste a um retrocesso das condições de vida de uma boa parte dos seus cidadãos, mantendo-se distante desses mesmos cidadãos, como de resto, é seu apanágio, afundada num miscelânea de tecnocracia e neoliberalismo. E ainda assim fala-se de vitória a propósito de um acordo que deixa de fora alguns países da UE, como é o caso do Reino Unido, República Checa e Suécia e deixa de fora a maior parte dos bancos. No fundo, trata-se de um acordo que tenta passar a mensagem de confiança no sistema bancário europeu, embora seja mais um mecanismo que se rege pelas mesmas regras, pelos mesmos princípios, pela mesma filosofia que deu origem à crise que está a ser paga por quem não tem responsabilidades.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Relvas

Curiosamente, Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares, falou para um auditório maioritariamente constituído por jovens, como se de um professor se tratasse. Aqueles jovens pareciam ouvir o ministro com atenção, apesar de todo o rídiculo que envolveu o ainda ministro.
Relvas reiterou o seu apoio a Fernando Seara, a propósito das próximas eleições autárquicas, um apoio efusivo que contrastou com o pouco entusiasmo de Seara em relação a esse apoio. Relvas, o ainda ministro teceu críticas ao principal partido da oposição, sempre naquele tom jocoso e prosaico a que nos habituou, aproveitando para criticar os "políticos que só falam ao fim-de-semana".
Relvas falou e os jovens presentes na universidade política do PSD ouviram.
Este Governo, com ministros como o Sr. Relvas, excede largamente os limites do ridículo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Atrasados mentais

Marques Mendes, gestor, político, comentador, criticou o ministro das Finanças, acusando-o de fazer dos Portugueses  "um conjunto de atrasados mentais", a propósito das declarações do ministro sobre as condições concedidas à Grécia. As contradições sobre este assunto têm sido profusas, ainda assim é surpreendente que Marques Mendes só agora tenha percebido que o inefável ministro das Finanças trata os cidadãos como atrasados mentais.
Com efeito, essa singular forma de tratamento não é de agora. Afinal de contas, o que dizer das comunicações do ministro ao país, naquele tom que todos conhecemos, como se o ministro estivesse a lidar com atrasados mentais? E o que dizer das medidas impostas pelo ministro? O facto é que este Governo tem-se em alta conta, salvaguarda interesses que não os da maioria e subestima os Portugueses. A arrogância, a cegueira ideológica e uma boa dose de inépcia caracterizam este Governo.
Neste particular Marques Mendes tem razão. As contradições em redor das condições concedidas à Grécia não são admissíveis. O Governo, na qualidade de representante eleito dos cidadãos, tem a obrigação de informar os cidadãos, ao invés de adoptar posturas de condescendência para escamotear a verdade..
A exiguidade e as incertezas sobre os caminhos possíveis até podem ser uma realidade, mas outra prende-se com o imperativo de não se admitir que os cidadãos sejam tratados como sendo "atrasados mentais".