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Mensagens

Mais um passo atrás

As palavras de Pedro Passos Coelho na entrevista à TVI continuam a fazer eco, designadamente no que diz respeito à educação. O primeiro-ministro deixou no ar a possibilidade da educação, pelo menos em alguns graus de ensino, deixar de ter um carácter gratuito, referindo-se Passos Coelho à margem na Constituição, comparativamente com a área da Saúde, o que permitiria alterações nestas funções sociais.
Ora, embora o ministério da Educação tenha vindo a terreiro contrariar as palavras de Passos Coelho, a verdade é que a mera possibilidade de se colocar um fim na gratuitidade do ensino (ideologicamente não se pode ignorar a coerência da medida) deu origem a um vasto coro de críticas.
Portugal retrocede diariamente e o fim da gratuitidade na educação, ficando por saber até que grau de ensino haveria então obrigatoriedade, é mais um passo atrás.
Não me parece excessivo repetir as intenções deste Governo, a coberto da famigerada crise cuja origem entretanto todos esquecemos: o Exe…

A entrevista

Confesso que não vi a entrevista do primeiro-ministro na totalidade, não me prestei a esse exercício de sadismo. Ainda assim, vi excertos da entrevista nos vários blocos noticiosos. O suficiente para perceber que se tratou de mais uma oportunidade para o primeiro-ministro mostrar a sua fidelidade canina à ideologia por ora dominante, num misto de intransigência, inanidade e indiferença perante o sofrimento dos seus concidadãos. "Vai custar, nunca disse que ia ser pêra doce", disse Pedro Passos Coelho.
Infelizmente, o primeiro-ministro, que não excluiu a possibilidade de encetar mudanças profundas no Estado Social, designadamente na Educação, afirmando que não é possível não ir aos apoios sociais, vai contando com a inércia do povo que governa.
Este primeiro-ministro é um executante de políticas desejadas há muito tempo por alguns; políticas essas que redundam em alterações profundas no Estado Social, na Administração Pública num sentido genérico, e nos direitos d…

O orçamento da nossa desgraça

Tal como se esperava, o Orçamento de Estado foi aprovado sem que haja quem realmente acredite no cumprimento dos objectivos a que o Governo se propôs, excepção feita ao ministro das Finanças e ao primeiro-ministro.
O orçamento da nossa desgraça é mais um passo no caminho da destruição da economia portuguesa. O consumo continuará a cair tendo em consideração o corte no rendimento disponível das famílias; mesmo  que se tenha adoptado o ataque fiscal por via de IRS, a receita fiscal, no seu todo, será menor; o desemprego a crescer, mais ou menos escamoteado por números oficias e pela saída forçada de muitos portugueses do país. Em suma, o futuro avizinha-se cada vez mais sombrio.
Por outro lado, o Governo, coadjuvado pelo Presidente da República, vai-se mantendo fiel à ideologia dominante, continuando na senda da destruição do Estado Social, desvalorização do custo unitário do trabalho; venda de sectores da economia portuguesa, enquanto cria condições para o que era público p…

CDS e o Orçamento de Estado

No dia da votação final do Orçamento de Estado nenhuma surpresa é esperada. Os partidos que suportam o Governo darão o seu aval para mais um retrocesso na vida da generalidade dos cidadãos. No caso do CDS a vacuidade tomou conta do partido que, contrariamente, ao seu ideário, vota a favor de um Orçamento que constitui um aumento de impostos sem precedentes.
Sob a capa de um patriotismo bacoco e de uma pretensa responsabilidade, este pequeno partido corre o sério risco de se tornar ainda mais pequeno, raiando a insignificância.
Se nos prestarmos ao exercício de ouvir as palavras do líder do partido, Paulo Portas, há meros dois anos atrás, percebemos que o ridículo em política é tão frequente.
Nas próximas eleições, pese embora a estreiteza da memória de muitos, espera-se que os votantes habituais deste pequeno partido se lembrem que o CDS não foi só conivente com estas políticas, foi executante.

O domingo é chato

O domingo é um dia comummente conhecido por ser chato, aborrecido. Trata-se do dia que antecede mais uma semana de trabalho (para os mais afortunados); é um dia que se torna inexplicavelmente curto e, amiúde, é neste dia que muitos de nós se entregam à indolência. Mas o domingo é também o dia escolhido pelo professor Marcelo para as suas homilias. Será porventura por esta razão que o domingo se torna ainda mais aborrecido.
Dir-se-á que ninguém é obrigado a assistir aos comentários do professor Marcelo, o que é verdade. No entanto, no dia seguinte é difícil escapar a um resumo desses comentários ou à profusão das frases mais sonantes, o que transforma a segunda-feira noutro dia chato.

Falta a alma

Portugal, a pretexto das grave situação das contas públicas e de uma dívida que se tem vindo a avolumar, vende o que interessa ser vendido, independentemente da natureza estratégica do sector - ainda estamos para ver como será a privatização das águas. Paralelamente, os Portugueses são chamados a contribuir para o desarranjo das contas públicas. A par da desvalorização do custo do trabalho, somam-se os cortes e o inevitável enfraquecimento do Estado Social, sem esquecer o aumento de impostos que recai sobre uma classe média depauperada. Tudo é exigido, tudo em nome da consolidação da contas públicas e de um hipotético regresso aos mercados, por imposição externa e por prazer interno de quem nos governa.
Infelizmente, a venda de sectores da economia portuguesa aliada aos eternos sacrifícios dos cidadãos não serão suficientes para atingir os objectivos a que o Governo se propõe, pelo contrário, são contraproducentes, piorando os indicadores já por si anódinos e destruindo o…

Desunião Europeia

Agora a propósito do orçamento comunitário, a desunião volta a dar lugar ao consenso. Alguns países, com a França à cabeça pugnam por um aumento de cinco por cento do orçamento comunitário, outros, como a Alemanha prefere um aumento menor e outros ainda advogam o congelamento, como é o caso do Reino Unido, já conhecido pelo "opt in" e "opt out".
O ambicioso projecto europeu sai fragilizado a cada dia que passa, esta desunião em torno do orçamento é apenas mais um sinal da falência de um projecto tão promissor.
As lideranças europeias, institucionais, são meros acessórios e as lideranças de cada Estado-membro não passam disso mesmo, de lideranças nacionais que defendem os interesses nacionais (e não só, mas essa já é outra questão que não interessa discutir agora). Por outro lado, muitos ralham perante a inexistência de pão ou perante o mero vislumbre da inexistência de pão.
A elaboração de um orçamento comunitário mais robusto, a uniformização fiscal, a e…