O domingo é um dia comummente conhecido por ser chato, aborrecido.
Trata-se do dia que antecede mais uma semana de trabalho (para os mais
afortunados); é um dia que se torna inexplicavelmente curto e, amiúde, é
neste dia que muitos de nós se entregam à indolência. Mas o domingo é
também o dia escolhido pelo professor Marcelo para as suas homilias.
Será porventura por esta razão que o domingo se torna ainda mais
aborrecido.
Dir-se-á que ninguém é obrigado a assistir aos
comentários do professor Marcelo, o que é verdade. No entanto, no dia
seguinte é difícil escapar a um resumo desses comentários ou à profusão
das frases mais sonantes, o que transforma a segunda-feira noutro dia
chato.
Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos percebem este objectivo enquanto outros esquecem-no rapidamente.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O domingo é chato
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Falta a alma
Portugal, a pretexto das grave situação das contas públicas e de uma
dívida que se tem vindo a avolumar, vende o que interessa ser vendido,
independentemente da natureza estratégica do sector - ainda estamos para
ver como será a privatização das águas. Paralelamente, os Portugueses
são chamados a contribuir para o desarranjo das contas públicas. A par
da desvalorização do custo do trabalho, somam-se os cortes e o
inevitável enfraquecimento do Estado Social, sem esquecer o aumento de
impostos que recai sobre uma classe média depauperada. Tudo é exigido,
tudo em nome da consolidação da contas públicas e de um hipotético
regresso aos mercados, por imposição externa e por prazer interno de
quem nos governa.
Infelizmente, a venda de sectores da economia portuguesa aliada aos eternos sacrifícios dos cidadãos não serão suficientes para atingir os objectivos a que o Governo se propõe, pelo contrário, são contraproducentes, piorando os indicadores já por si anódinos e destruindo o que resta da economia portuguesa.
Não será preciso esperar muito tempo para se ouvir o inefável ministro das Finanças afirmar que esses objectivos não estão a ser cumpridos e, consequentemente, serão necessários mais sacrifícios. Aos portugueses não resta nada para entregar ao Estado. Infelizmente para os arautos da eficiência dos mercados e da total liberdade destes, os assuntos relativos à alma e à metempsicose não têm interesse, caso contrário esse seria o próximo ataque.
Com efeito, só falta nos tirarem a alma, já que nos espoliaram do emprego, das perspectivas de futuro, da esperança e da dignidade. Só falta mesmo reclamarem a alma. Caso essa ainda venha a ser uma ideia interessante, pede-se que consultem políticos, designadamente aqueles pertencentes ao arco do poder. Esses terão muito a ensinar na precisa medida que já abdicaram da sua alma há muito tempo.
Infelizmente, a venda de sectores da economia portuguesa aliada aos eternos sacrifícios dos cidadãos não serão suficientes para atingir os objectivos a que o Governo se propõe, pelo contrário, são contraproducentes, piorando os indicadores já por si anódinos e destruindo o que resta da economia portuguesa.
Não será preciso esperar muito tempo para se ouvir o inefável ministro das Finanças afirmar que esses objectivos não estão a ser cumpridos e, consequentemente, serão necessários mais sacrifícios. Aos portugueses não resta nada para entregar ao Estado. Infelizmente para os arautos da eficiência dos mercados e da total liberdade destes, os assuntos relativos à alma e à metempsicose não têm interesse, caso contrário esse seria o próximo ataque.
Com efeito, só falta nos tirarem a alma, já que nos espoliaram do emprego, das perspectivas de futuro, da esperança e da dignidade. Só falta mesmo reclamarem a alma. Caso essa ainda venha a ser uma ideia interessante, pede-se que consultem políticos, designadamente aqueles pertencentes ao arco do poder. Esses terão muito a ensinar na precisa medida que já abdicaram da sua alma há muito tempo.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Desunião Europeia
Agora a propósito do orçamento comunitário, a desunião volta a dar lugar
ao consenso. Alguns países, com a França à cabeça pugnam por um aumento
de cinco por cento do orçamento comunitário, outros, como a Alemanha
prefere um aumento menor e outros ainda advogam o congelamento, como é o
caso do Reino Unido, já conhecido pelo "opt in" e "opt out".
O ambicioso projecto europeu sai fragilizado a cada dia que passa, esta desunião em torno do orçamento é apenas mais um sinal da falência de um projecto tão promissor.
As lideranças europeias, institucionais, são meros acessórios e as lideranças de cada Estado-membro não passam disso mesmo, de lideranças nacionais que defendem os interesses nacionais (e não só, mas essa já é outra questão que não interessa discutir agora). Por outro lado, muitos ralham perante a inexistência de pão ou perante o mero vislumbre da inexistência de pão.
A elaboração de um orçamento comunitário mais robusto, a uniformização fiscal, a existência de um banco central que livre os Estados das grilhetas dos bancos, o combate às assimetrias sociais, designadamente no que diz respeito ao emprego e a aproximação das instituições comunitárias aos cidadãos, longe da tecnocracia aliada ao neoliberalismo, são essenciais para que o projecto europeu deixe de ser um mero projecto e se concretize. Infelizmente, ainda estamos muito longe disso.
O ambicioso projecto europeu sai fragilizado a cada dia que passa, esta desunião em torno do orçamento é apenas mais um sinal da falência de um projecto tão promissor.
As lideranças europeias, institucionais, são meros acessórios e as lideranças de cada Estado-membro não passam disso mesmo, de lideranças nacionais que defendem os interesses nacionais (e não só, mas essa já é outra questão que não interessa discutir agora). Por outro lado, muitos ralham perante a inexistência de pão ou perante o mero vislumbre da inexistência de pão.
A elaboração de um orçamento comunitário mais robusto, a uniformização fiscal, a existência de um banco central que livre os Estados das grilhetas dos bancos, o combate às assimetrias sociais, designadamente no que diz respeito ao emprego e a aproximação das instituições comunitárias aos cidadãos, longe da tecnocracia aliada ao neoliberalismo, são essenciais para que o projecto europeu deixe de ser um mero projecto e se concretize. Infelizmente, ainda estamos muito longe disso.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Grécia devastada
A reunião entre o FMI e os ministros das Finanças da Zona Euro no
sentido de chegarem a acordo sobre a redução da dívida pública grega
redundou num falhanço. Aparentemente, tudo ficou adiado para a próxima
segunda-feira.
A premissa é também aparentemente simples: a Grécia precisa da libertação de 44 milhões de euros caso contrário entrará em bancarrota.
Este é mais um desacordo em torno de uma economia devastada pertencente a um país que retrocedeu décadas. Volta-se a insistir na tese da ajuda e recusa-se constatar as evidências do falhanço da receita aplicada na Grécia. Para muitos dos intervenientes na reunião que juntou as sumidades do FMI e das finanças europeias, a Grécia é um caso perdido.
O facto é que a economia grega encontra-se completamente devastada e os planos designados de "ajuda" contribuem indelevelmente para que o grau de destruição não cesse de aumentar. Tudo para que a Grécia se mantenha no Euro, quando já muitos questionam se valerá a pena.
A premissa é também aparentemente simples: a Grécia precisa da libertação de 44 milhões de euros caso contrário entrará em bancarrota.
Este é mais um desacordo em torno de uma economia devastada pertencente a um país que retrocedeu décadas. Volta-se a insistir na tese da ajuda e recusa-se constatar as evidências do falhanço da receita aplicada na Grécia. Para muitos dos intervenientes na reunião que juntou as sumidades do FMI e das finanças europeias, a Grécia é um caso perdido.
O facto é que a economia grega encontra-se completamente devastada e os planos designados de "ajuda" contribuem indelevelmente para que o grau de destruição não cesse de aumentar. Tudo para que a Grécia se mantenha no Euro, quando já muitos questionam se valerá a pena.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Previsões
Sendo certo que 2013 será caracterizado como annus horribilis,
o Governo reviu em baixa o crescimento para o ano de 2014, o ano da
retoma. Ou seja, em 2014 o crescimento será anódino, num valor abaixo de um por cento. A taxa de desemprego também baixará, segundo as
previsões do Executivo de Passos Coelho.
Para 2013, a expectativa do Governo passa por uma recessão de um por cento. Provavelmente só Vítor Gaspar terá expectativas tão lisonjeiras para o ano que se avizinha.
As previsões do Governo têm tido o condão de ficarem distantes da realidade nada indica que estas sejam particularmente diferentes.
O que também se prevê é um cerceamento das funções do Estado Social e o mais do que provável despedimento de funcionários públicos, sendo também expectável que esse despedimento (provavelmente terá outra designação que não esta) não incidirá sobre as hierarquias mais elevadas que pululam na Administração Central, designadamente nas empresas públicas, municipais e afins.
Para 2013, a expectativa do Governo passa por uma recessão de um por cento. Provavelmente só Vítor Gaspar terá expectativas tão lisonjeiras para o ano que se avizinha.
As previsões do Governo têm tido o condão de ficarem distantes da realidade nada indica que estas sejam particularmente diferentes.
O que também se prevê é um cerceamento das funções do Estado Social e o mais do que provável despedimento de funcionários públicos, sendo também expectável que esse despedimento (provavelmente terá outra designação que não esta) não incidirá sobre as hierarquias mais elevadas que pululam na Administração Central, designadamente nas empresas públicas, municipais e afins.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Conflito israelo-palestiniano
O conflito israelo-palestiniano volta a estar acesso, com o
bombardeamento de Gaza e com a possibilidade de uma investida terrestre,
depois de Israel ter sofrido o ataque de 500 rockets lançados contra as
suas principais cidades.
Israel justifica a operação militar com os ataques sofridos oriundos de Gaza. Em Gaza, foge-se dos bombardeamentos como se pode. Pelo caminho, as vítimas que enchem os ecrãs de televisão não parecem muito diferentes daquelas que ocupavam os mesmos ecrãs num qualquer outro período crítico do conflito.
Por outras palavras, assistimos ao reacender de um conflito que continua longe de ser sanado, caracterizado por actos reiterados - de ambas as partes - de desumanidade.
Podemos criticar o lado israelita ou optar pela crítica ao Hamas e ao terrorismo, mas no fim de contas, são invariavelmente os mesmos a quem cabe o papel de vítima.
Este é um conflito cuja resolução continua a ser adiada; este é um conflito que dificilmente conhecerá um fim enquanto se insistir na impossibilidade da existência de um Estado Palestiniano e enquanto se considerar que alguns actos são legítimos quando estão muito longe de o ser.
Israel justifica a operação militar com os ataques sofridos oriundos de Gaza. Em Gaza, foge-se dos bombardeamentos como se pode. Pelo caminho, as vítimas que enchem os ecrãs de televisão não parecem muito diferentes daquelas que ocupavam os mesmos ecrãs num qualquer outro período crítico do conflito.
Por outras palavras, assistimos ao reacender de um conflito que continua longe de ser sanado, caracterizado por actos reiterados - de ambas as partes - de desumanidade.
Podemos criticar o lado israelita ou optar pela crítica ao Hamas e ao terrorismo, mas no fim de contas, são invariavelmente os mesmos a quem cabe o papel de vítima.
Este é um conflito cuja resolução continua a ser adiada; este é um conflito que dificilmente conhecerá um fim enquanto se insistir na impossibilidade da existência de um Estado Palestiniano e enquanto se considerar que alguns actos são legítimos quando estão muito longe de o ser.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Pedras e pedradas
Sublinho desde logo que não sou apologista de manifestações que envolvam
exercícios de violência como aquele que se verificou na passada
quarta-feira junto à Assembleia da República. O arremesso de pedras à
polícia é contra-producente e afasta os cidadãos que querem protestar
pacificamente.
Todavia, também não perfilho a opinião de muitos, em particular daqueles que têm espaço nos jornais e tempo de antena, e que afirmam e reafirmam o comportamento exemplar das forças de segurança. Um comportamento que se traduziu amiúde em violência gratuita contra cidadãos que se manifestam pacificamente. Importa acrescentar que muitos daqueles que estavam junto à Assembleia da República não ouviram as indicações da polícia para dispersar e que se não o fizessem passariam a ser considerados cidadãos desordeiros.
Estas são as pedras que ainda dão que falar, o que permite que muitos se esqueçam das pedradas que os Portugueses têm levado, no sentido figurado, nos seus orçamentos; o que permite esquecer a pedrada que o Estado Social está a levar e continuará a levar; o que permite esquecer a pedrada que os trabalhadores têm levado nos seus direitos. Estas são as pedradas que convêm esquecer; as outras lembrar-nos-emos sempre. A comunicação social faz questão de contribuir para essas reminiscências. Tudo em nome de "calhaus" que nos garantem que tudo vai correr bem, contrariamente às evidências que tudo está mal.
Todavia, também não perfilho a opinião de muitos, em particular daqueles que têm espaço nos jornais e tempo de antena, e que afirmam e reafirmam o comportamento exemplar das forças de segurança. Um comportamento que se traduziu amiúde em violência gratuita contra cidadãos que se manifestam pacificamente. Importa acrescentar que muitos daqueles que estavam junto à Assembleia da República não ouviram as indicações da polícia para dispersar e que se não o fizessem passariam a ser considerados cidadãos desordeiros.
Estas são as pedras que ainda dão que falar, o que permite que muitos se esqueçam das pedradas que os Portugueses têm levado, no sentido figurado, nos seus orçamentos; o que permite esquecer a pedrada que o Estado Social está a levar e continuará a levar; o que permite esquecer a pedrada que os trabalhadores têm levado nos seus direitos. Estas são as pedradas que convêm esquecer; as outras lembrar-nos-emos sempre. A comunicação social faz questão de contribuir para essas reminiscências. Tudo em nome de "calhaus" que nos garantem que tudo vai correr bem, contrariamente às evidências que tudo está mal.
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