quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Grécia devastada

A reunião entre o FMI e os ministros das Finanças da Zona Euro no sentido de chegarem a acordo sobre a redução da dívida pública grega redundou num falhanço. Aparentemente, tudo ficou adiado para a próxima segunda-feira.
A premissa é também aparentemente simples: a Grécia precisa da libertação de 44 milhões de euros caso contrário entrará em bancarrota.
Este é mais um desacordo em torno de uma economia devastada pertencente a um país que retrocedeu décadas. Volta-se a insistir na tese da ajuda e recusa-se constatar as evidências do falhanço da receita aplicada na Grécia. Para muitos dos intervenientes na reunião que juntou as sumidades do FMI e das finanças europeias, a Grécia é um caso perdido.
O facto é que a economia grega encontra-se completamente devastada e os planos designados de "ajuda" contribuem indelevelmente para que o grau de destruição não cesse de aumentar. Tudo para que a Grécia se mantenha no Euro, quando já muitos questionam se valerá a pena.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Previsões

Sendo certo que 2013 será caracterizado como annus horribilis, o Governo reviu em baixa o crescimento para o ano de 2014, o ano da retoma. Ou seja, em 2014 o crescimento será anódino, num valor abaixo de um por cento. A taxa de desemprego também baixará, segundo as previsões do Executivo de Passos Coelho.
Para 2013, a expectativa do Governo passa por uma recessão de um por cento. Provavelmente só Vítor Gaspar terá expectativas tão lisonjeiras para o ano que se avizinha.
As previsões do Governo têm tido o condão de ficarem distantes da realidade nada indica que estas sejam particularmente diferentes.
O que também se prevê é um cerceamento das funções do Estado Social e o mais do que provável despedimento de funcionários públicos, sendo também expectável que esse despedimento (provavelmente terá outra designação que não esta) não incidirá sobre as hierarquias mais elevadas que pululam na Administração Central, designadamente nas empresas públicas, municipais e afins.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Conflito israelo-palestiniano

O conflito israelo-palestiniano volta a estar acesso, com o bombardeamento de Gaza e com a possibilidade de uma investida terrestre, depois de Israel ter sofrido o ataque de 500 rockets lançados contra as suas principais cidades.
Israel justifica a operação militar com os ataques sofridos oriundos de Gaza. Em Gaza, foge-se dos bombardeamentos como se pode. Pelo caminho, as vítimas que enchem os ecrãs de televisão não parecem muito diferentes daquelas que ocupavam os mesmos ecrãs num qualquer outro período crítico do conflito.
Por outras palavras, assistimos ao reacender de um conflito que continua longe de ser sanado, caracterizado por actos reiterados - de ambas as partes - de desumanidade.
Podemos criticar o lado israelita ou optar pela crítica ao Hamas e ao terrorismo, mas no fim de contas, são invariavelmente os mesmos a quem cabe o papel de vítima.
Este é um conflito cuja resolução continua a ser adiada; este é um conflito que dificilmente conhecerá um fim enquanto se insistir na impossibilidade da existência de um Estado Palestiniano e enquanto se considerar que alguns actos são legítimos quando estão muito longe de o ser.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pedras e pedradas

Sublinho desde logo que não sou apologista de manifestações que envolvam exercícios de violência como aquele que se verificou na passada quarta-feira junto à Assembleia da República. O arremesso de pedras à polícia é contra-producente e afasta os cidadãos que querem protestar pacificamente.
Todavia, também não perfilho a opinião de muitos, em particular daqueles que têm espaço nos jornais e tempo de antena, e que afirmam e reafirmam o comportamento exemplar das forças de segurança. Um comportamento que se traduziu amiúde em violência gratuita contra cidadãos que se manifestam pacificamente. Importa acrescentar que muitos daqueles que estavam junto à Assembleia da República não ouviram as indicações da polícia para dispersar e que se não o fizessem passariam a ser considerados cidadãos desordeiros.
Estas são as pedras que ainda dão que falar, o que permite que muitos se esqueçam das pedradas que os Portugueses têm levado, no sentido figurado, nos seus orçamentos; o que permite esquecer a pedrada que o Estado Social está a levar e continuará a levar; o que permite esquecer a pedrada que os trabalhadores têm levado nos seus direitos. Estas são as pedradas que convêm esquecer; as outras lembrar-nos-emos sempre. A comunicação social faz questão de contribuir para essas reminiscências. Tudo em nome de "calhaus" que nos garantem que tudo vai correr bem, contrariamente às evidências que tudo está mal.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Greve Geral II


Para além dos números da adesão à greve geral e das divergências habituais em torno desses números, importa sublinhar as mensagens que esta greve passou. De resto, a greve foi a expressão do descontentamento daqueles trabalhadores que puderam fazer greve, não esquecendo que muitos não puderam aderir, pelas mais variadas razões. Tratou-se de um exercício de manifestação do descontentamento de trabalhadores, pensionistas, desempregados que se insurgem contra a desvalorização do custo do trabalho, a aniquilação do Estado Social, o retrocesso social imposto quer por estas vias, quer pela via de um estrangulamento fiscal sem precedentes que se avizinha.
Não deixa de ser curioso ver o primeiro-ministro elogiar quem não fez greve e foi trabalhar. Esquece-se o primeiro-ministro que muitos gostariam de ter aderido ao protesto, mas não o puderam fazer por razões que todos conhecemos. O Presidente da República, por sua vez, não se coibiu de referir que também estava a trabalhar, quando nós pensávamos que Cavaco Silva se tinha perdido para sempre no Facebook. Frases infelizes proferidas por quem ainda se mantém inacreditavelmente no poder.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Greve Geral

A greve é uma forma de protesto e é legítimo encontrar-se e fazer-se a apologia de outras formas de protesto. De facto, existe uma multiplicidade de razões que justificam a greve de amanhã. A investida que tem sido feita contra quem trabalha é por demais evidente, embora ainda não exista a percepção generalizada das penalizações a que os trabalhadores estarão sujeitos em 2013.
Com efeito, é fácil encontrar-se razões para a mobilização dos trabalhadores sob a forma de greve geral. Quanto à eficácia das greves, a discussão acaba por ser mais abrangente, embora nessa discussão não se deva descurar a importância que esta forma de luta teve no passado, contribuindo decisivamente para o reforço dos direitos dos trabalhadores.
Hoje assiste-se a um retrocesso sem paralelo, quer em matéria de direitos dos trabalhadores, quer no que diz respeito ao retrocesso que se antevê ainda mais acentuado no que diz respeito ao Estado Social.
Assim, são inúmeras as razões que justificam a adopção de várias formas de luta, a greve é uma delas. Todavia, haverá muitos que embora vejam todo o sentido na greve de amanhã, estarão impossibilitados de aderir, por várias razões: precariedade, pouca adesão no local de trabalho, a perda de um dia de trabalho e subsequentemente o emagrecimento do salário.
Caminhamos a passos largos para o abismo. Haverá quem ainda se recuse ver essa evidência. Para o ano, daremos mais um passo nesse sentido.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A visita


A tão badalada visita da chanceler Alemã Angela Merkel fica desde logo marcada pelo aparato sem precedentes. A capital não se livrou hoje de restrições inusitadas em nome da segurança de alguém que só é bem-vinda aos olhos de quem nos governa.
Paradoxalmente, a crise, sempre a crise, não se nota nos preparativos para a recepção da chanceler Alemã. Para se garantir uma segurança inexpugnável e o máximo de conforto não se olhou a despesas.
A visita é curta. Ainda bem. Angela Merkel também não precisa de mais para falar com os seus representantes do protectorado e para reforçar que quem manda é ela.
Felizmente para nós, Merkel só vai estar em Portugal umas meras seis horas. Infelizmente para nós, não podemos dizer o mesmo do Governo que se mantém em funções por tempo indeterminado.