quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tanto queremos fugir da Grécia...

Não há alma neste país que não refira o perigo de cairmos na situação grega. Um dos membros da elite financeira, Fernando Ulrich, o mesmo que acha que aguentamos mais austeridade (uma austeridade que nunca entrou pela sua casa adentro) é um bom exemplo de uma alma chocada com o facto de haver pessoas responsáveis que nos estão a levar para a situação grega. É paradoxal.
Seja como for, o distanciamento que se quer da Grécia está muito longe de ser uma realidade. Na verdade, estamos mais perto da Grécia do que esses senhores fazem supor. Estamos muito perto de precisar de um segundo resgate, estamos muito perto de não termos economia para reconstruir, estamos muito perto...
A reestruturação da dívida não é equacionada pelo Governo e pelos seus apoiantes (muitos deles pertencentes à tal elite financeira). Quando essa possibilidade for equacionada pode ser que já seja tarde demais. Entretanto, cabe aos cidadãos perceberam que este Governo está a conduzir-nos a um ponto de difícil retorno, e agir em conformidade.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Reforma ambiciosa do Estado

É este o desejo de Pedro Passos Coelho e para a tal reforma "ambiciosa" do Estado espera contar com o apoio do Partido Socialista. Será interessante perceber de que reforma é que Passos Coelho estará a pensar e de que modo essa mesma reforma afectará aquilo que é designado por Estado Social, considerado oneroso e dispensável pelos arautos da ideologia dominante, como é o caso do próprio primeiro-ministro.
Resta também perceber se essa dita reforma implica ou não uma mudança na Constituição. De uma coisa podemos estar certos: a altura certa para se levar a cabo mudanças de fundo nas funções do Estado é esta que estamos a viver. Em nome da crise tudo é inevitável, tudo é imprescindível.
Recomenda-se prudência, o que não significa a impossibilidade dos assuntos serem discutidos. O que é indiscutível é que uma reforma do Estado, proposta pelo actual Governo que chafurda no neoliberalismo, deve ser sempre olhada com desconfiança. A verdade é que o actual Governo, cego pela ideologia, tem dado provas em como está mais interessado em resolver os interesses de uma minoria em detrimento dos interesses que deveria salvaguardar e defender.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Refundação

Nas jornadas parlamentares de PSD e CDS, o primeiro-ministro falou da necessidade de uma refundação do acordo com a Troika, tendo como objectivo uma profunda reforma do Estado. As palavras do primeiro-ministro deixaram mais dúvidas do que certezas e o oráculo de domingo (o ilustre Professor Marcelo Rebelo de Sousa) já afirmou que falar em refundação "é um erro monumental".
É evidente que o que Pedro Passos Coelho quer é reduzir ainda mais as funções do Estado, para tal será necessário "refundar" o acordo com a Troika.
Recusa-se, deste modo, qualquer renegociação com vista a aligeirar as doses cavalares de austeridade, não é esse o objectivo. Trata-se antes de encontrar formas de reduzir o Estado a funções mínimas, pondo em causa, naturalmente, o Estado Social.
É também evidente que se aguarda por mais explicações do primeiro-ministro, ficando-se no entanto sem saber se essas explicações alguma vez chegarão aos ouvidos dos Portugueses. Existe uma probabilidade maior de serem membros das instituições europeias ou responsáveis políticos alemães a terem acesso às mesmas explicações.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desemprego

Por cá corta-se nos mais baixos valores do já parco subsídio de desemprego, em Espanha, o desemprego (o que é expresso em números oficiais) bate recordes, ultrapassando os 25 por centro. Na Grécia, a situação não é particularmente mais animadora. No caso espanhol a taxa de desemprego tem estado acima da média europeia, mesmo antes da crise e das medidas draconianas para combater as "irresponsabilidades" dos países. Seja como for, essa mesma taxa de desemprego atinge agora valores insuportáveis.
Com efeito, o desemprego não é uma prioridade para a União Europeia. Prioridade é pôr em marcha as premissas da ideologia dominante, com a liderança mais ou menos tácita da Alemanha. O desemprego é um efeito do cumprimento dessas mesmas premissas.
O desemprego em Portugal atinge também valores inimagináveis há escassos anos atrás. Mas por aqui tudo é mais claro:quem tem o "privilégio" de receber subsídio, mesmo sendo esse subsídio baixo, verá o valor baixar enquanto desespera à procura de emprego. Aos outros, os que não têm subsídio, os que procuram o primeiro emprego e até a alguns que trabalham, resta-lhes emigrar. Conselho do próprio primeiro-ministro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Atacar os mais fracos

O que dizer de um Estado que se prepara para atacar as franjas da população que já se encontram em situação fragilizada? O que dizer de um Governo que corta nos subsídios de desemprego mais baixos? Em rigor, adjectivos não faltarão para caracterizar quem, em nome de compromissos externos, falha deliberadamente os compromissos internos com a sua população, em particular com o vasto número de pessoas que já se encontram na pobreza.
Ontem o ministro da Segurança Social afirmou que o Governo ia recuar na intenção de aplicar cortes de dez porcento nos subsídios de desemprego mais baixos. No entanto, a esses subsídios será aplicada uma taxa de seis porcento. Ou seja, os subsídios de desemprego mais baixos sofrerão um corte. Ora um corte, mesmo de seis porcento, em valores que rondam os quatrocentos euros é simplesmente vergonhoso. Vergonha é coisa que este gente abjecta simplesmente não tem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Reestruturação da dívida

Reestruturação da dívida são palavras malfadadas para este Governo. Agora discute-se a existência de um plano B caso as medidas contempladas pelo Orçamento de Estado não surtam efeito (?); medidas essas que significam mais austeridade. Até a revista "The Economist" dá conta da inevitabilidade dessa solução agora que a dívida nacional chegou aos 200 mil milhões de euros.
O Executivo de Passos Coelho mantém-se irredutível quanto à mínima discussão sobre um renegociação ou reestruturação da dívida. A ideia passa pela aplicação de doses cavalares de austeridade sob o pretexto de se atingir metas que são, em bom rigor, intangíveis. As vítimas são as do costume: uma classe média próxima da extinção completa.
O adiar da reestruturação acabará por redundar na fragilização da economia e na tibieza das negociações dessa mesma reestruturação com a agravante de se ter devedores à mercê total dos seus credores. Nessa altura pouco restará da economia para se almejar qualquer vislumbre de desenvolvimento. Os coveiros do país têm nomes e todos os conhecemos. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Treinadores de bancada

Desde logo as analogias que pretendem colocar de um lado contextos futebolísticos e a o mundo da política não são particularmente do meu agrado, mas não posso deixar de parafrasear uma expressão que é tão comummente utilizada sempre que se fala de política e mais quando se discutem questões económicas.
Assim, não é raro ouvir-se a expressão em epígrafe para caracterizar aquelas mentes aparentemente incautas que opinam sobre assuntos que a todos dizem respeito. Mesmo depois das evidências que postulam a existência de políticas centradas na salvaguarda de interesses que não os nossos, interesses esses que colidem com os interesses da maioria. Em consequência, ainda ouvimos a expressão "treinadores de bancada" quando pretendemos opinar sobre essas matérias.
Tudo se complica quando a política se cruza com a economia. Aqui estas matérias devem ser discutidas apenas pelos especialistas. Pouco interessa saber se esses especialistas - os mesmos a quem é atribuído tanto tempo de antena e a quem são distribuídas tantas páginas de jornais - são os mesmos que impingem receitas comprovadamente falhadas - os arautos da ideologia dominante de Estado Social a mais, de salários demasiado elevados, da tese de se ter vivido acima das possibilidades, do pagamento dos compromissos externos do Estado, falhando esse mesmo Estado no cumprimento dos compromissos internos, os arautos do empobrecimento.
Esses serão os treinadores credenciados que vale a pena ouvir; aos outros credenciados ou nem por isso resta-lhes o silêncio e tentativas exaustivas de atribuição constante de atestados de incompetência e ignorância. Os assuntos comuns são, na óptica de muitos para serem discutidos por especialistas e políticos. Existe uma vasta multiplicidade de razões que explica a situação em que nos encontramos.