sexta-feira, 20 de julho de 2012

Manifestações em Espanha

As manifestações de descontentamento face às políticas de austeridade, com especial incidência nas últimas anunciadas pelo Governo de Mariano Rajoy têm sido recorrentes em Espanha. Ontem tiveram lugar oitenta manifestações, com milhares de Espanhóis a contestaram a austeridade.
As medidas anunciadas por Mariano Rajoy, como contrapartida ao resgate à banca, são onerosas para os Espanhóis e contraproducentes para a economia do país, exemplos de países que seguiram as mesmas políticas, cometeram os mesmos erros, não faltam.
De resto, a aplicação de medidas de austeridade que tem contado com a resignação dos cidadãos, embora a Grécia tenha dado exemplos em sentido contrário, será mais difícil no caso espanhol. Como exemplo diametralmente oposto temos o caso português onde se mistura a resignação e o desinteresse, resultando num estado de apatia ou até de rejeição da realidade verdadeiramente patológico.
Perante o retrocesso social a que temos assistido, muito em particular no último ano, a resposta dos Portugueses tem sido nula ou através de uma anuência subserviente. É por demais evidente que qualquer mudança virá forçosamente de fora do país.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Queda do regime

Os combates entre o regime sírio do Presidente Bashar al-Assad e as forças rebeldes do Exercito Livre estão a mostrar-se desvantajosas para o regime de al-Assad. Ontem o dia foi trágico para o ainda Presidente Sírio, as forças rebeldes conseguiram aniquilar quatro alto responsáveis do regime. Agora as notícias que chegam da Síria dão conta que os combates já se travam às portas do regime em Damasco.
A queda do regime de al-Assad poderá estar por dias ou semanas. Há mesmo informações que dão conta que a primeira dama já não se encontra em território sírio, mas antes na Rússia.
Infelizmente, as vítimas continuam a fazer-se entre o povo.
Por conseguinte, tudo indica que se trata apenas de uma questão de tempo até o regime cair. O dia seguinte da Síria é outra incógnita. Assim como desconhecemos o limite de Bashar al-Assad. Até onde poderá este homem ir para garantir a sobrevivência do regime?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Enfraquecimento do Estado Social

A pretexto da crise, da quase bancarrota do país - da qual Pedro Passos Coelho e os seus acólitos nos salvaram -, da insustentabilidade do sistema público, do facto dos privados conseguirem melhores níveis de eficácia, da mudança do mundo, e de outras presumíveis evidências, o Estado Social vai saindo enfraquecido.
Desta vez, o alvo são as urgências. Segundo um grupo de peritos, haverá doze urgências para fechar. A lógica insere-se quer na perspectiva economicista do que resta do Estado Social, quer na perspectiva de abertura de novos negócios na área da saúde. Quanto à qualidade de vida dos cidadãos, com especial incidência para quem vive no interior do país, essa questão simplesmente não se coaduna com as políticas de empobrecimento do Governo, sejam elas ou não suportadas por "peritos".
O que é facto é que tem sido graças ao Estado Social que as convulsões sociais em épocas de crise não foram significativas. Pense-se no que seria de muitos países se os mesmos fossem desprovidos de sistemas sociais nesta crise. Se a deterioração das condições de vida de muitos cidadãos europeus é bastante assinalável, imagine-se como seria essa deterioração sem uma rede de segurança social. O Governo português vai seguindo o caminho do enfraquecimento do Estado Social. As consequências poderão ser mais nefastas do que se espera.
Por enquanto o encerramento de doze urgências é apenas uma proposta, mas também é um proposta que se coaduna na perfeição com as políticas seguidas pelo Governo de Passos Coelho.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Para onde vai a Síria?

A violência na Síria medra a cada dia que passa. A revolta não cessa e a solução do regime passa pela mais abjecta repressão. Agora um diplomata Sírio que se afastou do regime de Bashar al-Assad afirma que o Presidente Sírio não coibirá de utilizar armas químicas se sentir encurralado pelo povo.
A situação não podia ser mais preocupante. A violência e a morte de civis são diárias. O regime de al-Assad mantém toda a intransigência, recusando abandonar o poder.
A comunidade internacional mostra toda a sua incapacidade em contribuir para a resolução do problema. A Rússia, tradicional aliado da Síria, mantém a sua posição de também tradicional bloqueio.
Entretanto, o sofrimento do povo sírio é inefável. Para onde vai a Síria? Não sabemos. Apenas conseguimos vislumbrar um futuro sombrio e um tempo presente muito difícil de suportar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ainda o caso Relvas

Tenho evitado discutir o caso da licenciatura de Relvas por considerar que não há muito a acrescentar. Com efeito, está tudo dito. A forma, ainda assim aparentemente legal, como o ainda ministro conseguiu a licenciatura raia o ridículo e só vem demonstrar as relações de influência entre algumas faculdades privadas e alguns políticos.
O caso da licenciatura mostra também o provincianismo de quem se acha alguém por possuir uma licenciatura. Num país em que o Sr. Dr merece reverências, situações como estas têm a sua lógica.
Mas o caso da licenciatura de Relvas mostra mais: mostra como passamos uma boa parte do nosso tempo a distrair-nos com minudências sem que daí advenham quaisquer resultados práticos. Ou seja, critica-se o ministro, percebe-se que se trata de alguém que não devia desempenhar as funções que desempenha, passamos semanas a opinar sobre o assunto, num misto de indignação e de bom-humor (não faltam anedotas sobre o assunto), ouvimos atentamente o oráculo de domingo e as consequências tardam, se é que alguma vez venham a chegar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Violência na Síria

Vários órgãos de comunicação social apelidam o último massacre na Síria, na província de Hama, como sendo o maior massacre na Síria desde o início da revolta. A comunicação social apenas faz eco das palavras de membros da oposição ao regime de Bashar al-Assad. Pelo menos 200 pessoas terão morridas, muitas executadas com um tiro na cabeça, outras fontes falam em três centenas de vítimas mortais. Segundo informações prestadas pela oposição ao regime sírio, uma mesquita terá sido bombardeada no momento em que muitos Sírios procuravam fugir do massacre
A comunidade internacional, designadamente a ONU, tem revelado uma acentuada incapacidade para encontrar caminhos para uma possível solução de paz.
A Rússia, país aliado de Bashar al-Assad, inviabiliza qualquer solução que ponha em causa o regime sanguinário.
A oposição ao regime sírio acusa a comunidade internacional de inacção e de ser co-responsável pelo massacre, à luz do que se conhece do que é a comunidade internacional e da sua forma de agir não se poderia esperar outra coisa. Não havendo interesses fortes na região, o problema não é particularmente inquietante para essa mesma comunidade internacional. Deixa-se a tarefa a um enviado das Nações Unidas com a sua diplomacia suave tenta resolver problemas incomensuráveis. O resultado está à vista.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Convulsão social

É o resultado directo da austeridade, do retrocesso social, da subserviência inexorável dos políticos aos mercados. do condicionamento de qualquer perspectiva de futuro. Imagens que chegam de Espanha, mineiros e cidadãos comuns em protesto. A repressão é a receita habitual e com as imagens de protesto chegam também imagens de violência, algumas particularmente dificeis de aceitar.
Espanha acentuou as suas medidas de austeridade com o objectivo claro de resgatar a banca. Assim, os Espanhóis vêem o IVA subir consideravelmente, os funcionários públicos perdem o subsídio de Natal, os subsídios de desemprego serão reduzidos, etc. Nada de novo, portanto. A receita é a da desgraça de outros povos, os resultados estão longe de serem positivos e as economias morrem lentamente.
Há contudo uma diferença: a convulsão social será maior em Espanha, no país onde nasceu o movimento Indignados.Por conseguinte, é muito provável que a Europa deixe de assistir à passividade dos Portugueses ou ao esmorecimento dos Gregos para assistir a uma verdadeira convulsão social num país que há escassos anos atrás servia de exemplo para muitos. Rajoy justifica-se com os erros do passado. Erros de quem? Da banca? Das conivências políticas com o sistema financeiro? A resposta não podia ser mais clara.