terça-feira, 17 de julho de 2012

Para onde vai a Síria?

A violência na Síria medra a cada dia que passa. A revolta não cessa e a solução do regime passa pela mais abjecta repressão. Agora um diplomata Sírio que se afastou do regime de Bashar al-Assad afirma que o Presidente Sírio não coibirá de utilizar armas químicas se sentir encurralado pelo povo.
A situação não podia ser mais preocupante. A violência e a morte de civis são diárias. O regime de al-Assad mantém toda a intransigência, recusando abandonar o poder.
A comunidade internacional mostra toda a sua incapacidade em contribuir para a resolução do problema. A Rússia, tradicional aliado da Síria, mantém a sua posição de também tradicional bloqueio.
Entretanto, o sofrimento do povo sírio é inefável. Para onde vai a Síria? Não sabemos. Apenas conseguimos vislumbrar um futuro sombrio e um tempo presente muito difícil de suportar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ainda o caso Relvas

Tenho evitado discutir o caso da licenciatura de Relvas por considerar que não há muito a acrescentar. Com efeito, está tudo dito. A forma, ainda assim aparentemente legal, como o ainda ministro conseguiu a licenciatura raia o ridículo e só vem demonstrar as relações de influência entre algumas faculdades privadas e alguns políticos.
O caso da licenciatura mostra também o provincianismo de quem se acha alguém por possuir uma licenciatura. Num país em que o Sr. Dr merece reverências, situações como estas têm a sua lógica.
Mas o caso da licenciatura de Relvas mostra mais: mostra como passamos uma boa parte do nosso tempo a distrair-nos com minudências sem que daí advenham quaisquer resultados práticos. Ou seja, critica-se o ministro, percebe-se que se trata de alguém que não devia desempenhar as funções que desempenha, passamos semanas a opinar sobre o assunto, num misto de indignação e de bom-humor (não faltam anedotas sobre o assunto), ouvimos atentamente o oráculo de domingo e as consequências tardam, se é que alguma vez venham a chegar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Violência na Síria

Vários órgãos de comunicação social apelidam o último massacre na Síria, na província de Hama, como sendo o maior massacre na Síria desde o início da revolta. A comunicação social apenas faz eco das palavras de membros da oposição ao regime de Bashar al-Assad. Pelo menos 200 pessoas terão morridas, muitas executadas com um tiro na cabeça, outras fontes falam em três centenas de vítimas mortais. Segundo informações prestadas pela oposição ao regime sírio, uma mesquita terá sido bombardeada no momento em que muitos Sírios procuravam fugir do massacre
A comunidade internacional, designadamente a ONU, tem revelado uma acentuada incapacidade para encontrar caminhos para uma possível solução de paz.
A Rússia, país aliado de Bashar al-Assad, inviabiliza qualquer solução que ponha em causa o regime sanguinário.
A oposição ao regime sírio acusa a comunidade internacional de inacção e de ser co-responsável pelo massacre, à luz do que se conhece do que é a comunidade internacional e da sua forma de agir não se poderia esperar outra coisa. Não havendo interesses fortes na região, o problema não é particularmente inquietante para essa mesma comunidade internacional. Deixa-se a tarefa a um enviado das Nações Unidas com a sua diplomacia suave tenta resolver problemas incomensuráveis. O resultado está à vista.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Convulsão social

É o resultado directo da austeridade, do retrocesso social, da subserviência inexorável dos políticos aos mercados. do condicionamento de qualquer perspectiva de futuro. Imagens que chegam de Espanha, mineiros e cidadãos comuns em protesto. A repressão é a receita habitual e com as imagens de protesto chegam também imagens de violência, algumas particularmente dificeis de aceitar.
Espanha acentuou as suas medidas de austeridade com o objectivo claro de resgatar a banca. Assim, os Espanhóis vêem o IVA subir consideravelmente, os funcionários públicos perdem o subsídio de Natal, os subsídios de desemprego serão reduzidos, etc. Nada de novo, portanto. A receita é a da desgraça de outros povos, os resultados estão longe de serem positivos e as economias morrem lentamente.
Há contudo uma diferença: a convulsão social será maior em Espanha, no país onde nasceu o movimento Indignados.Por conseguinte, é muito provável que a Europa deixe de assistir à passividade dos Portugueses ou ao esmorecimento dos Gregos para assistir a uma verdadeira convulsão social num país que há escassos anos atrás servia de exemplo para muitos. Rajoy justifica-se com os erros do passado. Erros de quem? Da banca? Das conivências políticas com o sistema financeiro? A resposta não podia ser mais clara.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estado da Nação

Numa altura em que se discute o Estado da Nação chega-se à triste conclusão que o país atravessa uma espécie de morte lenta. As doses cavalares de austeridade vão matando a economia sem que no horizonte se vislumbre uma recuperação.
Discute-se a possibilidade de um alargamento do prazo num momento em que se percebe que a execução orçamental está em risco. A meta do défice para este ano começa a parecer irrealista. Nos partidos da oposição já se tinha feito referência à importância do alargamento do prazo para cumprir as metas impostas pelas instâncias internacionais. O Governo, no alto da sua sabedoria e deleitado com a receita neoliberal sempre recusou essa possibilidade. Parece que mais uma vez a realidade é mais forte do que a teimosia do Governo.
Seja como for, o Estado da Nação piora a cada ano que passa.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Mais um ano

Espanha conseguiu mais um ano para corrigir o seu défice. Em Portugal, o Governo sempre recusou a possibilidade de conseguir um alargamento do prazo, embora agora se oiçam vozes no PSD a referir essa possibilidade. O Governo português insiste na tese da continuação dos sacrifícios, imune à realidade que se consubstancia na morte lenta do país.
Em bom rigor, o alargamento do prazo por mais um ano para cumprir a meta estabelecida não resolve coisa alguma. A receita dá sinais de produzir resultados positivos na Irlanda, mas o contexto económico e o problema que levou ao pedido de resgate são particularmente diferentes de outros casos, como é o caso português.
Paralelamente, as premissas erradas permanecem. A estrutura da moeda única é frágil e deixa os Estados reféns da especulação. Enquanto essa situação se mantiver inalterada, a Europa vê o seu futuro comprometido.
Por outro lado ainda, a crise, embora penosa para a maior parte de nós, serve na perfeição os intentos de alguns. Há quem retire benefícios assinaláveis da famigerada crise, ou porque lucra directamente com a especulação, ou porque indirectamente beneficia de mão de obra mais barata - a oferta de emprego é escassa perante os exércitos de desempregados e a flexibilização das leis laborais faz o resto do trabalho, de privatizações e de oportunidades de negócio em áreas para as quais o Estado alega não ter dinheiro como é o caso da saúde.
Mais um ano não resolve os problemas de um Europa entregue à especulação, mas poderia eventualmente reduzir as doses cavalares de austeridade que estão a matar o país. Nós conseguimos a proeza de eleger um Governo exímio na aplicação dessas doses cavalares, e para isso não é precisa nenhuma licenciatura.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Inconstitucional

Foi este o veredicto do Tribunal Constitucional sobre a supressão dos subsídios de Natal e de Férias de funcionários públicos e pensionistas. Segundo o tribunal, foi posto em causa o princípio da igualdade dos cidadãos.
O primeiro-ministro foi peremptório na solução: alarga-se a medida a todos os cidadãos, trabalhadores do sector privado, público e pensionistas. Foi esta a sugestão de Pedro Passos Coelho.
O dia de ontem não ficaria completo sem a notícia que a inconstitucionalidade da supressão de subsídios apenas se aplica no ano de 2013. Este ano, mantém-se tudo na mesma, até porque o país vive uma situação de emergência. Dito por outras palavras, esqueçam a Constituição da República Portuguesa durante o ano de 2012.
Estas trapalhadas sem precedentes têm lugar num país entregue a uma agonia silenciosa. Por mais que nos pisem, continuamos sem reagir.