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Mensagens

As virtudes da paciência

As virtudes da paciência servem na perfeição dirigentes políticos que apostam na tese da inevitabilidade. Não sei se será tanto o caso de Pedro Passos Coelho que se lembrou de demonstrar compreensão pelos problemas dos cidadãos e elogiar a sua paciência. Porventura, Passos Coelho estará a confundir paciência com submissão e ausência de esperança mais própria da resignação do que da paciência de quem ainda espera dias auspiciosos.
Sendo ainda verdade que paciência também é sinónimo de resignação e sofrimento. E nestas acepções Pedro Passos Coelho é certeiro.
De resto, temos adoptado mais a postura da inércia - em relação a este Executivo como em relação a outros, nestas matérias como noutras - do que propriamente da paciência.
Todavia, essa inércia ou paciência como lhe chama o primeiro-ministro poderá não ser tão duradoura como se possa eventualmente esperar. Ninguém sabe até que ponto um povo aguenta sacrifícios, miséria, retrocesso social e aniquilação da esperança. Enquant…

Um ano de Governo

Não há qualquer razão para comemorações no dia em que se cumpre um ano de Governo, embora o Governo só tenha tomado posse no dia 21 deste mês. Um ano marcado pela aplicação da receita da Troika, com a constante ambição de ir ainda mais longe do que a receita que noutras circunstâncias tantas vezes falhou.
Um ano marcado pela tibieza do Governo, pelas tristes situações sem consequências envolvendo o núcleo duro do Executivo, designadamente o caso Relvas; um ano marcado pela total insensibilidade social, primeiro com recomendações aos jovens para que estes saiam do país, depois com comparações entre o desemprego e oportunidades e, finalmente, com a inatingível relação entre o desemprego e o "coiso". Um ano marcado pelas políticas neoliberais tão pouco consonantes com a própria democracia.
Um ano marcante para muitos cidadãos que saíram do país e outros que por cá ficam entregues à miséria e à mais inexorável ausência de esperança.
Finalmente, um ano de resignação de un…

Resgate

Agora é a vez do Chipre, na pessoa do Governador do Banco Central do país, poder solicitar apoio à União Europeia para recapitalizar a banca. Segundo o Governador do Banco Central Cipriota, a exposição da banca nacional à dívida grega estará na origem da descapitalização da banca nacional e de um eventual pedido de resgate.
Espanha evita a todo o custo chegar ao ponto de enveredar pelo mesmo caminho apontado pelo Governador do Banco Central Cipriota, não se sabe durante quanto tempo conseguirá a quarta maior economia da Zona Euro evitar o tal pedido de resgate.
Portugal, Grécia e Irlanda mantêm-se, por enquanto, os únicos países a socorrer-se de um resgate. Na Grécia, o desastre é total; em Portugal o empobrecimento grassa de dia para dia e a Irlanda continua a pagar juros altíssimos cada vez que se socorre dos mercados secundários.
A Europa, mantendo a mesma linha político-económica afunda-se. O modelo, em particular do Banco Central Europeu, nem sequer é posto em causa pelo…

Clima de chantagem

As democracias deixam de o ser, pelo menos na sua plenitude, quando os actos eleitorais decorrem em climas de chantagem ou pressões. Mesmo o referendo na Irlanda em que o tratado orçamental poderá (muito provavelmente) ser aprovado decorre num clima de chantagem. A questão é simples: ou os Irlandeses aceitam o tratado ou não poderão contar mais com a ajuda da UE.
Fosse como fosse, caso os Irlandeses chumbassem o tratado (o que não me parece que venha a ser o caso), haveria sempre a possibilidade de se fazer outro referendo... e outro... e outro, até o tratado ser aprovado.
O clima de chantagem também ensombra as eleições que vão ter lugar no na Grécia, no dia 17 de Junho. Não tenho quaisquer dúvidas que se a Nova Democracia vencer as eleições deve-o ao clima de chantagem a que os cidadãos Gregos estão sujeitos.
Ora, este enfraquecimento das democracias - particularmente doloroso no caso da Grécia - acabará inevitavelmente por enfraquecer a própria Europa. Sabemos que Angela M…

Os elogios

Não há ainda razão para cantar vitória, mas a agência de notação financeira Moody's e um ministro Holandês fizeram elogios cautelosos ao progresso da economia portuguesa.
A Moody's cuja preponderância, a par das outras agências, é excessiva, a mesma que concedia notações elevadas à Islândia, por exemplo, e à outrora sofisticação financeira que de um dia para o outro se transformou em produtos tóxicos. O ministro holandês de um país, cujos responsáveis políticos não se coibiam de dar lições de moral aos países do sul, mas cujo défice ultrapassou a barreira dos três por cento.
Os elogios são contidos, mas nem por isso deixam de ser elogios que esbarram na triste realidade de muitos cidadãos que assistem a um retrocesso social sem paralelo.
Por outro lado, existe a Grécia, o Estado pária que sofre chantagens dos mercados, das instituições europeias e das pseudo-democracias ou Estados-membros da UE. Uns merecem elogios, os outros reprimendas e até comentários ofensivos,…

O rídiculo

Christine Lagarde, directora do FMI, disse estar mais preocupada com as crianças do Niger do que com os pobres na Grécia. Afinal de contas os Gregos, segundo Lagarde, fogem aos seus impostos. Segundo as declarações simplistas e simplórias da directora do FMI, os Gregos estão a atravessar as dificuldades que todos conhecem por não pagar os seus impostos e, por conseguinte, não merecem a sua compreensão.
Ora, as declarações desta senhora provocaram um coro de protestos na Grécia, mas também no seu país de origem. É novamente o processo de culpabilização da Grécia.
Curiosamente, nas tais declarações, Lagarde esquece-se do papel do seu FMI na crise grega e nas ditas crises da dívidas soberanas, a participação da Goldman Sachs na falsificação das contas gregas, a receita desastrosa de que é apologista e que está a destruir o pais e a Europa. Além do mais, esquece-se que muitos gregos pagam uma carga fiscal incomportável. Todas as generalizações são, por natureza, abusivas.
Mas a ce…

A difícil situação espanhola

Os principais líderes europeus, preocupados com o resultado que sairá das próximas eleições gregas, têm entre mãos um problema ainda mais grave: a situação espanhola.
Espanha, até à bem pouco tempo, era considerada por muitos um exemplo a seguir, inclusivamente no que diz respeito aos seus níveis de endividamento que continuam a estar longe dos valores alcançados por outros países da zona Euro.
Hoje constitui um problema. A bolha imobiliária e a fragilidade do seu sector bancário são problemas sem solução à vista. O Estado espanhol vai agora injectar - dinheiro dos contribuintes - 19 mil milhões de euros no banco Bankia, dinheiro que agravará a situação das contas públicas espanholas. A questão é a de saber até quando os cidadãos - muitos não escondem o seu acentuado descontentamento - aceitarão este misto de austeridade e de injecção de dinheiros públicos em bancos.
De qualquer modo, o que é certo que é o Estado espanhol tem dificuldades crescentes em se financiar e as famig…