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Mensagens

Ir para a rua

Nem de propósito, o secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, disse em entrevista que estava disposto a ir para a rua caso o Governo ponha em causa as funções sociais. O líder do PS tem já amanhã, dia 12 de Maio, uma oportunidade de ouro de ir para a frente de uma manifestação, desta vez global, isto porque o Governo já está a pôr em causa as funções do Estado.
O Executivo de Passos Coelho, escondido invariavelmente no memorando da Troika e na teoria da inevitabilidade, tem continuamente posto em causa as tais funções sociais de que Seguro falou. É assim na Saúde, com cortes substanciais e taxas moderadoras que nada fazem pelo pretenso equilíbrio do SNS, apenas afastam quem necessita de serviços médicos; é assim na educação e ensino superior - são muitos os que abandonam os estudos por dificuldades económicas; e será brevemente assim na Segurança Social com pretensões de privatizar, descapitalizando o sistema e voltando a engordar os do costume.
A isto ac…

Ainda o 1º de Maio

O presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, em entrevista a um canal de televisão rejeitou a prática de dumping e assegurou que este tipo de promoções (de cinquenta por cento) não se voltarão a repetir. Até aqui, não há muitos comentários a fazer, o presidente do grupo tem naturalmente direito a fazer a sua defesa. Resta, porém, saber se não houve lugar à prática de dumping. Compete à entidade reguladora e fiscalizadora investigar e chegar às suas conclusões.
Todavia, Alexandre Soares dos Santos, afirmou não ver qual o problema da mesma campanha se ter realizado no primeiro de Maio, insurgindo-se mesmo contra aqueles que se inquietaram com o facto. Acrescentou também que a campanha do Pingo Doce retirou visibilidade ao dia. Ora, não é seguramente uma campanha de um supermercado medíocre que retira visibilidade ao primeiro de Maio, o que eventualmente terá dado visibilidade ao Pingo Doce terá sido a selvajaria que se instalou nos seus supermercados…

O impasse grego

A situação na Grécia, após as eleições de Domingo, permanecem pouco claras. O segundo partido mais votado, não obstante o bónus de deputados atribuído ao primeiro mais votado, continua em negociações com vista à formação de um Governo.
Porém, tudo indica que a Grécia vai passar por novas eleições e o próprio líder do partido incessantemente caracterizado como sendo de esquerda radical - o Syrisa - também parece agir em conformidade.
O incómodo para a Europa é notório. Desde logo o impasse, depois a possibilidade, embora remota, de um partido que pretende romper com as políticas advogadas pelos principais líderes europeus inquieta quem não se coíbe de insistir na inevitabilidade. A vitória de Hollande em França também não contribuiu para apaziguar aquelas almas que dirigem a Alemanha e se passeiam pelas instituições europeias.
O impasse grego acabará por redundar na convocação de novas eleições. A tarefa do Syrisa não é fácil - o partido comunista grego, agarrado a uma ortodox…

Instabilidade política na Grécia

Uma das consequências notórias da crise económica e social que assola fortemente a Grécia é a inexistência de estabilidade política. Das eleições realizadas no passado domingo não saiu, tal como se esperava, qualquer maioria e o partido mais votado - Nova Democracia - já afastou a possibilidade de conseguir reunir consensos para governar. Resta assim, o segundo partido mais votado - o inesperado Syrisa que tenta negociar com outros partidos no sentido de formar uma coligação. As probabilidades de o conseguir são escassas.
A possibilidade da convocação de novas eleições ganha assim forma. Seria preferível. no entanto, que desta mais recente negociação saísse uma coligação com capacidade para governar. Seja como for, a democracia nem sempre é sinónimo de estabilidade ou da estabilidade que mais convém. Algumas características do sistema eleitoral grego talvez também merecessem revisão.
De qualquer modo, não restem dúvidas que estas incertezas e a mera possibilidade da esquerd…

Eleições

Embora a democracia esteja longe de se esgotar no acto eleitoral, é sempre de louvar assistir a actos eleitorais que enriquecem a vida democrática. Foi precisamente a isso que se assistiu este domingo, em França e na Grécia. Os resultados esses merecem uma análise mais profunda.
No caso francês, a vitória esperada de François Hollande deixa antever alguma mudança na política francesa com claro impacto no contexto europeu. A dúvida reside no carácter afoito de Hollande e se este não sucumbirá à timidez das medidas, o que se poderá traduzir na não concretização do seu programa político. Seja como for, acredito na timidez dessas medidas, mas conservo alguma esperança que ainda assim, esta mudança traga claros benefícios para a Europa. Pelo menos o directório franco-alemão deixará de contar com a pujança dos tempos mais recentes.
Ainda em relação ao caso francês. importa olhar para o panorama da direita, agora com a saída anunciada de Sarkozy. Especialmente atente-se à subida …

Entrega da casa

Na auge da voracidade, banca, empresas construtoras atiraram-se aos cidadãos/clientes mais incautos como cães esfaimados. O crédito jorrava, as avaliações era megalómanas, construía-se como se não houvesse amanhã. Tudo isto foi permitido porque a classe política nas últimas décadas decidiu ser conivente com uma situação que mais dia menos dia atingiria um ponto de insustentabilidade.
Pelo caminho o mercado de arrendamento - sempre pouco dinâmico - nunca foi olhado com a atenção que merecia por quem toma as decisões políticas. O resultado está à vista: um mercado que se divide em rendas ridiculamente baixas e rendas escandalosamente altas, isto num contexto de acentuada degradação que destrói a beleza das cidades portuguesas.
Agora coloca-se a possibilidade de as famílias poderem entregar as casas aos bancos. Os níveis de incumprimento batem recordes todos os dias, deixando visível que está na hora de pagar a tal voracidade acima referida. Os bancos - principais responsáveis …

A miséria

A miséria mostra-se de várias formas. A mais evidente é aquela que implica a incapacidade de suprimir necessidades básicas. A mesma que terá levado muitos cidadãos a deslocarem-se a um conhecido grupo de supermercados para adquirir bens que lhes permitam suprimir essas necessidades durante meses.
Mas a miséria também pode adquirir outras formas que dificilmente podem contar com a compreensão dos outros. A pior forma é a miséria de espírito própria de quem se apropria indevidamente de um dia em que se celebram conquistas sociais para fazer promoções e ainda se vangloriar de estar a prestar um serviço aos cidadãos, quando na verdade apenas os sujeita a situações degradantes.
O melhor exemplo deste tipo de miséria pode ontem ser visto na TVI, onde um responsável pelo famigerado grupo tentou explicar o inexplicável. Pejado de boas intenções, o tal responsável não foi capaz de reconhecer que toda a situação é humilhante e que representa uma verdadeira afronta por decorrer precis…