sexta-feira, 9 de março de 2012

O Perdão

O Governo grego anunciou que garantiu um perdão da dívida, num processo de reestruturação em que para a mesma o poder de decisão do Governo grego - governo fantoche que em nada dignifica a democracia e que pouco ou nada representa o povo grego - foi nulo.
Diz-se agora que o perdão significa o afastamento do fantasma da bancarrota. Dito assim, parece que a Grécia conseguiu um bom negócio, livrando-se de dívida que terá um menor impacto no PIB. Será conveniente ter, pelo menos, dúvidas quanto às vantagens que este acordo supostamente tem para a Grécia.
As informações que a comunicação social divulga são genéricas e não raras vezes enviesadas e com os representantes da UE também não podemos contar para detalhes que não passem pela linguagem convenientemente cifrada, que mais não é do que uma indicação de que estes assuntos aparentemente tão intrincados não são para os leigos, para o comum dos cidadãos. Aliás, quanto menos informação, menos risco de pensamento e de questionamento.
O perdão alegadamente tão necessário e tão profícuo para a Grécia deve ser encarado com prudência. E se há uma lição que os últimos anos nos têm mostrado é que nesta equação a banca nunca perde.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O fosso

Existe um fosso cujas dimensão aumenta de dia para dia. O aumento desse fosso contribuiu decisivamente para o enfraquecimento da democracia. Trata-se do fosso entre cidadãos e classe política. A descrença que os cidadãos sentem relativamente aos políticos generaliza-se e agrava-se com episódios como aquele que assistimos ontem no Parlamento.
O primeiro-ministro, em reposta aos deputados da oposição, ao invés de fazer a defesa das suas políticas limitou-se a intercalar as velhinhas acusações que recaem sobre o Governo anterior com risos que só podem exasperar qualquer cidadão.
Não houve momentos de seriedade que os assuntos determinam, apenas sobranceria e risos sarcásticos.
Ora, estes episódios são decisivos para o aumento do fosso entre quem elege e quem assume o papel de representante político. Paralelamente às dificuldades que muitos cidadãos atravessam, para além da perda notória de soberania, junta-se agora estas tristes figuras feitas por quem tem responsabilidades governativas.
O pior de tudo é que apesar do fosso, muitos continuam a acreditar que as soluções para o país venham dos partidos que há mais de trinta anos estão no poder. Não há vontade de mudança, apenas a ideia feita de que se deve tentar escolher entre o menos mau. Paradoxalmente, a dimensão do tal fosso aumenta.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ironias do destino

O Presidente Francês e candidato presidencial, Nicolas Sarkozy, filho de um emigrante Húngaro, afirma que há estrangeiros a mais em França. Se alguém com responsabilidades nestas matérias tivesse pensado da mesma forma há algumas décadas atrás, Sarkozy com toda a certeza nunca seria Presidente Francês, nem tão-pouco cidadão Francês.
O discurso colhe adeptos e serve para Sarkozy, atrás do candidato socialista nas sondagens, conseguir mais apoios e até chamar a atenção para a sua campanha. O discurso colhe adeptos num país onde a integração de estrangeiros falhou. Esse falhanço contribui para a popularidade de políticos populistas e inanes como é o caso do ainda Presidente Francês.
Infelizmente para ele, não me parece que esta seja a questão mais importante que poderá decidir o rumo da campanha. As questões económicas e da Europa dominarão a campanha e serão decisivas para escolha de um vencedor. Neste particular, Sarkozy está muito longe de reunir sucessos, tem a responsabilidade própria da Governação, a sua proximidade da Chanceler Merkel e das suas políticas desastrosas e o declínio da economia francesa. Estas serão as questões decisivas da campanha para as presidenciais francesas. Nesses aspectos, com mais ou menos estrangeiros, Sarkozy, o filho de um emigrante, sairá derrotado, Felizmente, acrescento.

terça-feira, 6 de março de 2012

Afinal está tudo bem

A crispação entre o ministro da Economia e o primeiro-ministro foi aparentemente sanada. Depois de uma reunião no dia em que alguns meios de comunicação social avançavam a hipótese de Santos Pereira deixar o cargo, tudo está bem. Muitos Portugueses terão respirado de alívio, afinal de contas o ilustríssimo ministro da Economia mantém-se no cargo e o Governo mantém-se unido.
A crispação havia sido o resultado de disputa sobre a gestão do QREN. O peso que o ministro das Finanças têm nas decisões sobre esses fundos terá contribuído para a tal crispação.
Mas afinal, e para o bem da Nação, está tudo bem. Álvaro Santos Pereira já disse que é tempo de agir, na sua incomensurável sapiência. É tempo para ir mais longe do que a Troika, é tempo para agudizar o retrocesso social, é o tempo do empobrecimento. É tempo de agir.
O certo é que todos respirámos de alívio quando fomos brindados com a boa nova: está tudo bem entre os membros deste digníssimo Executivo. Assim, o ministro da Economia continuará o seu honrado trabalho de promover pastéis de nata e sanitas e não podemos dizer que o homem não tem visão quando depois de uma, necessitamos amiúde da outra.

segunda-feira, 5 de março de 2012

As chatices de Passos Coelho

Há quem diga que são muitas, designadamente por não ser fácil desempenhar-se o cargo de primeiro-ministro num contexto difícil como é o actual. E agora os ministros das Finanças e da Economia discutirem quem tem nas suas mãos as últimas migalhas do QREN. O Jornal "I" adianta mesmo que o ministro da Economia estará de saída.
As chatices de Passos Coelho devem agora englobar as crispações entre os membros do seu Governo. Não será fácil gerir estas crispações e atenuá-las, mas todos confiamos na capacidade de liderança do primeiro-ministro, tal como confiamos na sua capacidade de delapidar os Portugueses e o país. Já confiámos na sua capacidade para vender o que resta do país a Chineses e afins, não será seguramente agora por causa dos egos dos seus ministros, que o Governo vai sofrer qualquer abalo. Aliás, este Governo, segundo as sondagens, conta ainda com o apoio inequívoco de muitos cidadãos.
Por conseguinte, não será um episódio entre ministros por causa das últimas migalhas que poderá por em causa o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho.
Tudo será sanado no breve prazo, a bem de Portugal e dos Portugueses. Afinal de contas, é preciso continuar o trabalho de se aniquilar o Estado Social e cercear os direitos de quem trabalha; é preciso continuar no rumo do empobrecimento; é fundamental continuar-se o trabalho de vender o país aos pedaços. E não será uma chatice entre comadres que vai pôr em causa os objectivos supremos do Governo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Desemprego jovem

Pedro Passos Coelho e o seu ilustre Governo apresentaram em Bruxelas - na Cimeira da vacuidade - uma proposta para combater o desemprego entre os mais jovens. Na mesma semana em que os números do desemprego se mostraram ainda mais negros do que muitos esperariam, embora estejam longe de ser os números reais, o Governo tenta mostrar em Bruxelas que o desemprego dos jovens é uma sua preocupação; tentativa, essa aliás, que é comum a outros representantes políticos na Europa.
Ora, tudo seria interessante, apesar da insistência nos estágios profissionais como forma de se combater o desemprego jovem, se este Governo, à semelhança do que acontece um pouco por toda a Europa, não insistisse em aplicar uma ideologia que condena os países ao empobrecimento. Não é possível combater o desemprego quando a austeridade é avassaladora.
Dir-se-á que a prioridade é a consolidação das contas públicas. Não se percebe muito bem o que é que vai sobrar da economia portuguesa e de outras depois das doses cavalares de austeridade. O investimento público passou para níveis quase irrisórios, Portugal cuja economia já padecia de problemas que dificultavam a captação de investimento, vê-se agora a braços com problemas de financiamento (parece sobrar apenas para os bancos e pouco chega às empresas), de falências, de desemprego, de retrocesso social, consequência da má gestão da crise que começou - recorde-se - no sector financeiro.
A economia real portuguesa esmorece a cada dia que passa.
Assim, e reiterando a ideologia caduca que nos Governo e de que parece tanto gostarmos, a criação de emprego é uma verdadeira utopia e que se criar será invariavelmente assente na mais abjecta precariedade. As crises são um excelente reduto para os oportunistas. Importa não esquecer.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Violência na Síria

O país governado pelo presidente Bashar al-Assad tem sido palco de uma violência atroz. Os protestos que tiveram início no ano passado, à semelhança do que aconteceu em vários outros países árabes, está a ser debelada com recurso à violência. Recorde-se que este país vive em estado de emergência desde 1962, o que significa que as garantias concedidas pela constituição ficam sem efeito.
Os protestos neste país começaram com um objectivo comum a outros países que com a Primavera árabe conseguiram melhores resultados. Mais liberdades, de expressão, de imprensa, um maior respeito pelos direitos humanos.
Todavia, e à semelhança do passado, o regime responde com repressão e violência, violência essa que já ultrapassou largamente os limites de tudo o que é aceitável.
Os países da região e a comunidade internacional condenam a violência e exigem que o presidente Bashar al-Assad cesse os ataques ao seu povo. Não chega, como se vê diariamente. O regime que está à frente do país segue a mesma linha que o levou ao poder, através de um golpe de estado, um partido único, o partido Baath, a importância da hereditariedade, primeiro Hafez al-Assad e desde 2000 o seu filho, Bashar al-Assad.
Apesar dos apelos dos países da região e da comunidade internacional, tudo indica que a violência e a carnificina continuarão a ser o dia-a-dia daquele povo. Esses apelos já se mostraram insuficientes.