sexta-feira, 2 de março de 2012

Desemprego jovem

Pedro Passos Coelho e o seu ilustre Governo apresentaram em Bruxelas - na Cimeira da vacuidade - uma proposta para combater o desemprego entre os mais jovens. Na mesma semana em que os números do desemprego se mostraram ainda mais negros do que muitos esperariam, embora estejam longe de ser os números reais, o Governo tenta mostrar em Bruxelas que o desemprego dos jovens é uma sua preocupação; tentativa, essa aliás, que é comum a outros representantes políticos na Europa.
Ora, tudo seria interessante, apesar da insistência nos estágios profissionais como forma de se combater o desemprego jovem, se este Governo, à semelhança do que acontece um pouco por toda a Europa, não insistisse em aplicar uma ideologia que condena os países ao empobrecimento. Não é possível combater o desemprego quando a austeridade é avassaladora.
Dir-se-á que a prioridade é a consolidação das contas públicas. Não se percebe muito bem o que é que vai sobrar da economia portuguesa e de outras depois das doses cavalares de austeridade. O investimento público passou para níveis quase irrisórios, Portugal cuja economia já padecia de problemas que dificultavam a captação de investimento, vê-se agora a braços com problemas de financiamento (parece sobrar apenas para os bancos e pouco chega às empresas), de falências, de desemprego, de retrocesso social, consequência da má gestão da crise que começou - recorde-se - no sector financeiro.
A economia real portuguesa esmorece a cada dia que passa.
Assim, e reiterando a ideologia caduca que nos Governo e de que parece tanto gostarmos, a criação de emprego é uma verdadeira utopia e que se criar será invariavelmente assente na mais abjecta precariedade. As crises são um excelente reduto para os oportunistas. Importa não esquecer.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Violência na Síria

O país governado pelo presidente Bashar al-Assad tem sido palco de uma violência atroz. Os protestos que tiveram início no ano passado, à semelhança do que aconteceu em vários outros países árabes, está a ser debelada com recurso à violência. Recorde-se que este país vive em estado de emergência desde 1962, o que significa que as garantias concedidas pela constituição ficam sem efeito.
Os protestos neste país começaram com um objectivo comum a outros países que com a Primavera árabe conseguiram melhores resultados. Mais liberdades, de expressão, de imprensa, um maior respeito pelos direitos humanos.
Todavia, e à semelhança do passado, o regime responde com repressão e violência, violência essa que já ultrapassou largamente os limites de tudo o que é aceitável.
Os países da região e a comunidade internacional condenam a violência e exigem que o presidente Bashar al-Assad cesse os ataques ao seu povo. Não chega, como se vê diariamente. O regime que está à frente do país segue a mesma linha que o levou ao poder, através de um golpe de estado, um partido único, o partido Baath, a importância da hereditariedade, primeiro Hafez al-Assad e desde 2000 o seu filho, Bashar al-Assad.
Apesar dos apelos dos países da região e da comunidade internacional, tudo indica que a violência e a carnificina continuarão a ser o dia-a-dia daquele povo. Esses apelos já se mostraram insuficientes.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Heranças

Contrariamente a uma ideia genérica que se criou, nem todas as heranças são necessariamente positivas. Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal que o diga, e antes dele José Sócrates que o diga e antes deste Durão Barroso que o diga, e por aí fora.
É prática dos governos em funções atribuírem responsabilidades aos seus antecessores. Até aqui nada de novo. Pedro Passos Coelho parece não fazer mais do que os senhores que ocuparam o cargo de primeiro-ministro.
Desta forma, é possível ouvir o primeiro-ministro, na companhia dos seus pares laranjas, afirma que teve de ir mais longe do que a Troika devido ao facto das informações do governo anterior não serem correctas. Paralelamente, o primeiro-ministro, ignorando as consequências da crise que ainda hoje assola a economia mundial, ignorando as orientações da própria UE no início da crise, diametralmente opostas a que hoje são estabelecidas, ignorando o facto do Governo anterior ter conseguido uma substancial redução do défice antes do dealbar da crise, responsabiliza o anterior Executivo.
Este Governo excita-se com a austeridade, por vezes não esconde esse facto, noutras procura passar a ideia de que está a ser forçado a ir mais longe do que o plano da Troika. Desta vez, a justificação prende-se com a herança do Governo anterior. Amanhã, voltará a não esconder a sua excitação com a austeridade, com o enfraquecimento do Estado Social e com o cerceamento dos direitos de quem trabalha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dívidas dos hospitais

A ameaça de uma empresa farmacêutica de deixar de fornecer vários hospitais públicos é motivo de preocupação. A decisão da empresa é moralmente errada, mas a verdade é que esta ou como outras empresas - mesmo as que operam na área da saúde - não pautam as suas acções pela moral, mas antes pelo lucro.
Segundo a empresa, a decisão está relacionada com os atrasos de pagamento que superam os quinhentos dias. Ora, está em causa o fornecimento de medicamentos essenciais para a vida de muitos doentes, incluindo doentes oncológicos.
São conhecidas as dificuldades do Sistema Nacional de Saúde e a tendência que o Estado tem em pagar com anos de atraso as suas dívidas. Todavia, em particular em alturas de crise, impõe-se que o Governo determine prioridades - áreas em que a aposta do Estado tem de ser uma realidade insofismável. A saúde é indiscutivelmente uma dessas áreas.
Infelizmente, esta não é uma prioridade deste Governo, como de resto não foi exactamente do anterior. O Estado Social é para ser desmantelado, mesmo que se passe o tempo a fingir o contrário. As dívidas dos hospitais são mais um sinal do enfraquecimento do Estado Social e da péssima gestão da coisa pública - o que de facto até ajuda à sustentação de que o dinheiro não chega para tudo, mesmo para áreas essenciais ao bem-estar das populações.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nunca mais

O primeiro ministro Pedro Passos Coelho espera que Portugal nunca mais precise de medidas de austeridade. Passos Coelho tenta tranquilizar um povo que anda mais inquieto do que o costume dizendo que tem esperança que as metas sejam cumpridas e que consequentemente não sejam necessárias novas medidas de austeridade.
A ministra da Agricultura também tem esperança que chova e até hoje ainda vimos uma pinga cair do céu.
Tenta-se mostrar que a austeridade, o cerceamento dos direitos dos trabalhadores, o encolhimento do Estado Social substituído pela caridade, a redução do Estado a funções mínimas fora do âmbito do Estado Social nem fazem parte do âmbito da ideologia preconizada pelo actual Governo.
Estas tentativas de passar a imagem de que estes senhores representantes eleitos apenas estão a fazer aquilo que é necessário, o que também lhes custa, cai no rídiculo quando olhamos com mais pormenor para as ideologia advogada por estes mesmos senhores.
Enfim, espera-se que nunca mais seja necessário aplicar mais medidas de austeridade e pode ser que amanhã chova.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Recessão

As previsões de Bruxelas relativamente à economia portuguesa são mais preocupantes do que aquelas apresentadas pelo Governo português. Não se encontra novidade na notícia e a palavra recessão já faz parte do léxico de muitos Portugueses.
Por outro lado, as instituições europeias, designadamente o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia procuram passar a imagem de que Portugal não precisará de um segundo plano de resgate. O mesmo é dito incessantemente pelo Governo.
Ou seja, as previsões de recessão são, no mínimo, preocupantes, mas exclui-se a necessidade do país necessitar de um novo plano de resgate. Fica-se com a sensação de que nem os arautos deste modelo neoliberal que domina a Europa, os mesmos que se encontram à frente das instituições europeias, acreditam naquilo que estão a dizer.
De qualquer modo, as previsões de recessão não constituem novidade, afinal de contas todos os cidadãos sentem a economia do país a afundar-se. Com a recessão vem o desemprego - o maior drama dos tempos em que vivemos -; a ver vamos como estarão os números do desemprego lá para o final do ano.
Entretanto, dizem-nos que tudo vai valer a pena e que os sacrifícios são inevitáveis. Outro engano.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tolerância de ponto

O fiasco do Carnaval - sem tolerância de ponto - repete-se para o ano. A garantia é dada pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. De facto, a decisão do Governo em não conceder a tradicional tolerância de ponto resultou num Carnaval ainda mais vivido do que o costume. Para o ano - se este Governo ainda estiver em funções - tudo se repete.
Miguel Relvas ainda foi mais longe ao se insurgir contra as autarquias que contrariamente ao Governo deram o dia aos seus funcionários. Escusado seria misturar alhos com bugalhos ao fazer referência ao endividamento das autarquias numa espécie de relação com o dia de Carnaval. É verdade que durante anos e décadas foram cometidos erros crassos ao nível local - como ao nível central - mas pretender-se estabelecer uma relação entre endividamento das câmaras e dia de Carnaval só mostra a exasperação que o facto do dia de Carnaval ter sido gozado causou ao Governo. O rosto de Miguel Relvas e as comparações bacocas disseram tudo.
O Governo tenta-nos convencer que está no caminho certo: cerceando os direitos dos trabalhadores, enfraquecendo o Estado Social e substituindo-o pela caridade, vendendo tudo o que há para vender e forçando os trabalhadores a trabalhar mais. O único consolo é a ideia de que isto não poderá durar muito mais tempo.