quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Deixar cair a Grécia

Ontem foi notícia a intenção de alguns países de não facultarem o segundo pacote de resgate à Grécia, preferindo assim que o país entre em bancarrota. O próprio ministro das Finanças Grego confirmou que vários Estados-membros não querem a Grécia no Euro.
Deste modo, é cada vez mais visível que a saída da Grécia do euro faz parte das intenções de alguns países. O fim do projecto euro está cada vez mais próximo.
A possibilidade, cada vez mais forte, da Grécia sair do euro, não pode ser dissociada da eventual saída de outros países. Portugal deve, por conseguinte, preparar-se para essa eventualidade. Já aqui se escreveu que a saída de Portugal do euro deve ser equacionada e devemos estar preparados, ao invés de recusarmos liminarmente essa possibilidade, evitando sequer pensar nisso. Sem alarmismos, com preparação e estratégia, esta é uma discussão que deve estar na ordem do dia. A cegueira ideológica do Governo faz-me temer o pior, também neste particular.
Deixar cair a Grécia é a vontade de alguns países da Zona Euro. O Governo português continua vergonhosamente a reiterar que Portugal não é a Grécia, num exercício de cobardia e subserviência que nos envergonha a todos. Dizer incessantemente que não somos a Grécia não afasta a forte possibilidade de acabarmos por ter o mesmo destino que este país.
No lugar da solidariedade e da coragem, apenas temos prepotência e egoísmos de uns e cobardia e subserviência de outros, O Governo de Passos Coelho é um belo exemplo da prepotência com os seus cidadãos e a subserviência e cobardia com os donos da Europa.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mobilidade geográfica

O Governo quer obrigar os trabalhadores do Estado a trabalharem fora da sua área de residência se isso se revelar necessário. Pretende-se promover um sistema de mobilidade geográfica.
É curioso assistir a este género de medidas num país onde sempre se promoveu a compra de casa em detrimento do arrendamento, enchendo os bolsos ao sector da construção e da banca.
A questão da mobilidade acarreta outras dificuldades para quem se vê forçado a aceitá-la. De um modo geral, as pessoas têm raízes nos locais onde vivem. É aí que têm a família e os amigos. Por outro lado, há todas as dificuldades logísticas, como é o caso já referido da habitação.
É claro que para os membros deste governo, tudo é fácil na medida em que são exactamente as mesmas pessoas que não se cansam de sugerir a saída do país como solução para muitos Portugueses.
Resta saber se os funcionários públicos contemplados por esta proposta do Governo terão direito aos subsídios que políticos que estão fora da sua área de residência têm direito.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Solidariedade

Solidariedade é uma palavra vazia de conteúdo no actual contexto europeu. O caso da Grécia contou desde logo com a ausência de solidariedade e com o apontar de dedo da Alemanha. Hoje vemos um país desesperado e à beira da ruptura.
A solidariedade é um pilar da construção europeia. É evidente que a solidariedade não apaga os erros cometidos, mas é essencial que em primeiro lugar haja lugar a essa solidariedade. A Europa de Merkel e de Sarkozy não contempla esta importância e é exactamente por isso que a Europa está condenada,
Enganem-se aqueles que pensam que este é um problema que se cinge aos países em dificuldades. Não, o problema é de toda a União Europeia, da arquitectura da moeda única, e precisamente da inexistência de união e de solidariedade.
Enquanto se mantiver as actuais políticas que contam com o mais inexorável apoio do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a Europa o projecto europeu está condenado. E tudo começou com a forma execrável como se lidou com a questão grega.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Humilhação

Não há palavra que se enquadre melhor na abordagem que tem sido feita à questão grega. Já por aqui se criticou com particular veemência esta vergonha e ontem nas ruas de Atenas os Gregos voltaram a mostrar a sua recusa em aceitar mais humilhações.
De facto, para além do agravamento das condições de vida que este plano de resgate representa na vida dos mais desfavorecidos, os constantes recados de responsáveis políticos Alemães só vem agravar uma situação já de si explosiva.
A democracia também tem sido posta em causa. Aliás, ainda ontem assistiu-se a um exemplo do que a democracia não é: vários deputados Gregos que não respeitaram a disciplina de voto e votaram contra o novo plano de resgate foram simples expulsos dos respectivos partidos.
A Europa, em particular, a Alemanha só pode com isto desejar a falência da Grécia e a saída deste país do Euro. Seria melhor para toda a Europa que assumisse esse seu desejo e que poupasse este povo a constantes exercícios de humilhação.
Podemos estar certos do seguinte: a União Europeia sob o jugo da alta finança e da Alemanha caminha a passos largos para o abismo. Só não vê quem não quer.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ainda sem acordo

Os ministros das Finanças do Eurogrupo não aceitou a aprovação de um novo pacote de resgate de 130 mil milhões de euros para a Grécia. Este país necessita de cortar mais 325 milhões de euros. Ou seja, é necessário ainda mais austeridade para além do corte abjecto no salário mínimo, para além dos despedimentos na função pública e dos cortes na saúde.
Ontem também se soube que a taxa de desemprego na Grécia já ultrapassa os vinte por cento, sendo que aumentou vertiginosamente nos últimos meses. Assim, mais de um milhão de Gregos encontram-se sem emprego. Um verdadeiro exército de desempregados num país em que as convulsões sociais poderão recrudescer nos próximos tempos.
O acordo acabará por se concretizar. A questão é saber onde é que a coligação que está a frente dos destinos do país poderá cortar.
Os resultados de tanta austeridade degeneram apenas em mais pobreza e na incapacidade do país recuperar. Aliás, percebe-se que a Grécia é um país condenado por largas décadas. Os egoísmos na União Europeia continuam a levar a melhor, com todos a distanciarem-se do Estado pária em que o berço da democracia se transformou aos olhos dos restantes países da Europa.
Por cá, anda tudo em alvoroço devido a uma conversa privada entre o ministro Português das Finanças e o ministro Alemão. As duas personagens de um verdadeiro filme de terror cochichavam sobre a possibilidade de maior flexibilização das medidas acordadas com a Troika. Uma das personagens deste filme de terror não cessava de enfatizar o quanto nós nos portamos bem e a outra, no alto da sua sabedoria, falava em flexibilização. Por cá, o ministro já reiterou que não haverá qualquer flexibilização. Arrepiante. Simplesmente arrepiante.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O impasse

Da Grécia ainda não há notícias de um acordo que permita a aprovação de um novo pacote de resgate. Mas é apenas uma questão de tempo. Entre a escolha de mais austeridade e a permanência na Zona Euro e a rejeição dessa mesma austeridade e a saída do Euro (mesmo que a chanceler alemã alerte para a imprevisibilidade dessa saída), a coligação escolherá a injecção de mais austeridade, mesmo que nas ruas se oiça reiteradamente que os Gregos já não aguentam mais.
O impasse surge do desacordo entre os parceiros da coligação sobre o corte de 15 por cento das pensões. Com eleições à porta, ninguém se quer comprometer com medidas que poderão pôr em causa os futuros resultados eleitorais.
O impasse não durará muito tempo. A escolha será ainda mais penalizadora para um povo que tem sido tratado de forma vergonhosa. Por cá, os nossos representantes políticos apenas sabem repetir que nós não somos a Grécia. A frase em si é fruto do encolhimento, da subserviência mais vil e da cobardia. A solidariedade não tem lugar numa Europa tecnocrática e neoliberal que se afunda a cada dia que passa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ACTA

Em Portugal, designadamente nos principais meios de comunicação social pouco se discute o ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement – Acordo Comercial Anti-Contrafacção). Aliás, muitos nem sequer alguma vez ouviram falar de tal acordo. A excepção é, como de resto tendo sido habitual, a internet.
O acordo traduz-se num verdadeiro retrocesso para o acesso à informação. Com este acordo a vigilância, as denúncias, as violações ao acesso à informação, tudo isto sem a intervenção dos tribunais.
Como Rui Tavares, eurodeputado diz: "o ACTA significa o fim da privacidade online e à circulação livre de informação fundamental para o bem comum".
Trata-se de um acordo congeminado no maiores dos secretismos que terá um impacto não só na forma como acedemos à informação, bem como em áreas como a saúde, agricultura e comércio devido às regras de controlo não-democrático de patentes científicas que o ACTA advoga.
Pese embora a importância deste acordo, o Governo português não diz uma única palavra sobre o assunto e excepção feita ao Bloco de Esquerda, o assunto não faz parte da agenda dos deputados.
Mais grave é a supressão de informação relativa a este tão delicado assunto. Ora, a comunicação social, em geral, presta-se à triste figura do costume, dando ênfase a minudências e a comentadores de pacotilha e os representantes políticos, salvo honrosas excepções, não se prestam a discutir o assunto pelo menos com a profundidade que este merece.
Para quem se interessar sobre este assunto cujo impacto nas nossas vidas não pode ser descurado recomendo a leitura do site do eurodeputado Rui Tavares: http://ruitavares.net/ficheiros/ANTI-ACTA.pdf.