sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dia 21 de Janeiro

Amanhã é dia de manifestação - uma marcha da indignação - organizada por movimentos que estiveram na origem de outras manifestações.
Desta vez, a comunicação social foi ainda mais relutante em dar visibilidade a movimentos de cidadãos que contam mais com a confiança dos Portugueses do que os próprios partidos políticos.
Com efeito, a comunicação social prefere dar notoriedade a guerras entre centrais sindicais que também não parecem inspirar particular confiança nos Portugueses, as patetices de um ou de outros ministro, a verborreia de ideologia caduca do Governo ou as expectativas surreais do ministro das Finanças. Esta manifestação, tal como outras, conta com as redes sociais para que a adesão seja maior. Os meios de comunicação social preferem entreter os cidadãos com o que já foi referido.
Diz por aí que esta manifestação à semelhança das outras não vai surtir qualquer efeito. Contam-se casos de aparente insucesso, como é o caso da enfraquecida sociedade grega. Pelo caminho esquece-se deliberadamente casos de sucesso como o caso islandês.
De qualquer modo, importa relembrar que as mudanças que tantos de nós almejamos não se conseguem no imediato. Esta é uma luta que levará o seu tempo. Afinal de contas, estamos ainda longe de poder contar com a mobilização da maioria que parece ainda acreditar nas promessas do neoliberalismo apesar de todos os seus fracassos com consequências desastrosas do ponto de vista social.
Dia 21 de Janeiro de 2012 é mais uma oportunidade de se mostrar que este caminho da inevitabilidade que tanto nos vendem tem muito que se lhe diga; é mais uma oportunidade de mostrar que não aceitamos o retrocesso social, nem tão pouco o empobrecimento do país. É dia de mostrar que estamos vivos, que não abdicamos de ter esperança no país, que queremos cá ficar por muito que nos digam para sair porque este é o nosso país e temos todo o direito de lutar por ele.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um banquete para os patrões

Desde logo, importa sublinhar que patrões e trabalhadores são importantes, senão mesmo imprescindíveis, variáveis da mesma equação. Não se cai aqui no facilitismo de fazer de todos os patrões vilões e de todos os trabalhadores heróis, até porque estas generalizações, à semelhança de tantas outras, é abusiva.
Todavia, na mesma equação também se verifica uma situação de maior fragilidade por parte dos trabalhadores, situação própria da sua condição. Por essa razão, as leis laborais visam também a protecção contra excessos e abusos que possam recair sobre os trabalhadores.
Não é evidentemente esse o objectivo deste Governo. A facilidade em despedir aumentou drasticamente com o acordo de concertação social - a subjectividade passa também a entrar nesta equação. Os trabalhadores agora vão ter de trabalhar mais, por menos. Tudo em nome de uma pretensa competitividade, palavra que faz as delicias do inqualificável ministro da economia. O Sr. dos pastéis de nata.
É por demais evidente que este acordo é uma banquete para o patronato. Os trabalhadores vão ficando com migalhas. A produtividade e competitividade da economia portuguesa não se resolve desta forma, por muito que o ministro da Economia não cesse de dizer que é preciso trabalhar mais e melhor. Isso e ideias mirabolantes que envolvem pastéis de nata.
É indubitável que os trabalhadores nada têm a ganhar com o acordo, muito pelo contrário.
Vamos aceitando tacitamente todo o retrocesso social, à espera que o amanhã traga novas promessas. O drama é que vamos ter de esperar sentados e o retrocesso, esse, é a única certeza.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mudanças laborais

Trabalhar mais, ganhar menos, mais facilidade no despedimento. A premissa é antiga e esteve na origem de acentuadas convulsões sociais nos últimos séculos. Apesar da História nos ensinar que os cidadãos têm o seu limite e quando esse limite é ultrapassado as consequências são ainda mais gravosas, continua-se a insistir nesta velha receita. Noutros contextos aplicou-se a mesma receita com promessas de um amanhã mais promissor. Esse amanhã não chegou. O resultado foi o esperado: empobrecimento, menos direitos laborais, retrocesso social com todas as consequências inerentes.
O Governo português aposta na mesma receita em nome do aumento da competitividade. Salários baixos num país de salários baixos; aposta nos apoios a empresas para que estas paguem ainda menos salários - a medida do Estado pagar uma parte do subsídio de desemprego e o patrão pagar uma parte do salário para um desempregado que regressa ao trabalho tem muito que se lhe diga e é um excelente negócio para as empresas, vamos ver o grau de rotatividade destes trabalhadores. - e trabalhar mais tempo é a receita do Governo. Pelo caminho atropelam-se direitos e vive-se todo o esplendor do neoliberalismo que está na origem do empobrecimento dos cidadãos.
Esta receita tem de ser combatida. Esse combate não trará frutos de imediato, é um processo que levará o seu tempo, mas que precisa de contar com a força e persistência dos cidadãos. Esse combate deve também ser travado no próximo dia 21 de Janeiro, às 15 horas no Marquês de Pombal em Lisboa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nomeações

Depois do primeiro-ministro se desdobrar em explicações sobre as nomeações para a empresa Águas de Portugal com a escolha de dois autarcas, um dos quais que contraiu dividas enquanto autarca com a empresa que agora vai dirigir, o Público publicou uma notícia que dá conta que o Governo de Passos Coelho já nomeou mais pessoas do que o primeiro governo de José Sócrates.
Seja como for, a história das nomeações políticas deste e dos governos anteriores acaba invariavelmente por cheirar mal. Infelizmente, nesta e noutras ocasiões, muitos cidadãos - caso contrário estes senhores não chegariam ao poder - parece viverem bem com os maus cheiros.
Por outro lado, a mimetização de comportamentos do passado e a ideia de que nada parece mudar apenas contribui para a constante descredibilização de políticos e da própria politicas. Essa descredibilização, porém, não tem efeitos práticos significativos a julgar pelo resultado das eleições. Ou seja, apesar dos comportamentos funestos, das suspeições de compadrio, da incompetência e da partidarização do Estado, os cidadãos continuam a dar o voto ao espectro de poder do costume.
A situação do país agrava-se a cada dia que passa, as respostas convencionais deixam paulatinamente de se enquadrar num contexto de democracia. Alguns movimentos de cidadãos procuram recuperar a democracia que nos foge das mãos a cada dia que passa. Suspeita-se que a política convencional venha a perder terreno e deixe mesmo de ser contemplada como forma de resolução dos problemas que assolam o país. Dia 21 assistiremos a nova manifestação daqueles que procuram recuperar a democracia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Valor de mercado

O ex-ministro Eduardo Catroga e negociador do vergonhoso memorando da Troika tem-se em alta conta. Não há outra forma de dizer isto. Analise-se - e para tal não é necessária grande atenção - as declarações do ex-ministro nas últimas semanas, em particular desde que foi escolhido para ingressar a equipa da EDP por uma módica quantia.
Quanto à promiscuidade patente nestas escolhas, o primeiro-ministro já veio a público insurgir-se contra essa possibilidade. Afinal de contas, o primeiro-ministro não vê qualquer tipo de problema na escolha dos accionistas, nem tão-pouco na sua escolha para as Águas de Portugal. O facto de todos os envolvidos terem cartão do PSD é mera coincidência. Como foi no passado com os cartões do PS:
Não restam quaisquer dúvidas que o país é dominado pelas pessoas do costume que fazem o seu percurso profissional da forma do costume, passando invariavelmente por partidos políticos. Aliás esta parece ser a única forma de se conseguir ascender socialmente
Estas e outras situações como as propostas em sede de concertação social do patronato numa perspectiva de acentuada desvalorização laboral vão contando com a passividade dos cidadãos que ou acreditam nada poder fazer ou, por outro lado, crêem que nada deve ser feito. A verdade é que o valor de mercado de cada sobe em proporção da sua importância política. O valor de mercado de uns e de outros afastam-se cada vez mais no mesmo país: uns tentam sobreviver com 485 euros ou, em situações cada vez mais frequentes, com quase nada; outros têm um valor de mercado assinalável: 45 mil euros. Isto no mesmo país.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ou pagam ou...

Morrem? É a pergunta que se deve colocar a Manuela Ferreira Leite que sugeriu que os doentes com mais de 70 anos que necessitem de hemodiálise têm de pagar os tratamentos. "Têm sempre direito se pagarem".. A frase é da inefável senhora que noutros tempos excitou-se com a pretenso modelo democrático madeirense e que noutros tempos ainda não muito remotos mostrou nova excitação com a possibilidade de suspender a democracia durante seis meses.
Já no passado Ferreira Leite pôs em causa o Sistema Nacional de Saúde (SNS), designadamente o seu carácter universal e gratuito. Agora diz exactamente o que pensa sobre a matéria. Não é possível pagá-lo, por conseguinte, acabe-se com ele. Quanto aos pacientes com mais de 70 anos e que tiveram o infortúnio de padecerem de uma doença que só eles próprios sabem o quanto destrói a vida de uma pessoa que paguem o serviço, se puderem...
Esta senhora é conhecida por ser moderada. Lá se foi a moderação para dar lugar ao radicalismo do pensamento único, do país sem recursos, do empobrecimento com a agravante de atingir quem já tem uma vida tão difícil.
O SNS com todos os defeitos que lhe possam ser apontados, continua a ser um passo no sentido do progresso de um país que se quer civilizado. Destrui-lo é destruir inequivocamente o próprio Estado social - a agenda neoliberal já nem procura disfarçar este seu objectivo e Ferreira Leite junta-se ao rol de arautos de uma ideologia falida e assente no pior do ser humano.