quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Proibido fumar

Depois da Lei que impôs sérias limitações ao fumo do cigarro em locais fechados, agora um estudo da Faculdade de Medicina de Lisboa sugere a proibição de se fumar à porta dos estabelecimentos onde efectivamente já é proibido fumar. Dito por outras palavras, deve ser proibido fumar nas áreas circundantes desses estabelecimentos. O fundamentalismo vai fazendo a sua escola neste país.
A Lei ainda em vigor é, em larga medida equilibrada. Não se questiona a nocividade do fumo do tabaco em locais fechados. Todavia, ir ao ponto de se pretender proibir esse mesmo fumo em locais ao ar livre não só é extremista como preocupante. Fora do estudo terão ficado os gases nocivos dos veículos automóveis que, ao que tudo indica, ainda têm de circular ao ar livre nas cidades.
O estudo é tão rídiculo quanto possível. Aparentemente, o fumo de quem está fora do estabelecimento pode entrar dentro do mesmo e aumentar a exposição dos clientes e trabalhadores a esse fumo nocivo. Parece-me que há muito por fazer e por estudar no âmbito da saúde pública, mas estas conclusões morrem de rídiculo. Pior, estas conclusões, sugestões e estudos indicam um fundamentalismo que nos deveriam preocupar a todos: fumadores e não fumadores.
Além do mais, com tantas dificuldades que o país atravessa, andamos a perder tempo com babuseiras, incluindo eu que me dei ao trabalho de escrever umas palavras sobre este assunto tão... ridículo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

É simplesmente triste

Ver um responsável do Governo aconselhar os jovens do seu país a emigrar é simplesmente triste, independentemente das circunstâncias desse mesmo país. Não se trata da primeira, segunda ou terceira vez que um membro do actual Governo vem fazer este género de apelos. Desta vez Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares sublinhou o prazer que teve em ver jovens Portugueses em Moçambique e referiu a necessidade dos jovens olharem para outras paragens para além de Portugal e da própria Europa.
O Governo não cessa assim de passar a si próprio um atestado de incapacidade para resolver os problemas do país. Ao aconselhar a sua juventude a sair do país, o Governo reconhece toda a sua incapacidade e reconhece ter atingido o fim da linha,
É simplesmente triste assistir a este tipo de conselhos. É triste para quem vive em Portugal, para quem acredita no país e para quem luta todos os dias para que o dia de amanhã seja melhor. E é precisamente aqui que reside toda a política do Governo - na mais abjecta ausência de esperança num futuro melhor. Para o Governo existe apenas o hoje e hoje é dia para pagar dívidas (embora na verdade não o faça); hoje é dia de austeridade; hoje é dia de empobrecimento; hoje é dia de cerceamento dos direitos de quem trabalha; hoje é dia de retirar dinheiro das pensões miseráveis de quem já trabalhou; hoje é dia de agonia e de retrocesso social sem precedentes. O amanhã simplesmente não existe.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma questão de crença

O FMI já não acredita na capacidade da Grécia conseguir equilibrar as suas contas. O relatório foi divulgado curiosamente na Alemanha. Segundo o relatório, os esforços e o programa levado a cabo pelo Governo grego são insuficientes. Dito por outras palavras, a torrente de medidas de austeridade produzem resultados que ficam manifestamente longe do que é considerado necessário por instituições como o FMI.
A instituição apresenta três soluções para a Grécia: mais austeridade, um perdão maior ou mais dinheiro da Zona Euro. A terceira opção parece ser a mais inexequível, a primeira têm um impacto contraproducente e a possibilidade de um perdão maior sendo a que talvez produzisse mais resultados acaba sempre condicionada por negociações exclusivamente levadas a cabo pelos credores.
Aos Gregos não lhes são dadas quaisquer opções. Terão que acatar com aquilo que Alemanha e França decidirem. São como se vê tratados como sendo um caso praticamente perdido e são responsabilizados pela sua desgraça. Quanto ao resto, designadamente ao funcionamento da própria Zona Euro e as consequências desse funcionamento para os países periféricos, será sempre uma questão de somenos.
É mais fácil dar-se o caso grego como perdido e mais fácil ainda dizer-se que a culpa é exclusivamente daquele país.
Como se vê nada muda com o início de 2012. Tudo continua a indicar que será uma questão de tempo até o caso grego e quem sabe outros venham a ter o desfecho que muitos temem.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Obrigatório ler

O artigo "As ruas de 2012" de Naomi Wolf e que o jornal Público colocou na sua página é de leitura obrigatória. O artigo começa com uma questão colocada pela autora sobre as novidades que o ano novo trará relativamente à onda global de protestos de 2011. A respostas são, citando a autora, "alarmantes".
A supressão de direitos, a elaboração de legislação que atropela os direitos dos cidadãos, a repressão serão, na óptica de Naomi Wolf, respostas cada vez mais frequentes e musculadas para fazer face aos protestos globais. De um modo geral, os arautos da globalização neoliberal não se vão coibir de utilizar todas as armas ao seu dispor para reprimir e até extinguir os protestos que eclodem um pouco por todo o mundo.
Naomi Wolf de como países como o Reino Unido, Israel e Estados Unidos estão a preparar-se para cercear e, seguramente eliminar, quaisquer focos de protesto. O caso americano é paradigmático: a "National Defense Authorization Act, aprovada pelo Congresso em Dezembro, permite ao Presidente suspender as garantias processuais para cidadãos dos EUA, proceder à detenção por tempo indeterminado e sujeitá-los a tortura". Isso mesmo, tortura. Nada a que as Administrações Americanas não estejam já habituadas. Todavia, agora consegue-se ir ainda mais longe.
Por conseguinte, o protesto será reprimido, as leis serão endurecidas, o cerco continuará a apertar-se. Vale tudo para se manter um sistema de capitalismo selvagem global e este ano que agora se inicia mostrará a força do capital global e de todos os que dele se alimentam.
O artigo finda com a ideia de que a repressão, até ao momento, não está a produzir os efeitos esperados. Naomi Wolf refere que movimentos como o "Occupy Wall Street" e o "Ocupy Moscow" vão ganhando cada vez maior relevância, pese embora os esforços encetados para os diminuir. Seja como for, a ideia de que a política convencional já não consegue fazer face às ameaças à democracia começa a ganhar força. Os interesses da globalização financeira não se coaduna com as democracias. A resposta parece ser cada vez uma única: a mesma que nasce de movimentos de protesto global um pouco por todo o mundo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Normalidade

Embora a deslocalização da sociedade que detém o grupo Jerónimo Martins seja encarada com desagrado, esse desagrado mistura-se com um sentimento de normalidade. Num contexto de economia aberta é normal que uma sociedade procure outras paragens. Pelo menos é mais ou menos nestes termos que se explica a saída da dita sociedade para a Holanda.
A normalidade é consolidada pela comunicação social que adopta a postura da inevitabilidade e o pensamento único. Quanto a mais esta anomalia da própria Zona Euro que permite que no seu seio exista concorrência fiscal, com clara desvantagem para os países periféricos, nem uma palavra. Importa, no entanto, sublinhar que o Partido Socialista já chamou a atenção para mais esta anomalia.
De todo o modo, a comunicação social, mesmo em matéria de opinião, encara este problema como fazendo parte do contexto de inevitabilidade que todos os dias nos pretende impingir. Se existem alternativas, as pessoas que as procurem em meios menos convencionais. Porventura aborda-se a incongruência patente no discurso de Alexandre Soares dos Santos e pouco mais,
Assim, esta é mais uma sociedade a sair do país. Seria interessante avaliar com maior profundidade casos semelhantes em países como a Grécia ou outros países periféricos e perceber o quanto países como a Holanda e a Alemanha - países que se empenham em promover a austeridade e em facultar o que eles chamam de ajuda - estão a ganhar com isso.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Na Holanda é que se está bem

A decisão de Alexandre Soares dos Santos de deslocalizar uma sociedade do grupo Jerónimo Martins para a Holanda vem mostrar a qualidade de uma parte dos empresários nacionais, os mesmos que passam uma parte significativa das suas vidas a criticar o país e pedir para que não se desista do mesmo.
Ora, não deixa de ser curioso que um homem tão crítico do país, tão defensor da ideia de que não se pode desistir de Portugal, venha agora a fazer a operação supra citada, ainda para mais para um país conhecido por ser generoso do ponto de vista fiscal para as operações em causa.
Segundo um comunicado da Jerónimo Martins, o objectivo da operação não se prende com qualquer fuga de impostos e são dadas garantias de que a sede manter-se-á em Portugal. Resta saber então quais as razões que levaram à concretização da operação em causa, tendo em consideração que as mesmas não são de índole fiscal, segundo o tal comunicado.
Estes empresários, do rol dos homens mais ricos do país, os tais que viram os seus rendimentos recrudescerem enquanto uma parte cada vez maior da população afunda-se na mais abjecta miséria, já nem se envergonham de mostrar a sua verdadeira natureza, sob pena de se encontrar todo o tipo de incongruências. Afinal de contas são os mesmos que tentam influenciar o rumo do país, mas simultaneamente abandonam o barco quando este dá mostra de poder vir a afundar-se. Muitos fizeram com o Estado negócios ruinosos. Quando falamos da ruína do país, não devemos esquecer estes senhores que deixaram e continuam a deixar a sua marca no descalabro do país.
Infelizmente o problema é mais vasto e redunda numa enormidade da própria zona Euro que admite no seu seio concorrência fiscal, destruindo qualquer hipótese remota de se reduzir as assimetrias sociais. Infelizmente, o problema consegue ser ainda mais vasto e prende-se com um sistema de capitalismo selvagem onde vale tudo. Ora, esse vale tudo traduz-se nas mais graves desigualdades das últimas décadas.
Seja como for, oiçam o que eu digo, mas ignorem o que eu faço. Vamos todos lutar por Portugal, mas reconheço que é na Holanda que se está bem.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Maçonaria

A existência de relações entre Maçonaria e o poder político não causa espanto a ninguém. Todavia, a notícia que dá conta da eliminação do relatório de alegadas ligações da chefias dos serviços secretos à Maçonaria deixa-nos boquiabertos. E pasme-se! terá sido o PSD a proceder a essa eliminação. O que demonstra que este partido político tem ligações à Maçonaria e não pretende que exista mais transparência sobre as ditas relações promiscuas entre poder político e sociedades que ainda se refugiam no secretismo.
A verdade é que essas ligações entre poder político e Maçonaria merece uma aprofundada análise. Porventura, depois de realizada essa análise chegaríamos a novas conclusões sobre as razões do nosso atraso como país.
Sabemos que o peso dos lobbys recrudesce; mas não sabemos a dimensão das pressões exercidas sobre o poder político. Ficámos a saber hoje que o PSD dá um forte contributo para a consolidação de interesses que escapavam ao interesse geral. E é também em nome desses interesses que o país vai ficando cada vez mais longe de qualquer coisa semelhante ao progresso.