terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vergonhoso

A situação financeira, designadamente o facto das entidades oficiais desconhecerem as dívidas da Madeira, exceptuando o Presidente da República, e a descoberta de novos buracos é verdadeiramente vergonhosa.
As críticas ao longo reinado de Alberto João Jardim sempre foram profusas. Infelizmente, os vários governantes da República sempre mostraram uma ligeireza assustadora com o senhor em questão. A forma como Alberto João Jardim se comportou em democracia mereceu invariavelmente críticas de muitos que também eles foram alvo dos impropérios do inefável Presidente da Região Autónoma da Madeira.
Outro ponto que sempre mereceu críticas foi precisamente a forma como a Madeira era gerida. Foram muitos a chamar a atenção para os elevados níveis de endividamento da Madeira, com a proliferação de obras atrás de obras. Essas críticas, mais uma vez, caíram em saco roto. Há muitos responsáveis pela actual situação da Madeira e por inerência do país - um deles é o actual Presidente da República, talvez o pior Presidente da República das últimas três décadas.
A ineficiência da Justiça e a partidocracia instalada voltam a fazer estragos na economia do país. Este senhor sairá imaculado de toda esta situação, enquanto o contribuinte terá que suportar estes e outros buracos.
A democracia é um sistema falível. O caso da Madeira é paradigmático dessas falhas. Alguém perpetua-se no poder, esconde dívidas e mostra não saber respeitar os mais básicos princípios da vida democrática. A consequência: reeleição. Repito: nós só temos o que merecemos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Legítima defesa

É assim que Alberto João Jardim procura defender-se do problema criado por ele próprio na Madeira. Consequentemente, a omissão - gravíssima - de 1113 milhões de euros em dívidas foram emitidas em legítima defesa, tudo por causa do Governo de José Sócrates.
As explicações de Alberto João Jardim são surreais. Embora não cause grande espanto que o Sr. da Madeira tenha adoptado um comportamento irresponsável e, em qualquer Estado de direito, criminoso, a verdade é que este é mais um buraco que embaraça o pais, embaraço esse que terá de ser pago por todos os portugueses. Este é mais um buraco a somar ao BPN, aos submarinos, aos contratos ruinosos fruto da promiscuidade entre poder político e poder económico e as famigeradas parcerias público-privadas. Isto ao que se sabe. O buraco da Madeira torna-se ainda mais grave por ter sido escondido.
Serão os Portugueses, em particular a mais do que magra classe média a pagar mais este desvario criminoso.
Não deixa de ser curioso ver tantos e tantos apoiantes de Alberto João Jardim apoiá-lo fervorosamente, o que é, aliás, sintomático de um país que lida de ânimo leve com políticos que em nada dignificam o país. Temos o que merecemos e a Madeira é exemplo disso mesmo. Continuaremos a escolher políticos irresponsáveis e que não raras vezes não se coíbem se adoptar comportamentos a raiar a ilicitude e o crime, para depois nos queixarmos do nosso destino de sofrimento e de completa ausência de esperança no futuro.
A legítima defesa de Alberto João Jardim é mais um sinal de que este responsável já deveria ter sido afastado do poder há muito tempo. Não é assim e quem sabe se mesmo agora depois deste acontecimento gravíssimo será assim. Com efeito, o povo tem o que merece.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cortes na despesa

O governo desdobra-se em aumento de impostos e cortes na despesa, embora seja mais contundente na primeira tarefa. Quanto aos cortes, estes incidem sobre o Estado Social: cortes na saúde e na Educação. Agora corta-se em alguns institutos e nas hierarquias do Estado.
A necessidade de cortes não é questionada, o país não pode viver eternamente acima das suas possibilidades. O que se critica com veemência é onde se corta e a necessidade imperiosa de estímulos à economia, contrariando a cegueira da austeridade.
Na verdade não chega cortar. O país tem problemas de fundo que não são atacados. A Administração Pública necessita de uma reforma que a torne eficiente. Esses ganhos de eficiência facilitariam a vida a todos os cidadãos e contribuiriam para um acréscimo de investimento com claras repercussões para a economia no seu todo. O mesmo se aplica à Justiça.
O problema financeiro não se resolve só com cortes na despesa (embora fosse decisivo acabar com a partidocracia, os negócios e os vícios de muitos que orbitam em torno do Estado). O problema financeiro é indissociável das dificuldades da própria economia. É fundamental que o país possa crescer, com preocupações em matéria de criação de emprego para que o problema financeiro possa ser atenuado. Sejamos realistas: não é com austeridade e com a manutenção e perpetuação das mesmas dificuldades, em particular no que diz respeito à Justiça e Administração Pública, que vamos ultrapassar os nossos problemas. O Governo acredita que sim. Em meses, com o desmoronamento da própria Zona Euro, o Governo vai ter que engolir muito do que disse e do que fez.
Pelo caminho não se negociam as parcerias público-privadas, não se eliminam lugares de destaque pagos a preço de ouro na Administração Pública, não se tem coragem para acabar com a partidocracia que tomou conta do país e pede-se aos cidadãos que paguem o buraco do BPN que ascende a quase 4900 milhões de euros e os laivos de novo-riquismo (o caso dos submarinos é só um dos inúmeros exemplos).
A verdade continua a ser insofismável: a responsabilidade é nossa na medida em que somos nós a eleger estes senhores cuja missão tem sido sempre perpetuar o seu bem-estar e dos seus mais próximos. É a persistência do erro e o medo da mudança.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Impasse

O impasse dentro da Zona Euro, alternado com a aplicação de medidas tímidas, gerou um problema de estabilidade e de confiança. Os principais líderes europeus têm-se desdobrado em declarações que pretendem inverter o problema de estabilidade, designadamente no que diz respeito à Grécia e à sua mais do que provável falência.
A receita é invariavelmente a mesma: austeridade para colocar as contas públicas em ordem, sem consideração pelo crescimento económico. A ideia é primeiro a consolidação das contas públicas, com redução do défice e da dívida e depois o crescimento económico. O resultado tem sido desastroso para a Grécia que se vê a braços com a impossibilidade de atingir as metas a que se propôs, impossibilidade essa que também se justifica com a contracção da economia grega, na ordem dos 5 por cento.
Portugal tudo faz para ser o bom aluno, o aluno que no passado se portou mal e que se procura redimir. Segue cegamente a receita do desastre, tudo fazendo para evitar um colapso do sistema financeiro, preservando a solidez da banca alemã e francesa.
Pelo caminho, as vítimas amontoam-se. A austeridade está a matar a economia, o emprego começa a ser uma raridade, a pobreza aumenta e o retrocesso social é uma evidência a cada dia que passa.
O impasse está para durar, como se vê pelas eurobonds. E em Portugal, o primeiro-ministro mostra a política da subserviência em todo o seu esplendor. Por cá até é apologista da solução eurobonds, perto de Merkel já não. Ainda nos faz o favor de mostrar tristes episódios em que repete exactamente o que já fora dito pela chanceler alemã.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Europa em convulsão

Sem soluções, apostados na cegueira ideológica do neoliberalismo, os principais líderes europeus assistem ao desmoronamento do sonho europeu. E porquê? Porque reagiram tardia e erradamente aos problemas que surgiram na Grécia. Graças ao dinheiro deita-se por terra um dos projectos mais ambiciosos do mundo.
Com efeito, ainda antes da crise das dívidas soberanas a Europa dava sinais de tibieza. Raras foram as vezes em que se falou a uma só voz; as decisões foram amiúde tomadas à revelia dos cidadãos; a Europa transformou-se numa tecnocracia; a Europa nunca soube aproveitar a oportunidade de se tornar um exemplo para o mundo, adoptando medidas inspiradas no neoclassicismo económico que redundaram numa Zona Euro mal construída e a Europa nunca foi capaz de se livrar da liderança de um ou dois países deitando por terra a premissa de união. Finalmente, a Europa abandonou uma das bases da sua construção e também uma das suas finalidades: a solidariedade.
O resultado está à vista: países à beira da falência, o ressurgimento do desdém dos alegadamente mais poderosos face aos que se encontram em posição mais fragilizada, egoísmos e ódios.
Em poucos meses todo o sonho europeu é claramente posto em causa. Repito aquilo que tenho insistido em dizer neste mesmo espaço: a forma como se tem tratado o povo Grego, constitui uma vergonha a todos os títulos, mostrando igualmente que os problemas que outrora assolaram a Europa não desapareceram como se poderia pensar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Falência da Grécia e da Europa

Ainda não é oficial, mas dificilmente a Grécia conseguirá escapar à falência. O objectivo agora parece ser evitar uma falência descontrolada com o objectivo de impedir o efeito de contágio e grandes perdas para a banca. Se a Europa, designadamente a Alemanha tivesse reagido eficaz e atempadamente no dealbar da crise da dívida soberana grega, certamente este artigo não estaria a ser escrito.
A Europa não tem respostas para este problema, e quando respondeu, recorreu às mesmas políticas que estão subjacentes à crise que eclodiu em 2008. Desde 2009 que assistimos à recusa, em particular da Alemanha, em resolver de uma vez por todas o problema que foi criado, no caso grego, por ilusões impingidas pelos principais actores na cena neoliberal (não esqueçamos a participação da Goldman Sachs em todo este processo que vai culminar com a falência da Grécia).
Não deixa de ser curioso perceber que quem deu origem à crise das dívidas soberanas (veja-se a forma assustadora como as dívidas e défices dos países aumentaram desde a origem da crise, com resgates à banca e afins) seja o mesmo carrasco com a conivência clara dos principais líderes políticos europeu, que vai dar a machada final no Euro e no sonho europeu.
Angela Merkel, Sarkozy e outros líderes, designadamente nos Países Baixos e na Finlândia ficarão na História pelas piores razões. Foram estes senhores a matar o sonho europeu, com custos inimagináveis para os cidadãos da Europa. Pelo caminho nunca esqueceremos as humilhações a que a Grécia em particular foi sujeita. Por cá, a onda de choque ainda está a chegar. O falhanço da Grécia explica-se em larga medida com a aplicação de políticas de austeridade que, pasme-se!, redundaram em recessão (uma contracção de 5 por cento).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ainda e sempre a Grécia

Já há um novo pacote de austeridade para que a Grécia não corra o risco de entrar em incumprimento. Pelo menos é desta forma que o Governo de Papandreou vai tentar evitar esse cenário.
A verdade é que a situação grega piora de semana para semana. A contracção económica da Grécia será, ao que tudo indica, de 5 por cento. O nervosismo nas bolsas é acentuado e a principais vozes europeias não acalmam os receios da Grécia entrar mesmo em incumprimento.
Estas notícias são péssimas para toda a Europa, em particular para os países em dificuldades como é o caso de Portugal. A receita neoliberal está a falhar na Grécia e não tem dado os melhores resultados na Irlanda, cujos principais indicadores económicos têm sido alvo de revisão. Todavia, o problema mais grave é de longe o grego.
Por outro lado, espera-se que a contestação social na Grécia suba de tom. Agora é um imposto sobre o património e não se exclui a possibilidade de mais despedimentos na Administração Pública grega. Nestas circunstâncias teme-se o pior nas ruas da principais cidades do país.
O ridículo ganha nova forma com propostas como a do comissário alemão que sugere que os países endividados coloquem as suas bandeiras a meia-haste. Não sei o que é que países que cometeram as maiores atrocidades no século passado deveriam então fazer. De igual modo, o mesmo comissário deveria lembrar-se de quanto tempo levou o seu país a pagar dívidas, já para não falar de dívidas que entretanto foram perdoadas, com prejuízo para todos.