Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Dia D?

Tal como noutras ocasiões, este pode muito bem não ser o dia "D", o dia de todas as decisões na Europa. Segundo a comunicação social, Merkel e Sarkozy já chegaram a um acordo. A Europa é isto, o directório franco-alemão. Já o era no passado e ainda é mais hoje.
A reacção dos mercados não será, porém, favorável. Importa lembrar que a desgraça de muitos continua a ser a fonte de lucro de alguns e os mercados - auto-eficientes, racionais e tudo o mais como se tem visto - regozijam com o descalabro.
A Europa continua sem rumo. Cometeu um erro crasso ao abandonar a Grécia, ao não ter reagido atempadamente ao problema grego, permitindo que este problema se tornasse endémico. A Europa continua a errar quando se deixa refém de lideranças vergonhosas como é o caso da liderança francesa e alemã, adiando soluções, procurando remendar o que já necessita de mais do que um simples remendo.
A Zona Euro está em causa, hoje, como no passado recente. A continuar-se no mesmo rumo, o f…

Liberalismo no seu expoente máximo

A urgência em aprovar alterações à legislação laboral são sintomáticas da vertigem liberal do Governo actual. O Governo pretende ir mais longe do que a própria Troika, aplicando a lei aos contratos antigos. Segundo estes arautos do liberalismo, o mesmo que nos presenteou com a crise de 2007/2008, a protecção laboral é excessiva e constitui um óbice à competitividade do país.
É curioso como se esquece as verdadeiras razões da nossa fraca competitividade, como o tecido empresarial anódino, a falta de investimento nas empresas em matéria de equipamento e formação dos seus recursos humanos, os empecilhos próprios de um país pouco funcional, no que diz respeito à justiça, à Administração Pública, à burocracia.
No cômputo geral, esta é uma questão ideológica. Ataca-se o factor trabalho na crença que dessa forma se melhorará a competitividade da economia portuguesa. É assim com a redução da Taxa Social Única - redução dos custos com o trabalho - e é assim com estas mudanças na le…

Arrumar a casa

A necessidade de arrumar a casa é inquestionável. O país tem funcionado com excessos e alimentado vícios, tornando não só a despesa mais onerosa, assim como inviabilizando o funcionamento mais adequado do país.
O Governo prontificou-se a arrumar a casa, mas como é evidente esse arrumação passará pela redução da despesa e aumento da receita com claro prejuízo para os cidadãos, designadamente para a classe média. De que forma é que se compreende a assumpção de que os sacrifícios devem ser justamente repartidos por todos, mas na prática as grandes empresas e a banca que paga 4 por cento de IRS ficam de fora?
A ver vamos se a redução do número de autarquias será uma realidade, embora o memorando indique essa necessidade, não se esperam grandes mudanças a esse nível.
Por outro lado, para arrumar a casa, urge que se ponha um ponto final à promiscuidade entre poder político e poder económico. Não só pelas razões evidentes, mas sobretudo neste país os grandes negócios - os mais segu…

Auditoria à dívida

No turbilhão da crise da dívida soberana, existem questões que exigem respostas: que dívida é esta de que tanto se fala? Com que contornos foi criada essa dívida? Para quê? Qual o montante em causa? A quem devemos?
Estas perguntas só terão uma resposta cabal se for feita uma auditoria à dívida. As petições entretanto elaboradas não surtem o efeito desejado e é visível que não existe vontade política para que essa auditoria seja feita.
Por conseguinte, nenhum de nós sabe bem o que está a pagar, apenas nos são exigidos sacrifícios atrás de sacrifícios para uma utópica resolução do problema da dívida soberana. Em democracia exige-se que os cidadãos tenham acesso a toda a informação, muito em particular numa questão tão difícil quanto esta. Vamos pagar, ou melhor vamos pagando, sem saber sequer se toda esta dívida é legítima.
Uma auditoria só será efectuada se os cidadãos se mobilizarem nesse sentido. O peso da pretensa inevitabilidade inerente às medidas de austeridade impõem ma…

Capitalismo Financeiro

O capitalismo financeiro continua a fazer os seus estragos. Nem os EUA parecem passar incólumes a um sistema que parece caminhar no sentido da auto-destruição. A S&P ameaça baixar o rating da maior economia do mundo.
As agências de rating são a face mais visível de um sistema que se alimenta de excessos e de especulação, um sistema que deixou de centrar na produção de bens para se dedicar à especulação, degenerando naquilo que é comummente conhecido por economia de casino. A procura desenfreada de lucro é inerente ao capitalismo, é um facto. A diferença do capitalismo do pós-guerra é que este era refreado, era domado. A partir do momento em que a classe política se subjugou aos ditames dos mercados, esse controlo tão necessário desvaneceu-se, culminando nos resultados conhecidos. Hoje muitos intervenientes políticos que deixaram as suas economias reféns dos ditos mercados, não tem capacidade de lhes fazer frente, agindo como meros instrumentos de um sistema distorcido.…

Austeridade

Por cá, insiste-se na ilusão de quanto mais austeridade, melhor. O país concentra-se nesta via como solução para os problemas financeiros. Embora, seja por demais evidente que o caminho da austeridade degenera invariavelmente em recessão, desemprego, menos receita fiscal, mais sofrimento das populações. E tudo para quê? Para nada, como se vê por outros casos na Europa. Por cá, ainda se quer ir mais longe do que a Troika. Por cá, o Governo fala em buracos colossais, sem concretizar, e com a agravante de piorar a imagem do país.
A austeridade como panaceia para todos os problemas não é o caminho como o futuro encarregar-se-á de demonstrar, para aqueles que têm dificuldades em ver o que está a acontecer hoje. Todavia, a economia do país tem problemas que se manterão com maiores ou menores dificuldades financeiras. Urge combater-se o endividamento privado e melhorar as leis do arrendamento, apostando igualmente numa forte reabilitação urbana. É imperativo que a produtividade …

Orgulho de ser troikista

O primeiro-ministro português não se cansa de reafirmar a intenção do seu Governo de ir mais longe do que o que está estipulado no memorando da Troika. Há, de facto, uma espécie de orgulho na aplicação de medidas de austeridade e de medidas que visam a destruição dos serviços públicos e a abertura dos vários sectores da economia.
De igual forma, surgem os primeiros sinais de que sectores apetecíveis como o da Saúde, prestada pelo Estado, poderão deixar de o ser. As palavras do Presidente da República foram nesse mesmo sentido. Outro aspecto a ter em conta prende-se com as alterações previstas às leis laborais, previstas no memorando e muito caras ao partido do Governo.
Por cá ama-se a Troika. Ataca-se as agências de rating e pede-se mais de uma União Europeia vergada aos interesses que são os mesmos do partido do Governo. Tanto cá como lá, insiste-se na austeridade, pese embora os resultados sejam lastimáveis. Pelo caminho, o crescimento económico é relegado para segundo pla…