segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fernando Nobre

Fernando Nobre continua a dar que falar. Hoje será o dia em que Nobre vai a votos e a possibilidade de não conseguir reunir o número de votos suficientes é real. Fernando Nobre não encontra consenso no próprio partido de que faz parte, quanto mais nos restantes partidos que compõem a Assembleia da República.
Para além de não possuir experiência parlamentar, geralmente essencial para o desempenho do cargo em questão e, naturalmente, experiência essa que pesa no processo de escolha.
Fernando Nobre constituiu antes de mais uma desilusão para quem tinha visto nele a possibilidade de se fazer política de outra forma, fora da influência dos partidos políticos e foi apenas por essa razão que conseguiu os resultados que conseguiu nas presidenciais. Ora, estas desilusões são particularmente perigosas numa altura em que muitos se afastam dos partidos políticos e da política em geral.
Ninguém conseguirá compreender o que é que terá levado um homem a mudar de opinião assim tão subitamente. Procurará um lugar que faça a diferença, escolhendo a Presidência da Assembleia da República? É difícil perceber.
Para além de tantas incongruências, o senhor em questão desiludiu, em particular jovens que o apoiaram e que procuravam a diferença. Fernando Nobre não é diferente, é simplesmente mais um que parece não perceber o que mal que faz à democracia de um país cujas pessoas há muito deixaram de acreditar em políticos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Soluções esgotadas

Em bom rigor, as soluções a que se refere o título nem estão esgotadas, na verdade nem sequer são soluções. Fazemos referência às supostas soluções europeias para a crise da dívida soberana. Dir-se-á que a Grécia não é exemplo porque não cumpriu integralmente o que lhe foi exigido, mas já alguém pensou se o que foi exigido é passível de ser cumprido? A Grécia vive agora uma crise económica, política e social. Parafraseando Tony Judt, "somos todos filhos dos Gregos", como a memória é curta, acrescento eu.
Por cá, a dupla Passos Coelho e Paulo Portas discutem uma outra questão: Fernando Nobre, um político que fingia não ser, uma pedra no sapato de Passos Coelho. Quanto às soluções são as que já se previam, as que constam do memorando de entendimento e talvez, segundo Passos Coelho, se consiga ir mais longe, em que aspecto? Vamos ver.
Com efeito, a mensagem é a mesma: temos de cumprir um programa que acabará por redundar em recessão, adiando o tão necessário crescimento económico. De facto, não será possível sair da crise sem crescimento económico que por sua vez é inviabilizado por um programa de austeridade que contém medidas extraordinárias cujo efeito prático é quase nulo como a redução de pensões acima de um determinado valor, ou outras como a subida do IVA em determinados produtos, cerceando ainda mais o consumo, ao invés de se procurar aumentar esse mesmo IVA de bens importados.
Mas nem tudo é mau, pelo menos no domínio do mercado de arrendamento prevê-se algum dinamismo que poderá mudar um país repleto de proprietários endividados. Não deixa de ser exasperante que só agora se possa dar passos nesse sentido.
Todavia, e de um modo geral, as previsões para os próximos três anos são sombrias. E porventura ainda mais grave é a postura de alguns países da UE e as próprias instituições europeias que num novo exercício de sadismo adiam soluções para o grave problema grego. Não nos esqueçamos que o nosso futuro é, em larga medida, indissociável do futuro grego. Tudo indica que as soluções, a aparecerem, serão uma vez mais esgotadas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Instabilidade na Grécia

A Grécia, país que deixou uma herança indelével para a democracia, vive tempos conturbados. Depois de anos de irresponsabilidade dos seus governantes e após a recusa de qualquer laivo de solidariedade por parte da Europa, designadamente por parte da Alemanha que tanto beneficiou dessa mesma solidariedade, o país vive um turbulência política e social.
A Europa mostra novamente as debilidades em matéria de consenso, adiando uma solução para o problema grego. No país, o retrocesso social leva muitos cidadãos às ruas para mostrar o seu descontentamento que não raras vezes degenera em violência. Um dos princípios da Europa - o princípio do bem-estar social cai por terra -, depois do princípio da solidariedade já ter caído.
Os problemas que a Grécia atravessa são problemas de toda a União Europeia e não me refiro apenas ao potencial contágio. Todos os países sairão prejudicados com as dificuldades que a Grécia atravessa. Sem soluções, a possibilidade deste país, à semelhança de outros, sair da Zona Euro é uma realidade, mas será uma realidade onerosa para o povo Grego e será igualmente uma machadada no projecto europeu.
Os cidadãos esses continuam meio adormecidos, acordam aqueles que já estão a sentir na pele a injustiça e o retrocesso do bem-estar social. Uma Europa que é construída à revelia dos cidadãos e em muitos casos contra os cidadãos acaba inevitavelmente por redundar num projecto falido.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os senhores que se seguem

Os senhores que se seguem não entusiasmam, foram eleitos consequência da má prestação do anterior governo. Vingou a postura da alternância - se um fica desgastado, escolhe-se o outro que por sua vez, sem maioria absoluta, convida o parceiro natural para formar coligação.
A ausência de entusiasmo não se prende apenas com a difícil situação do país e com a imposição de um programa externo, prende-se igualmente com o afastamento dos cidadãos relativamente a uma classe política vista como uniforme, pouco competente e centrada em interesses que pouco se coadunam com o interesse dos cidadãos.
Assim, não causa espanto que os senhores que se seguem não causem grande entusiasmo, desde logo porque foram eleitos na perspectiva da alternância, porque estão comprometidos com um programa externo - e querem ir mais longe - e, claro está, porque estes partidos políticos não entusiasmam ninguém, porque são partidos dedicados à distribuição de lugares, a negociatas mais ou menos obscuras e compostos por gente subserviente e submissa a ditames da UE, da banca e de grandes empresas. São partidos que deixam para a classe média e para as classes mais baixas o ónus de aguentar um barco que deixa entrar água por todo o lado.
Não é possível que os senhores que se seguem não percebam que se continuarem a agir como tem sido hábito até aqui é a democracia que sai fragilizada, dia após dia.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Europa em rota de colisão

A falta de entendimento entre as instituições europeias e alguns Estados da União Europeia continua a fazer o seu caminho. As divergências em relação à forma como lidar com o problema das dívidas soberanas só agrava a situação de países como a Grécia, Portugal, Irlanda e também Espanha
A crise das dívidas soberanas veio revelar a enorme fragilidade do Euro e de toda a estrutura económica da Zona Euro. Essa fragilidade e ausência de entendimento têm como resultado imediato a subida das taxas de juro, dificultando o financiamento de países cujas dificuldades são já incomensuráveis. De igual modo, há quem beneficie desta situação, exigindo juros altos em nome do nervosismo dos credores.
Enquanto os líderes dos maiores países europeus e das instituições europeias mostram as suas divergências, a vida dos cidadãos de países como a Grécia, mas também Portugal conhece novas dificuldades.
Não deixa contudo de ser curioso que no seio da UE não se discuta uma verdadeira solução para as fragilidades da Zona Euro, designadamente a questão do Orçamento, da uniformização fiscal e dos poderes do BCE. Recorde-se que a proposta de emissão de títulos europeus para os países da Zona Euro ou a criação de uma agência europeia de rating continuam na gaveta e pelo andar da carruagem tão cedo não sairão de lá. Pelo caminho a Europa continua em rota de colisão e as vítimas serão todos, hoje os Gregos, Portugueses, Irlandeses, Espanhóis, amanhã quem sabe os próprios Alemães.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sucessão no PS

Francisco Assis e António José Seguro são, até ao momento, os possíveis sucessores de José Sócrates. Um conta com os apoiantes de Sócrates, o outro destacou-se por ter se afastado de José Sócrates. Seja como for, o PS necessita uma profunda mudança, depois de largos anos de liderança de José Sócrates.
Com efeito, a liderança de José Sócrates deixou uma marca indelével no Partido Socialista, trazendo à superfície os podres do partido. Foi notória a estranha consonância em torno do líder, a oposição interna foi quase inexistente, o caciquismo e a partidocracia marcaram estes anos.
Qualquer que seja o futuro líder do partido tem que romper com este passado recente. Não chega ter o apoio das bases do partido ou das estruturas locais e regionais quando os cidadãos se afastam inexoravelmente da política. Os líderes dos partidos políticos têm que perceber que hoje, talvez mais do que nunca, são necessárias mudanças, caso contrário é o futuro da democracia e por inerência, dos partidos políticos que está em causa.
Desde logo, torna-se imperativo que o novo líder do PS, seja ele quem for, discuta política e faça um esclarecimento ideológico. Não chega auto-intitular-se socialista para depois a prática vir desmenti-lo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O problema grego

Não deixa de ser inquietante que um país, por razões meramente financeiras, seja tratado como um problema e, não raras vezes, seja mesmo tratado como se tratasse de um pária. É precisamente isso que está acontecer com a Grécia. As suas dificuldades de financiamento e orçamentais transformaram-se em crimes aos olhos das instituições europeias e de alguns países europeus cuja memória é incomensuravelmente curta.
Discute-se agora a possibilidade de reestruturação da dívida, surgindo divergências entre BCE e países como a Alemanha. Nesta farsa chamada Europa, os consensos são invalidados em virtude de palavras como a "solidariedade" e "bem-estar" social terem desaparecido. Talvez se se tivesse olhado atempadamente para a Grécia numa perspectiva de solidariedade, os problemas que hoje a Europa atravessa não existiriam ou não teriam esta dimensão.
A Alemanha, por sua vez, age como se estes problemas que afectam as chamadas economias periféricas não viessem a ter efeito na sua própria economia - a Alemanha que tem contribuído de forma inigualável para a construção Europeia e para a Zona Euro, mas também o país que mais tem beneficiado.
A União Europeia encontra-se numa encruzilhada: ou encontra soluções no quadro dos valores basilares da construção europeia - valores de solidariedade em busca do bem-estar social, ou aproxima-se do seu fim, começando pela saída de países da Zona Euro, deitando por terra um dos projectos mais promissores que o mundo já conheceu.