terça-feira, 7 de junho de 2011

Novo Governo

Depois das eleições de domingo que deram uma maioria ao PSD e ao CDS em coligação, espera-se agora que os dois partidos se entendam para formar Governo. Já se percebeu que não há tempo a perder.
Este novo Governo - o que sair do entendimento entre os dois partidos - não tem tempo a perder. Há um caderno de encargos para cumprir chamado memorando de entendimento.
O novo Governo já animou os mercados. Trata-se afinal de um Governo de maioria e ainda para mais de direita. Razões mais do que suficientes para agradar aos mercados. Além do mais, Passos Coelho já sublinhou a vontade do seu partido em ir mais longe do que a Troika. O novo primeiro-ministro quer surpreender. Desconfia-se que quem vai sair surpreendido de toda esta história são muitos Portugueses que votaram neste PSD.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Resultados das eleições

O PSD ganhou as eleições com uma vantagem considerável, provavelmente acima do que muitos esperavam, sobre o PS e, em consequência, talvez a melhor notícia da noite: José Sócrates abandonou a vida política activa, pelo menos garantiu que não ocupará nenhum cargo político nos próximos tempos. O CDS consolidou a sua vantagem e fará parte do novo governo em parceria com Pedro Passos Coelho. A CDU ainda conseguiu eleger mais um deputado e o Bloco de Esquerda foi o outro grande derrotado da noite.
A primeira ilação a retirar dos resultados de ontem é que a direita está em clara vantagem no parlamento e será a direita naturalmente a formar governo. Assistiu-se a uma inversão que embora esperada, foi talvez mais longe do que se pensaria. Aqui entende-se direita, no caso do PSD do ponto de vista das políticas económicas e no caso do CDS a sua posição tem sido de centro-direita.
Destas eleições, o PS deverá escolher uma nova liderança e deverá perceber que se José Sócrates tivesse abandonado o cargo atempadamente, a noite de ontem não seria tão desastrosa. O Bloco de Esquerda também deverá fazer uma profunda reflexão, recorde-se que este partido perdeu cerca de metade dos deputados.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O voto

No próximo domingo os cidadãos vão escolher uma nova composição da Assembleia da República. Como todas as sondagens indicam e como não se trata propriamente de uma surpresa, já se percebeu de que forma é que será constituída a Assembleia da República, ou seja os mesmos do costume.
De facto as dúvidas ainda se prendem com que formará Governo, embora tudo indique que será o PSD, e com quem.
O sentido de voto em Portugal e em grande parte dos países ocidentais está manifestamente condicionado pela comunicação social, por muito que se finja que as pessoas são livres para escolher a verdade é que essa pretensa liberdade é condicionada pela informação e pela exposição que chega às pessoas. Por conseguinte, neste jogo distorcido, quem tem uma ampla exposição tem mais probabilidades de ser eleito, deixando pouco espaço para quem tem uma dimensão mais pequena e não conta com a atenção dos média. A excepção são pessoas como o candidato presidencial madeirense, José Manuel Coelho, que consegue atrair a atenção da comunicação social recorrendo a práticas pouco ortodoxas.
De igual modo, os partidos mais pequenos não contam com máquinas partidárias e com o dinheiro que os partidos do espectro do poder contam. Não há uma grande mobilização de militantes, não há autocarros cheios de pessoas que amiúde nem sabem ao que vão e, essencialmente, não há o aparato da comunicação social sempre à espera do espectáculo deplorável com que os principais partidos nos brindam.
O voto é por muitos interpretado como uma forma de escolha, mas também deve ser encarado como um meio de castigar quem pouco tem feito pelo país e pela democracia portuguesa. Infelizmente, não é isso que as sondagens nos dizem, nem será certamente isso que vai acontecer no próximo domingo. Esquece-se com demasiada frequência que as mudanças tão necessárias aos partidos não vêm do seu interior e não serão de sua iniciativa. Enquanto os cidadãos continuarem a compactuar com a actual situação, nada mudará.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cultura democrática

As crises económicas têm consequências a vários níveis e quanto mais profundas mais se agudizam determinadas características de muitos cidadãos com maior ou menor responsabilidade. Depois de semanas exasperantes e campanha eleitoral, ficou bem patente a ausência de cultura democrática que prolifera em alguns partidos e, não menos importante, em muitos cidadãos.
A falta de respeito pelos comícios dos partidos e a consequente e inadmissível forma como membros desses mesmos partidos lidam com a falta de cultura democrática, demonstrando eles próprios um défice democrático diz muito do nosso pais.
Desde políticos como o ainda primeiro-ministro que pouco ou nada fez para consolidar a democracia portuguesa até ao cidadão comum que em tempos de desespero almeja por quem ponha isto na ordem ou cai em saudosismos pouco saudáveis, a verdade é que o país não tem apenas um défice das contas públicas, há um outro défice pouco discutido que torna o país mais pequeno a cada dia que passa.
Na verdade, o país depois de anos de encerramento intelectual e prostração psicológica, continua a demonstrar que a cultura democrática não faz parte das preocupações, muito pelo contrário.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha eleitoral e o Estado Social

De nada adianta andar-se a apregoar a defesa do Estado Social se não existirem meios de garantir a sua sustentabilidade. De igual modo, há quem alegue fazer a sua defesa, mas subvertendo a própria natureza do Estado Social. Ambas as posições podem ser encontradas nas propostas dos principais partidos.
De resto, é notório que a discussão em torno do Estado Social que pretende servir de bandeira do Partido Socialista tem caído reiteradamente na mais abjecta vacuidade. De facto, não se discute o Estado Social, a forma de garantir o seu financiamento e a própria filosofia que lhe subjaz. Apenas se afirma fazer a sua defesa.
Não se retira nada de elucidativo sobre o Estado Social e sobre outros assuntos desta campanha eleitoral. O tempo é gasto em frases de acusação mútua numa espécie de exercício pueril e desfasado da realidade que nos atinge.
Sobre o Estado Social importa perceber se a sua abrangência é viável, se não deveria estabelecer um conjunto de prioridades na área da Saúde (com o reforço do Sistema Nacional de Saúde), na área da Educação e Segurança Social. Infelizmente, esta e outras questões têm sido ignoradas por quem se propõe governar Portugal em conjunto com a Troika, claro está.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Contagem decrescente

A escassos dias do fim da campanha eleitoral, torna-se difícil esconder o meu contentamento. Aliás, é um misto de contentamento e de alívio. O fim da campanha eleitoral representa o fim de semanas de agonia própria de partidos políticos que discutiram tudo menos políticas e que se distanciaram da realidade dura que se avizinha. O comportamento dos seus líderes tornou-se mesmo exasperante, tal é o desfasamento entre o seu discurso ou vacuidade - como lhe queiram chamar - e a realidade dos factos.
Por conseguinte, e independentemente de quem sai vencedor das eleições de dia 5 de Junho, a verdade é que o programa está estipulado, tem a designação de memorando de entendimento e todos clamam pelo seu cumprimento integral. A ver vamos se o seu cumprimento escrupuloso será suficiente.
Até ao próximo fim-de-semana, a campanha vai intensificar-se. Não no sentido da discussão de politicas, mas antes através de polémicas e vacuidades várias. Até ao próximo fim-de-semana vamos ouvir os mesmos senhores que são responsáveis pelo descalabro do país agirem como se a culpa fosse do vizinho do lado - os mesmos que nada fizeram para melhorar o estado da Justiça; os mesmos que usaram a educação para tudo e para mais alguma coisa menos para o seu fim; os tais que instituíram a partidocracia; os tais que nada fizeram para combater a corrupção; os mesmos que trocaram o tecido produtivo pelo endividamento. Um deles vai governar o país.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Democracia enfraquecida

Paradoxalmente, a democracia sairá enfraquecida das eleições que se aproximam. Sai enfraquecida pela ausência de entusiasmo que criou numa vasta franja da população que preferia ver discutidas ideias do que a constante troca de acusações de quem já nada tem para oferecer ao país. Sai enfraquecida porque a própria soberania do país é posta em causa com o entendimento entre os principais partidos e instituições europeias - o verdadeiro programa eleitoral é o memorando de entendimento. A democracia sai enfraquecida culpa dos principais partidos políticos que se mantêm herméticos, enclausurados numa redoma de interesses próprios e cegos às próprias sociedades.
Não são as repetidas imagens que as televisões passam de uma campanha eleitoral em que os líderes do PS e do PSD surgem rodeados de multidões de fervorosos adeptos, perdão, simpatizantes que nos dizem que estas eleições entusiasmam a generalidade dos portugueses, pelo contrário, os partidos precisam dessas pessoas para criar a ilusão que está tudo muito bem.
Não está tudo muito bem. A perda de soberania do país aliada a uma descrença crescente relativamente aos políticos mina a democracia. Os partidos políticos que alternam o poder entre si agem como se tudo estivesse bem e, infelizmente, muitos cidadãos insistem em dar votos de confiança a quem recusa a mudança, a quem insiste nos erros e agarra-se aos vícios. Embora, a democracia seja a regra da maioria e a maioria não pareça particularmente entusiasmada com estes partidos políticos, o certo é com maior ou menor dispersão de votos os partidos do costume são eleitos.
Para finalizar, importa sublinhar que a abstenção tem sido consideravelmente alta, o que é sintomático da tal descrença dos cidadãos relativamente à política. Todavia, a não participação na democracia nunca será solução para resolver os problemas que se têm vindo a instalar no nosso sistema democrático.