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Mensagens

Ainda as ilusões

As críticas aos vários partidos políticos que têm assento parlamentar são recorrentes, mas a postura do ainda primeiro-ministro e a passividade e subserviência do PS são surreais. As ilusões continuam a ser o centro da retórica do primeiro-ministro. A julgar pelas suas intervenções, a sua governação foi extraordinária, garantindo um país com futuro. Ignora-se o facto do país estar na pior situação económico-financeira do último século.
Já aqui se referiu o peso que a crise internacional e a voracidade dos mercados financeiros tiveram no desfecho que conhecemos, mas seria pouco honesto não reconhecer que fomos atacados precisamente por estarmos numa situação fragilizada - situação essa que foi consideravelmente agravada pela a acção do Governo de José Sócrates. Défice, dívida e ausência de crescimento económico e, ainda mais grave, ausência de perspectivas desse mesmo crescimento económico foram determinantes. Há responsáveis e José Sócrates é um indubitavelmente o maior re…

Grécia

Os problemas em torno da dívida soberana grega continuam em recrudescimento. Nem as tão apregoadas medidas impostas pelo FMI parece estarem a surtir efeito, pelo contrário, terão agravado a dificuldade deste país recuperar. Agora discute-se a possibilidade da Grécia receber um segundo pacote de ajuda, no valor de 60 mil milhões de euros. Volta-se a insistir em receitas que não estão a surtir efeitos e aguardam-se quais as compartidas dessa ajuda - mais austeridade? Mais recessão? Mais desemprego? Mais miséria?
O que está a acontecer à Grécia não pode ser analisado como um problema comum, um problema europeu. Embora o anterior governo grego tenha demonstrado uma acentuada irresponsabilidade, não é menos verdade que a Europa demorou muito tempo a responder ao problema grego, permitindo que os problemas se agravassem sobremaneira. Era e é mais importante responder aos ímpetos egoístas dos eleitores de cada país do que resolver um problema cujas consequências serão para todos.…

Razões externas e internas

As dificuldades que obrigaram o Governo português a recorrer à famigerada "ajuda externa" são consequência de erros cometidos internamente, mas também são a consequência de circunstâncias externas de ataque concertado às economias mais frágeis da Zona Euro, num claro ataque à própria moeda única.
A União Europeia que deixou o seu destino nas mãos de fracas lideranças como é o caso da chanceler alemã e do Presidente francês, vive refém de políticas que mais não fazem do que agravar a já difícil situação das chamadas economias periféricas.
Não deixa de ser curioso ver o ataque dos mercados a países como Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha quando deixaram de fora países com situações económico-financeiras muito débeis como é o caso da Itália. Neste contexto de globalização financeira, em que as agências de rating conseguem ter mais poder do que governos legitimamente eleitos, não seria de esperar outra coisa do que um ataque a estes países, ataques que redundam em in…

Esquecer o passado

Parece ser a palavra de ordem de muitos cidadãos, a julgar pelos resultados das sondagens. Esquecer o passado, em particular o passado recente. Talvez isso justifique as sondagens que dão o PS à frente dos restantes partidos da oposição.
O que está em causa nas eleições de dia 5 de Junho é essencialmente responsabilizar os representantes políticos que nos trouxeram até uma situação de agonia e humilhação. Não parece ser o que está em causa, pelo menos para aqueles que participam nas sondagens. Os outros que foram coniventes (uns mais do que outros, é certo) também não serão particularmente prejudicados.
É assim que Portugal é humilhado e passa a estar sob jugo de entidades internacionais, levando os seus cidadãos ao ponto da insustentabilidade. As dificuldades que vão recrudescer e as que afectam tantos e tantos Portugueses não são, apesar de tudo, razões suficientes para penalizar quem tanto prejudicou o país.
Entretanto discute-se a possibilidade de um pedido de ajuda exter…

Um país mais pobre

Depois do anúncio das medidas anunciadas hoje pela Troika, mas entretanto conhecidas, percebe-se que José Sócrates cumpre aquilo que prometeu numa intervenção que foi considerada um tropeção na língua: José Sócrates prometeu um país mais pobre e parece querer cumprir.
As medidas anunciadas, resultado das negociações com a Troika apontam como alvo a classe média que atolada em impostos procura manter a cabeça à tona de água. Mais impostos, mais empobrecimento para quem trabalha e aprofundamento da agonia de quem está no desemprego, no fundo é esta a receita negociada com a Troika e da qual José Sócrates parece ter tanto orgulho.
Quanto aos problemas de fundo da economia portuguesa, pouco será feito no sentido de aumentar a competitividade e a ineficiência de um Estado que gasta incrivelmente acima das suas possibilidades: a redução da taxa social única, facilidade nos despedimentos, diminuição do subsidio de desemprego (tempo e valor), ambiguidades no sentido de criar mais e…

O filme dos últimos anos

Numa altura em que se aguardam as medidas de austeridade que servem de contrapartida ao pedido de "ajuda" à Troika, importa analisar o filme dos últimos anos. Com efeito, é indiscutível que a grave crise que o país atravessa é também consequência da incapacidade que a Europa demonstrou ter para atenuar os efeitos de um ataque concertado ao euro e a voracidade inacreditável de mercados e agências de rating que, curiosamente, estiveram no cerne da crise de 2008.
Todavia, existem responsabilidades que não podem ser imputas em entidades externas. Embora a UE, designadamente a Zona Euro, demonstre não ter os instrumentos necessários para fazer face às crises do capitalismo financeiro, crises que se multiplicarão, o país também não demonstrou ter sentido de responsabilidade e visão de futuro.
Desde os governos do betão, os mesmos liderados por quem hoje fala do mar como um desígnio nacional, mas que foi conivente com a más políticas na agricultura e nas pescas, passand…

Um bom acordo

A declaração de José Sócrates com o objectivo de desmistificar algumas das medidas acordada com a Troika foi uma jogada de mestre. O acordo apelidado de "bom acordo" é largamente baseado naquilo que seria o PEC IV. O anúncio do primeiro-ministro de que o 13º. e 14º. mês serão pagos, a inexistência de despedimentos na Administração Pública, a inexistência de cortes em salários e pensões (cortes nas pensões só a partir do 1.500 euros) será o suficiente para muitos respirarem de alívio.
Convenhamos que o acordo, embora ainda não se saiba tudo, é menos negativo do que aquilo que se estaria à espera. Talvez os fracassos na Grécia e na Irlanda terão tido o seu papel a desempenhar em todo este processo.
Apesar de se ter conseguido mais tempo para combater o défice, os problemas de fundo mantêm-se e agravar-se-ão nos próximos anos de recessão. Seja como for em política o passado é rapidamente esquecido e tenta-se não pensar excessivamente no futuro. Nestas circunstâncias…