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Mensagens

Indiferença

Depois de décadas de apatia, o recurso ao pedido externo de ajuda pode agravar ainda mais a apatia dos cidadãos. Com efeito, o facto de ser o Fundo Europeu de Estabilização Financeira em pareceria com o FMI a ditarem as regras, contribuirá consideravelmente para o aumento da sensação de impotência e resignação dos cidadãos.
Ora, apesar da entrada desses mecanismos com o objectivo de financiar o país, as decisões dos responsáveis políticos portugueses continuam a ter um peso considerável. De resto, importa sublinhar que os problemas que o país atravessa são também nossa responsabilidade, são consequência de uma sociedade que, excepto grupos corporativos, não se organiza em torno de um objectivo comum; uma sociedade que se deixa ser refém de partidos políticos que conduziram o país à actual situação; uma sociedade adormecida; uma sociedade que se demitiu de participar mais activamente na vida do país.
A indiferença, a incapacidade de intervenção e, porventura mais grave, a id…

Ajuda externa

Como era expectável, Portugal recorreu ao Fundo Europeu de Estabilização financeira juntamente com o FMI. Depois de uma década de más políticas, depois da crise de 2008 e a demora do Governo em reagir, depois da austeridade contraproducente imposta por Berlim pela voz de Bruxelas, depois de falta de capacidade de negociação dos responsáveis políticos portugueses, depois da ausência de consensos entre os partidos políticos chega agora a ajuda externa sob as premissas do FMI e as subsequentes políticas de empobrecimentos inteiramente subscritas pelos principais partidos políticos.
Perdemos capacidade de decisão que, aliás, já estava condicionada pelos ditames de Berlim, perdão, Bruxelas, ficando reféns de políticas de forte austeridade que visam recuperar o dinheiro emprestado pelos bancos estrangeiros e abrir vários sectores da economia ao capital, também esse oriundo de fora, ao mesmo tempo que se liquida paulatinamente o Estado, a sua capacidade de intervenção, reduzindo-…

Uma desilusão chamada Europa

Todos nós já conhecemos uma desilusão chamada Portugal, país cujas soluções políticas mostram-se esgotadas a cada dia que passa. Porém, há uma outra desilusão chamada Europa, mais concretamente União Europeia dominada pelo Eixo Franco-Alemão, conspurcada pelo mesmo ideário que deu origem à crise. A União Europeia transformou-se numa mera união económica e monetária. Palavras como solidariedade, paz e bem-estar social - que estiveram na origem da própria UE - são palavras vazias de sentido.
Portugal, apesar das suas escolhas amiúde desastrosas, tem duas opções, ambas que nos entregam aos lobos: ou aguentar o paroxismo das últimas semanas até chegar ao ponto de não se conseguir financiar ou recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao Fundo Monetário Internacional e aguentar o empobrecimento daí decorrente, com a agravante de não ser garantido que se consiga resolver os problemas do país.
A Zona Euro está desprovida de mecanismos que permitam fazer face ao ataq…

Aliança à esquerda

Surge a possibilidade de um entendimento entre PCP e Bloco de Esquerda. Concorde-se ou não com o ideário destes partidos, não se pode deixar de reconhecer que uma união de esforços pode trazer vantagens para ambos os partidos e até para o país, isto numa altura de manifestas dificuldades de entendimento entre os vários partidos políticos.
Lamenta-se precisamente que esses entendimentos só se vislumbrem no horizonte neste momento e não no passado. Este entendimento à esquerda não vai seguramente contar com a participação do Partido Socialista, embora ainda tenha na sua designação a palavra "socialista" (socialismo de terceira via?). Será um entendimento em torno de políticas contrárias às políticas de austeridade.
De resto, percebe-se que a esquerda radical no sentido que é a que protesta com mais veemência contra o actual sistema em vigor, está representada, o liberalismo encontra o seu espaço na voz do PSD, o PS finge-se socialista com pouca convicção e a social-…

A democracia é muito mais do que isto

Há quem apregoe que os recentes acontecimentos políticos são sintomáticos do pleno funcionamento da democracia. Esse é um facto insofismável. Todavia, também é verdade que a democracia é muito mais do que isto. É muito mais do que a inércia dos cidadãos que apenas se mobilizam de forma corporativa (salvo raras, honrosas e recentes excepções) e é muito mais do que um país refém de dois ou três partidos herméticos e famintos de poder.
A democracia não é um sistema perfeito. Para contrariar essas imperfeições existem mecanismos para contrabalançar poderes, factores determinante para o bom funcionamento da democracia. De igual forma, os partidos políticos são um dos pilares da democracia, porém a letargia da sociedade legitima reiteradamente partidos indiferentes a essa mesma sociedade e não proporciona as condições para o aparecimento de novas forças políticas. Os cidadãos vivem convencidos que não há mais do que isto, quando a democracia é um sistema flexível que permite ag…

Maus exemplos

Hoje foi notícia o aluguer de viaturas topo de gama por parte da Administração da Carris, precisamente no ano em que o buraco financeiro ascendeu aos 776.6 milhões de euros.
Ora, este é mais um exemplo do funcionamento distorcido do Estado, das suas empresas ou das empresas com o seu capital. É incompreensível como é que alturas de grande contenção em virtude do descalabro das contas públicas, em altura em que se pedem aos Portugueses sacrifícios incomportáveis, se assista ao descaramento de empresas públicas que a conivência do Governo fazem o que bem entendem.
Na verdade, e para além do dinheiro gasto em ostentação, a questão do exemplo é absolutamente desprezada. Este discurso nada tem de demagógico e apenas vem corroborar aqueles que apontam o Estado como o responsável pelo descalabro do país, sugerindo medidas de cortes que acabam por afectar os mesmos que já aguentam todos os sacrifícios imagináveis.
É curioso verificar que os dois maiores partidos portugueses mostram u…

Linhas de orientação do programa do PSD

O PSD apresentou ontem as suas linhas de orientação para a elaboração do Programa Eleitoral. Como a designação indica tratam-se de linhas de orientação sendo, pois, intrinsecamente vagas. De qualquer modo, já é possível vislumbrar algumas ideias que o PSD de Passos Coelho pretende implementar.
Tudo começa com críticas à actual governação, o tom crispado é de quem já está em campanha eleitoral. Depreendemos que o PSD esteve apenas na oposição nas últimas décadas.
Critica-se o modelo de desenvolvimento. As críticas têm fundamento. Afinal de contas, o país endividou-se acima das suas possibilidades, deixando para segundo plano o crescimento económico, entrando numa espiral que culminará com a entrada de instituições internacionais que nos dirão o que fazer e o que não fazer. Esse modelo seguido redundou no empobrecimento do país. É um facto. Não se percebe muito bem, devido à natureza vaga do documento, que outro modelo pretende o PSD implementar. Mas é possível detectar algun…