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Mensagens

O liberalismo de Pedro Passos Coelho

No livro "Voltar a Crescer", Pedro Passos Coelho encontra o guião para o seu programa político O que sobressai das medidas propostas pelo livro é o seu cariz eminentemente liberal. A ideia de se privatizar hospitais, enfraquecer preponderância do Estado na Educação e flexibilização do mercado do trabalho são ideias a reter.
Importa, pois, que os Portugueses pensem sobre estas questões. As ideias preconizadas por Passos Coelho vão no sentido de menos Estado, na pior das acepções. A ideia não é tornar o Estado mais eficiente, mas reduzi-lo ao seu expoente mínimo. É hoje que importa começar a pensar nestas questões. Por muito que nos tentem vender a ideia de que a privatização da Saúde trará melhorias para os cidadãos, essa ideia é errada e trata-se, afinal, do primeiro passo para a destruição do Estado Social que perde dois dos seus pilares: a Saúde e a Educação.
Só o facto de Passos Coelho ter escolhido empresários para a elaboração do seu livro, diz muito das suas…

O Carnaval de Sócrates

O jantar do partido socialista foi interrompido por "uma brincadeira de Carnaval". Palavras do primeiro-ministro. Um pequeno grupo de jovens ligados ao movimento "Geração à rasca" tentou dar voz ao seu protesto. Segundo algumas almas mais melindradas, o protesto dos jovens não é admissível. Afinal de contas, interromperam o jantar de um partido político. E isso, não pode ser, Quanto à forma "democrática" de expulsar os jovens da sala, nem uma palavra. No fundo, era só uma partida de Carnaval.
Talvez se possa dizer que o desemprego, a precariedade e a angústia que tomou conta de tantos jovens e menos jovens não passem de uma brincadeira de Carnaval. A julgar pela forma como o desemprego e o trabalho precário têm sido tratados pelo Governo, de facto só pode deduzir que se trata de uma brincadeira. Não será esse o entendimento de desempregados e precários que desesperam por mais dignidade.
Os jovens que protestaram no sagrado jantar do PS merecem …

"Portugal em apuros"

As palavras em epígrafe são do ex-Presidente da República Jorge Sampaio. Parte da premissa que é necessário encontrar entendimentos entre os vários partidos políticos de modo a encontrar soluções para o país. Parece-me evidente que as palavras de Jorge Sampaio não vão colher grandes apoios entre a maior parte dos cidadãos fartos dos partidos políticos.
Com efeito, existe um evidente desgaste dos vários partidos políticos com assento parlamentar, consequência do seu hermetismo, da sua estagnação e, sobretudo, consequência do facto desses mesmos partidos políticos serem reféns de interesses alheios ao interesse do país.
Ora, o afastamento abissal dos partidos políticos e dos cidadãos cria um problema grave: hoje confunde-se a política e a sua importância com aqueles que compõem os vários partidos políticos. O perigo está em não perceber que só a política - muito em particular nos tempos em vivemos - pode salvaguardar o bem comum. Isso é tanto mais verdade quando vivemos o per…

Angela e José e o futuro da Europa

O encontro entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro ministro português não trouxe grandes novidades. Segundo o Governo português o saldo da reunião é positivo. A chanceler elogiou as reformas que Portugal pretende implementar, mas sublinha a necessidade dessa implementação.
Mais do que uma reunião entre o primeiro-ministro português e a chanceler alemã, este foi o encontro de duas realidades antagónicas: a realidade de um país prostrado, à mercê dos mercados, que vive a ansiedade do próximo relatório de uma agência de rating ou da eminência de um pedido de ajuda externa; a outra realidade é de um país com uma economia forte que se destaca cada vez mais pela sua preponderância a nível europeu, deixando mesmo a ideia de que a Europa é a Alemanha. Pelo menos a sua palavra parece valer mais do que a de todos os outros Estados-membros.
São estas as duas realidades antagónicas de uma Europa que deixou cair os seus valores fundadores, como a solidariedade entre Estados…

José e Angela

José Sócrates reúne-se com a chanceler alemã com o objectivo de a convencer que nós somos bem comportados segundo os parâmetros alemães e para tentar mostrar ao exterior (leia-se aos mercados) que a economia portuguesa é séria e estável. Provavelmente como a economia islandesa já um dia foi.
À mercê da Alemanha e de agências de rating - as mesmas que diziam que o lixo financeiro era uma maravilha ou que países como a Islândia eram oásis da economia mundial - José e Angela encontram-se.
José a Angela têm muito pouco tempo para conversarem - segundo a comunicação social, apenas 30 minutos. José vai tentar argumentar que a economia portuguesa é solida e que estamos muito empenhados em resolver o problema das contas públicas. Angela habituada a um país em crescimento de tal ordem que acentua incomensuravelmente as assimetrias com grande parte da Europa, dificilmente fará outra coisa que não seja insistir na austeridade muito sua querida e prolongar este longo estertor que se ch…

Protesto contra a precariedade

Ainda antes de ter lugar em Lisboa e no Porto, o protesto de dia 12 de Março do Movimento Geração à Rasca já é um vencedor. É um vencedor por ter utilizado as redes sociais para chamar a atenção para um problema que condiciona inexoravelmente a vida dos jovens e que compromete o futuro do pais. Os organizadores do protesto merecem a nossa consideração por terem mostrado ao país que a cidadania é muito mais do que cumprir as obrigações fiscais e exercer o direito de voto.
Sejamos realistas: um país cujos cidadãos são pouco participativos na vida colectiva é um país que necessariamente terá mais dificuldades. A democracia também é pluralidade de opinião e a expressão dessa opinião; a democracia também é a organização de cidadãos em torno de um objectivo comum. Não chega expressar o descontentamento em casa onde ninguém nos ouve.
O protesto contra a precariedade é um sinal positivo no meio de tempos manifestamente conturbados. Esperemos que a adesão das pessoas não venha a def…

O Destak e a precariedade

Hoje o jornal Destak dedicou duas páginas ao tema da precariedade, com especial enfoque no famigerado artigo de opinião da directora Isabel Stiwell. Recorde-se que a directora do jornal em questão abordou o tema da música dos Deolinda "Parva que sou" num artigo de opinião que originou algum descontentamento.
Agora a directora do jornal procura retratar-se, não retirando o que escreveu, mas alegando que talvez tenha sido mal interpretada. Não foi. Isabel Stiwell abordou o tema da precariedade como alguns fazem em Portugal, ou seja relativizou-o, procurando sublinhar a necessidade dos jovens darem o melhor de si num país em que o melhor de cada um não tem propriamente a importância merecida. A directora do Destak relativizou a questão da precariedade e por essa razão foi severamente criticada.
Concorda-se naturalmente com a directora do Destak quando a mesma se queixa dos impropérios que lhe terão sido dirigidos e com o facto de viver num país onde existe liberdade d…