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Mensagens

Os sete pecados do PS

Ana Benavente criticou severamente o partido a que pertence. Não se trata de uma novidade, a ex-Secretária de Estado pertencente ao Governo de António Guterres é uma das mais veementes críticas do Partido Socialista liderado por José Sócrates. Em entrevista à Revista Lusófona de Educação, Ana Benavente chega mesmo a enumerar os sete pecados mortais do PS: o neoliberalismo; a inexistência de debate e o autoritarismo; as dependências do país; a propaganda; a falta de ética; a destruição de políticas sociais paradoxalmente encetadas pelo PS; falta de credibilidade.
As críticas são acertadas e têm uma importância reforçada por serem tecidas por alguém do partido, isto quando o silêncio parece ser a regra de ouro do PS. Excepção feita a meia-dúzia de membros do PS que insistem em criticar a ausência de debate interno, a inexistência de ideias e até a conduta do ainda primeiro-ministro.
As críticas de Ana Benavente são as mais acertadas. Aliás, é difícil refutá-las. Sejamos reali…

A instabilidade do Egipto e a voracidade

Existe um elemento que é indissociável do grave período de instabilidade que se está a viver no Egipto, mas também noutros países do Médio Oriente e do Magrebe: a voracidade especulativa. Passamos a explicar; o Egipto, a par de outros países da região e do mundo, são vítimas de investidores de Wall Street que deixaram os produtos tóxicos do subprime para passaram a ter como alvo a especulação sobre matérias-primas. Não é causa de grande espanto que o preço dos alimentos tenha vindo a subir consideravelmente desde 2008 (neste mesmo blogue já se tinha chamado a atenção para os perigos dessa subida). Ora, em países com elevados níveis de pobreza e de desemprego, estas subidas não podem fazer outra coisa que não seja inflamar os ânimos.
Para além disso, o Egipto e outros países da região tem características que não lhes permitem fazer face a aumentos do preço dos alimentos. Recorde-se que apenas 5% do solo egípcio é fértil.
Em suma, o aumento dos bens alimentares, o desemprego e…

Ainda o Egipto

Hoje é o "dia da partida", dia escolhido pela oposição egípcia para Hosni Mubarak, o Presidente do Egipto, abandonar o cargo. Depois de semanas de tensão e dos últimos dias de violência nas principais cidades egípcias, não é de excluir que o dia de hoje possa trazer alguns desenvolvimentos.
O Presidente Mubarak defende-se prometendo abandonar o cargo em Setembro e que o seu filho não o sucederá. Diz, numa entrevista a uma canal americano, que se abandonasse o cargo agora, o Egipto cairia numa situação de caos. Como se o caos e a violência não se tivessem já instalado nas principais cidades do país.
Tenta-se jogar a carta do fundamentalismo religioso, embora pareça óbvio que esse argumento tem mais impacto externamente do que internamente. Diz-se que se Mubarak cair agora o perigo do radicalismo islâmico tomar conta do país é real. De facto, esse perigo existe, ainda para mais no país da Irmandade Muçulmana. Ainda assim creio que não haverá outra solução que não p…

Violência no Egipto

As manifestações pacíficas nas principais cidades do Egipto, designadamente na famigerada praça Tahrir contrastam agora com a violência entre alegados apoiantes pró-Mubarak e manifestantes contra o regime do ainda Presidente egípcio. Prevê-se que até sexta-feira, a violência continue a recrudesceder. Recorde-se que a próxima sexta-feira é uma espécie de prazo para a saída de Hosni Mubarak.
Parece claro que antes da situação no Egipto melhorar, vai piorar. A violência perpetrada, segundo alguma imprensa, por elementos próximos do ainda Presidente (existem mesmo rumores que quem desencadeia a violência são precisamente polícias à paisana e ex-presos "comprados" pelo regime) coloca o Egipto numa situação potencialmente explosiva. Se a instabilidade que se vivia não era um bom augúrio para as empresas a operar no Egipto, a violência que toma conta das ruas tem afastado cidadãos e empresas estrangeiras.
A preocupação com o radicalismo foi porventura prematura, precisam…

O perigo do radicalismo

As convulsões que se têm sentido no mundo árabe são sintomáticas da vontade de mudança que muitos cidadãos sentem. Depois da Tunísia, o Egipto. Mas outros países da região estão a passar por um assinalável período de instabilidade.
Já aqui se referiu que não se pode pôr em causa as aspirações de pessoas que mais não fazem do que exigir o mesmo que nós exigimos: mais liberdade, mais democracia, mais bem-estar social.
Todavia, não podemos deixar de salientar o peso que o radicalismo islâmico tem na região. No Egipto terra da Irmandade Muçulmana, mas também no Iémen, no Sudão, na Jordânia, na Argélia, em Marrocos. Numa altura de grande instabilidade, não se pode olhar displicentemente para um possível aproveitamento dessa instabilidade a favor de grupos que apregoam o radicalismo, significando isto um retrocesso quer para a região, quer para o mundo. De resto, se grupos políticos mais radicais se apropriarem do poder nestas regiões, com especial enfoque para o Egipto, não have…

Marcha de um milhão

No Egipto promete-se a marcha de um milhão - o número ambicionado de Egípcios para protestarem contra o regime de Mubarak. Existe para já uma evidência: nem as mudanças já efectuadas, nem tão-pouco as mudanças prometidas fazem qualquer eco na população egípcia. Ninguém parece arredar pé enquanto o Presidente Mubarak permanecer no poder.
Na verdade e apesar das potenciais consequências nefastas da revolta, é necessário reconhecer a legitimidade das reivindicações do povo egípcio. A procura de mais liberdade, de democracia e de melhores condições de vida são reivindicações inexoravelmente legítimas. Podemos discutir o aumento do preço do petróleo em consequência dos problemas no canal do Suez; podemos debater o perigo do radicalismo religioso no pais da Irmandade Muçulmana; é possível advogar-se os perigos decorrentes de uma mudança de regime nas relações entre o Egipto e Israel; podemos mesmo defender que a revolta no Egipto serve de inspiração para outras revoltas no mundo…

Agora é a vez do Egipto

As convulsões que se vivem no Egipto são indissociáveis da natureza não democrática do regime e do desemprego que afecta muito em particular os jovens mais qualificados. Recorde-se que o país cresce exponencialmente no que diz respeito à população. Vários estudos indicam a dificuldade que o país tem em criar emprego, designadamente o mais qualificado.
De igual forma, a permanência no poder de Mubarak e a inexistência de um regime democrático são reivindicações do povo egípcio. O Presidente Mubarak promete mudanças e mais abertura, mas a sua permanência não é aceite, como se vê pela revolta que tomou conta das principais cidades egípcias.
Parece dificil que Mubarak permaneça no poder e o seu principal opositor, ElBaradei, vai ganhando terreno. Importa referir que o Egipto tem especificidades que têm que ser levadas em conta: a sua proximidade com Israel, a sua relação com Israel, a Irmandade Muçulmana que conta com milhões de adeptos no Egipto e não só, a sua dimensão e impor…