Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Ainda o FMI

Como seria de esperar o ano começou com o regresso em força do FMI. Embora ainda não se tenha oficialmente pedido qualquer intervenção desta instituição, a verdade é que o país volta a ficar refém de uma eventual "ajuda" do FMI.
Na campanha para as presidenciais, vários candidatos mostram-se contra uma intervenção desta natureza. Esse parece ser um ponto comum entre os vários candidatos presidenciais. A forma de abordar o assunto é que difere: Cavaco Silva é apologista da inércia relativamente às pressões - pouco oficiais - de alguns Estados-membros no sentido de Portugal recorrer a ajuda externa; os outros candidatos mostram-se mais apologistas de uma postura de maior intervenção.
De facto, a ameaça da vinda do FMI torna-se exasperante. Alguns advogam que essa é a melhor opção, mas convinha perceber os resultados dessa mesma opção na Grécia e na Irlanda antes de se fazer uma defesa tão veemente da entrada do FMI em Portugal.
Já se percebeu que o projecto Europeu cam…

Campanha eleitoral II

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais continua a ser marcada pelo caso BPN a que agora se junta a história do candidato Manuel Alegre e da publicidade para o BPP. Se a campanha já revelava uma tibieza indissociável dos próprios intervenientes, tudo parece piorar a cada dia que passa. Já se percebeu que Cavaco Silva não se sente confortável com o caso BPN, tanto mais é assim que o candidato preferiu criticar a actual administração, deixando de lado os seus companheiros, verdadeiros responsáveis pela falcatrua que tanto dinheiro custa aos contribuintes.
Mas também é perceptível que o candidato Manuel Alegre ainda não encontrou o seu rumo para a campanha. A sua relação com Bloco de Esquerda e Partido Socialista não é fácil de gerir, e o seu apoio do PS - partido do Governo - traz dificuldades acrescidas. Com efeito, a insistência no caso BPN pode revelar-se contraproducente para Manuel Alegre, como foi visível durante o dia de ontem quando o candidato mostrou a…

Campanha eleitoral

A campanha eleitoral dos candidatos à presidência da República está acesa, muito em particular destaca-se o confronto diário entre Manuel Alegre e Cavaco Silva. As trocas de acusações, sempre com o BPN como pano de fundo, são agora o aspecto central da campanha. Manuel Alegre insiste em pedir esclarecimentos a Cavaco Silva sobre as famigeradas acções do banco falido e Cavaco Silva insiste em não esclarecer cabalmente toda a situação, optando antes por fazer, por sua vez, acusações a Manuel Alegre.
A questão do banco que faliu e que foi socorrido, contra sua vontade, pelo contribuinte tem o seu interesse. O cargo de Presidente da República deve exigir integridade e transparência - questões de somenos para muitos cidadãos. Já se percebeu que quem esteve envolvido nas falcatruas do BPN teve ou tem uma relação de grande proximidade com ainda Presidente da República; também já se percebeu que Cavaco Silva nunca esclareceu tudo o que envolveu a compra das ditas acções. Importav…

Democracia e igualdade

Em tempos de crise, escasseiam as oportunidades para se discutir a importância da democracia e da igualdade. A defesa de uma sociedade livre e justa passa a ser relegada para segundo plano e é a própria consolidação democrática que é posta em causa. O anátema da igualdade prolifera e não raras vezes defende-se o indefensável.
O pior exemplo é-nos dado pelas pseudo-elites, muito em particular no contexto da política. A Justiça pouco faz para salvaguardar a ideia de igualdade. Poucos terão dúvidas que existem dois tipos de cidadãos, uns mais privilegiados que outros. Nesta matéria, como noutras, a classe política é a primeira a dar o mau exemplo, como se vê tanto ao nível executivo como até ao nível presidencial.
Se se insistir em passar a ideia de que de facto existem dois tipos de cidadãos, será a própria democracia que será esvaziada de sentido. E se a classe política já faz tão pouco pela credibilização das instituições democráticas, o que dizer do conceito de igualdade d…

Tapar o sol com a peneira

O Presidente da República e candidato presidencial Cavaco Silva tem feito vários reparos à actual administração do BPN, isto depois de todos os candidatos terem atacado o candidato precisamente devido ao facto de ser accionista da SNL que detinha o BPN. É curioso verificar que agora o Presidente da República mostra a capacidade para falar do assunto, apenas e só depois de ter sido reiteradamente atacado pelos seus adversários. Assim como é também curioso que o candidato Cavaco Silva só fale do presente e nunca do passado. O passado, como se tem visto ,causa nervosismo.
Na verdade, uma das ilações que se pode retirar desta sórdida história - a mais simpática - é que o ainda Presidente procura tapar o sol com a peneira. Toda a história do BPN cheira mal, não se trata apenas da questão do candidato ser accionista. A resposta aos ataques dos adversários surge então sob a forma de ataques à nova administração. Sobre o passado, nem uma palavra.
Tudo indica que este é o candidat…

O despesismo do Estado

Pedro Passos Coelho não se cansa de acusar o Estado de ser um obstáculo ao desenvolvimento do país. O líder do PSD tem a sua razão, pena é que olhe com tanta leviandade para o Estado Social e para a sua importância. A ver vamos se quando Passos Coelho chegar ao poder se não vai permitir que o Estado continue a ser despesista, afinal de contas o PSD, como o PS, tem vastas clientelas para alimentar. É mais fácil cortar na despesa social do que afligir as hostes do partido. Isto é verdade tanto para PS como para PSD.
O Jornal Público dá mais um exemplo de como o Estado gasta irresponsavelmente o dinheiro dos contribuintes. Segundo o Jornal, o Estado gastou 21 milhões de euros em consultores, na área da Saúde, que não tiveram qualquer utilidade prática. Ora, a consultadoria é um negócio da China. Estudos atrás de estudos, pareceres atrás de pareceres que enchem a algibeira de alguns e que não servem para nada. Já para não falar do sub-aproveitamento dos recursos humanos do Est…

Fim dos debates

Hoje realiza-se o último debate televisivo para as eleições presidenciais. O debate põe frente a frente Manuel Alegre e Cavaco Silva. Este poderia ser o debate mais esperado, mas a verdade é que o interesse dos cidadãos parece tão reduzido que este pode muito bem ser mais um debate entre os vários que se realizaram e que não suscitaram grande interesse junto dos Portugueses.
Com efeito, os poderes do Presidente da República, para muitos considerados reduzidos, a mais do que anunciada vitória do candidato Cavaco Silva e a inanidade própria dos intervenientes, a começar precisamente neste último, são factores decisivos para explicar a falta de interesse dos cidadãos. Acresce ainda a imagem cada vez mais dilacerada da própria classe política que, paradoxalmente, continua a fazer parte do rol de preferências dos cidadãos na altura de votarem. Os cidadãos queixam-se da classe política, mas muitos rejeitam a mudança e continuam a depositar a sua confiança em quem já está na pol…