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Mensagens

Levantar o dinheiro dos bancos

É essa a proposta do conhecido ex-futebolista Eric Cantona. Segundo as palavras do ex-futebolista, esta seria "uma revolução sem armas e sem sangue". O movimento Stopbanque tem ganho expressão na internet e revela o descontentamento de muitos cidadãos relativamente ao papel dos bancos na crise e na própria sociedade. A proposta de Cantona é radical e poderá não produzir os efeitos desejados, podendo mesmo ser contraproducente. Todavia, compreendem-se as razões que levarão tantos a aderir à proposta.
De facto, o sector financeiro tem uma preponderância excessiva na economia mundial, a tal ponto que se criou um sistema inextricavelmente dependente desse sistema financeiro. O problema não são só os bancos, o problema passa por uma classe política que se vergou aos interesses desse e de outros sectores - uns por convicção, outros por interesses mais obscuros, outros ainda porque face à crescente perda de instrumentos acabam por facilmente sucumbir à ideia de inevitab…

Greve selvagem

Os controladores aéreos espanhóis conseguiram causar constrangimentos sem precedentes no país. Para isso bastou não irem trabalhar. A greve selvagem, como tem sido designada em alguns meios de comunicação social, originou o caos e deixou o espaço aéreo espanhol sem actividade, provocando constrangimentos em vários países. Só depois do Governo espanhol declarar estado de alerta é que o espaço aéreo espanhol voltou à normalidade.
De um modo geral, é difícil sustentar a posição destes trabalhadores. Embora se possam entender as razões - privatização do sistema de aeroportos que poderá dar origem a mais horas de trabalho -, é difícil compreender a forma de protesto. O radicalismo associado à paragem sem aviso prévio não tem justificação. Contudo, esse radicalismo pode se estender a outros sectores. Não é de excluir a hipótese do radicalismo tomar conta dos protestos de trabalhadores um pouco por toda a Europa. Afinal de contas, existe a percepção geral que os trabalhadores est…

Revolta socialista

O líder da bancada parlamentar, Francisco Assis, ameaçou ontem demitir-se. Em causa estava a votação de um projecto de lei do PCP sobre a taxação de dividendos em 2010. As divisões internas intensificam-se e o líder da bancada parlamentar optou pela dramatização - parece que tem aprendido muito com o primeiro-ministro, para quem a dramatização é tão cara.
Numa altura crítica para o país, assiste-se a mais um exemplo da qualidade, ou falta dela, dos representantes políticos eleitos. No meio da discórdia, resolve-se tudo com o recurso a ameaças. A degradação da imagem da classe político representa um verdadeiro paroxismo para o país. No meio desta barafunda, a reeleição do Presidente da República parece um facto consumado e o mais do que provável próximo primeiro-ministro é alguém que considera que o Estado Social é uma questão de somenos, isto quando não considera mesmo que se trata de um óbice.
A revolta socialista é paradigmática de uma classe política refém de interesses …

Transparência e liberdades

A divulgação de mais de 250 000 documentos do Departamento de Estado norte-americano por parte da WikiLeaks está a causar sérios problemas à diplomacia dos Estados Unidos. O responsável pelo site alega que é em nome da transparência que esses documentos secretos são divulgados. Todavia, a liberdade de divulgar os ditos documentos pode pôr em causa vidas humanas e, nesse sentido, deveria ser ponderada com outro cuidado. Somos apologistas da liberdade de expressão, de opinião, de imprensa, mas não a qualquer custo. E embora já se tenha tomado posições difíceis na defesa da liberdade de expressão, o que está agora em causa, para além de ser pouco lícito, não vale o prejuízo causado.
Não se trata de defender a pouca sobriedade da diplomacia americana, mas antes de se questionar se valerá a pena pôr em causa relações entre países e, em última análise, colocar em causa vidas humanas. Esta é uma questão sobre a qual valerá a pena reflectir.
As revelações feitas pelo site em questão…

É mesmo necessário mudar a lei laboral?

Pouco tempo após as últimas alterações às leis laborais, são pedidas novas iniciativas nesse mesmo âmbito. A União Europeia, conspurcada pela sua habitual cegueira neoliberal, faz novas pressões para que Portugal mude as suas leis laborais - flexibilize as suas leis laborais. O país colocado de cócoras parece não ter alternativa e já são muitas as vozes a clamar por essas mesmas mudanças. Afinal, descobriu-se a pólvora. O problema do país prende-se com a pouca flexibilidade das leis laborais.
Com efeito, depois das mudanças advogadas, Portugal vai crescer e combater acerrimamente o desemprego. Quanto ao mais do que previsível aumento da precariedade que já tem, em tantos e tantos casos, contornos de escravatura, essa parece ser uma questão de somenos. O que é preciso é carne para canhão. Os interesses dos cidadãos são cada vez menos relevantes, o que interessa são as agonias do sector financeiro rapidamente socorridas por políticos de pacotilha que há muito se esqueceram q…

Boas e más notícias

Comecemos pelas más notícias: as pressões para que Portugal altere a sua legislação laboral intensificam-se e o Governo já não terá capacidade para fazer face a essas pressões. Consequentemente, avizinham-se alterações na legislação laboral que passarão inevitavelmente pela flexibilização dos despedimentos.
Não se advoga que todas as alterações às leis laborais sejam necessariamente negativas, mas o facto é que num país com recursos humanos debilmente qualificados, onde as relações entre patronato e sindicatos, salvo honrosas excepções, são invariavelmente acrimoniosas e num país em que impera uma cultura de chico-espertismo, teme-se que uma maior flexibilidade seja desastrosa para os trabalhadores. Avizinham-se assim o aumento da precariedade e da insegurança daquele que é o elo mais fraco das relações laborais.
Hoje acontece o que já se esperava: tudo é legitimado pela crise. A supressão de direitos sociais vai continuar a fazer o seu caminho.
Quanto às boas notícias, refir…

Diálogo social

O primeiro-ministro pretende reunir-se com sindicatos, empresários e parceiros sociais com vista a construir uma relação de maior diálogo. O objectivo é reunir esforços para a garantir o crescimento económico. A pergunta que se impõe é a seguinte: o que é que o Governo andou a fazer nos últimos cinco anos? Seja lá o que for, não garantiu o tal crescimento económico.
O crescimento económico é essencial para a própria sustentabilidade do Estado Social. Mas para se garantir esse crescimento económico, é imperativo encetar reformas que têm sido continuamente adiadas.
De um modo geral, a ineficiência da Justiça, a burocracia, a complexidade fiscal, a medíocre qualificação dos recursos humanos e o despesismo do Estado aliado a relações poucos saudáveis com o poder económico inviabilizam o tão almejado crescimento económico. Sem se debelar estes problemas, tudo será em vão. E não será a flexibilização das leis laborais a grande panaceia para os nossos problemas, como por aí se apr…