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Mensagens

Visita do Presidente Chinês

Hu Jintao, Presidente da República Popular da China, visitou o nosso país e teve direito a ampla cobertura dos média nacionais. A ideia de que o Presidente Chinês veio "ajudar" Portugal foi incessantemente veiculada pela comunicação social.
A China tem dinheiro, a China pode comprar a dívida portuguesa - foram estas as ideias que estiveram a rodear a visita do mais alto dirigente chinês. Quanto aos direitos humanos, pouco há a dizer nestas circunstâncias. Desde logo porque os dirigentes chineses são muito sensíveis, por conseguinte qualquer crítica seria melindrosa e arruinaria a visita chinesa e as aspirações portuguesas.
Seria irrealista afirmar-se que as relações económicas com a China não têm importância para Portugal ou para qualquer outro país. A China como potência emergente merece essa atenção. Todavia, o que é criticável e que os direitos sociais e os direitos humanos fiquem sempre de fora destas e de outras visitas. Assim como ficam de fora questões como …

O mundo tem melhorado

O Relatório Sobre o Desenvolvimento Humano (2010, Nações Unidas) revela que o Índice de Desenvolvimento Humano tem melhorado significativamente na esmagadora maioria dos países. Assim, regista-se com agrado que as condições de vida de grande parte da população tem melhorado nas últimas décadas, designadamente ao nível da esperança média de vida, instrução e rendimento. Os autores do estudo concluem dizendo que "o mundo é hoje muito melhor do que era em 1990 e ainda mais do que em 1970.
Este estudo é um sinal positivo, mas também deve servir para reforçar a necessidade de uma diminuição das desigualdades entre países e das assimetrias que se verificam no seio dos países. Essa necessidade torna-se hoje ainda mais premente com as crescentes dificuldades que muitos países vivem em consequência da crise e da permanente voracidade dos mercado. Se hoje vivemos melhor do que há duas ou quatro décadas, isso deve servir para reforçar a necessidade de conseguirmos ainda viver me…

A derrota de Obama

O partido Democrata, partido do Presidente Barack Obama, sofreu uma considerável derrota nas eleições para o Congresso, perdendo a maioria para o partido Republicano. O descontentamento de muitos americanos penalizou o Presidente Obama. Além disso, o descontentamento traduz-se amiúde no crescimento de movimentos de natureza mais radical, como é o caso do Tea Party.
Obama recorreu a estímulos económicos, designadamente ao investimento público, para relançar a economia americana. Os resultados não são imediatos e o desemprego é um problema que afecta muitos americanos. A herança pesada deixada pelo Presidente Bush parece ter pesado pouco na decisão..
Nestas circunstâncias, Barack Obama vê a sua margem de manobra ser reduzida e tem que lidar com o recrudescimento de movimentos mais radicais, como é o caso do Tea Party, que apostam tudo na radicalização do discurso num constante ataque à própria pessoa do Presidente que, para muitos, nem sequer é cristão.
Muitos Americanos co…

A defesa do indefensável

Apesar de todas as discussões em torno do Orçamento de Estado e do acordo entre o Governo e o PSD, José Sócrates insiste no TGV. De facto, o investimento público é fundamental para a recuperação económica. Será mais duvidoso que esse investimento seja canalizado numa obra megalómana como o TGV, mesmo com o recurso a fundos comunitários. Existem muitas formas de investimento público que poderiam passar, por exemplo, pela recuperação da multiplicidade de imóveis em degradação que assolam muitas cidades do país. A proposta foi do Bloco de Esquerda e não se pode dizer que não faça sentido.
Além do mais, a teimosia do Governo não se compreende quando a obra em questão implica uma larga ausência de consenso. Não se pode tratar estes assuntos da forma como têm sido tratados. Grandes investimentos públicos exigem um consenso mais alargado, o que não existe.
José Sócrates e o seu Governo continuam a defender o indefensável, insistem na tónica da crispação, e o primeiro-ministro volta…

E depois do OE?

Com o acordo sobre o Orçamento de Estado (OE) entre PS e PSD chega agora o recrudescimento das dificuldades. Mesmo com as ligeiras alterações que o PSD conseguiu negociar, não restam dúvidas sobre as dificuldades que se aproximam. Essas dificuldades não serão apenas consequência dos sacrifícios pedidos aos cidadãos, mas serão porventura consequência de um mais do que provável aumento do desemprego e agravamento da precariedade no emprego. O desânimo cresce, em particular quando se antevêem dificuldades nos próximos anos.
Sem crescimento económico, torna-se difícil perceber como é que a situação do país pode melhorar. Mas as condições para que esse crescimento económico venha a ser uma realidade não parece fazerem parte dos planos dos dois principais partidos políticos. Preferem olhar exclusivamente para um Orçamento de Estado alheio ao crescimento da economia, um OE que vai criar sérios constrangimentos a esse crescimento económico.
Assim, resta a apatia que assola os cidad…

Razões para a Greve

Está convocada uma greve geral para dia 24 do próximo mês. Porventura haverá quem, neste momento, não considere que existam razões para se aderir à greve, afinal de contas o cenário que nos é apresentado é o de um país com extremas dificuldades financeiras. Nestas circunstâncias, dir-se-á que o Orçamento de Estado (que será viabilizado), e as anteriores medidas do Governo afiguram-se como sendo inevitáveis.
Com efeito, a ideia de que as greves mais não são do que uma forma de prejudicar um país depauperado já tinha sido veiculada, ainda antes das puerilidades - as manifestadas esta semana - dos dois maiores partidos. Além disso, os últimos dias mostram que não há nada a fazer, a não ser aceitar as medidas difíceis. Pelo menos é esta a imagem que é transversal a toda a comunicação social.
Todavia, e contrariamente ao pensamento dominante, há muito que os cidadãos podem fazer. Os cidadãos têm toda a legitimidade para participarem mais activamente na construção do país, a greve…

Retrocesso social, esse sim é inevitável

Com ou sem viabilização do OE congeminado pelo Governo de José Sócrates, há um facto que se torna evidente a cada dia que passa: muitos cidadãos deste país, demasiado cidadãos, sofrem um acentuado retrocesso do seu bem-estar social. E, mais grave, esse retrocesso vai-se aprofundar nos próximos anos.
Numa altura em que PS e PSD se perdem em acusações pueris sobre um OE já por todos classificado como sendo muito mau, aos Portugueses é-lhes dito para terem paciência e para aguentarem , até porque não são os únicos - outros países adoptaram medidas de austeridade com impacto muito significativo nas vidas dos seus cidadãos. Ora,o que não nos dizem é que as nossas dificuldades já têm pelo menos 10 anos e que sem a adopção de medidas que permitam mudanças profundas, o desenvolvimento e o progresso continuarão a ser uma miragem. De igual forma, as medidas tomadas por outros países estão longe de terem produzido algum sucesso. De um lado, acenam-nos com um Orçamento de Estado con…