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Mensagens

Sindicatos Unidos

As recentes medidas de austeridade do Governo redundaram numa união atípica das duas centrais sindicais portuguesas. A greve marcada para dia 24 de Novembro será a grande oportunidade para estas duas centrais sindicais juntamente com os trabalhadores mostrarem o seu descontentamento.
O PEC III apresentado pelo Governo dá um contributo significativo para o retrocesso do bem-estar social, em particular dos que trabalham. E mais ainda: a austeridade redunda inevitavelmente num abrandamento do crescimento económico, sendo que muitas previsões apontam mesmo para a forte possibilidade da economia portuguesa entrar em recessão. Consequentemente, o ano que se avizinha colocará crescentes dificuldades a muitos Portugueses.
Importa ainda referir que as medidas agora anunciadas pelo Governo e que se traduzem no corte de salários dos funcionários públicos e no aumento de impostos, entre outras medidas, poderão revelar-se insuficientes.
Com efeito, a união entre as duas centrais sindicais…

O constante adiar dos problemas

O famigerado FMI já veio alertar para a possibilidade da economia portuguesa entrar em recessão e para um aumento do desemprego. Ora, trata-se do mesmo FMI que apresenta invariavelmente receitas indissociáveis da crise internacional. Este não é porém o único paradoxo. Internamente, procuram-se paliativos para resolver um problema muito mais profundo e que se prende com os constantes aumentos de despesa do Estado e com a relutância da economia portuguesa em crescer.
As medidas recentemente apresentadas pelo Governo vão no sentido de cumprir as exigências de Bruxelas, mas serão contraproducentes no que diz respeito ao crescimento económico. Durante largas décadas preferiu-se ignorar que há obstáculos ao crescimento económico: a ineficácia da Justiça, a burocracia endémica, a promiscuidade entre agentes políticos e agentes económicos, a existência de um sistema educativo sem exigência e a aposta num modelo de desenvolvimento que potencia a dependência e a pobreza mal-disfarça…

Discursos

As comemorações do centenário da República foram marcadas pelos discursos do Presidente da República e do primeiro-ministro. Ambos fizeram apelos à responsabilidade, deixando poucas alternativas ao PSD. Com efeito, a difícil situação do país exige responsabilidade por parte de todos os agentes políticos. Todavia, compreende-se a dificuldade do PSD em aceitar as propostas do Governo, designadamente no que diz respeito ao aumento de impostos. A verdade é que a actual liderança do PSD sempre se mostrou contra um hipotético aumento de impostos.
A aprovação do Orçamento de Estado ganha os contornos de desígnio nacional, deixando pouco ou nenhum espaço de manobra ao maior partido da oposição. O Presidente da República, por sua vez, adopta uma posição conciliadora e mediadora com o objectivo de evitar o agravamento da situação já periclitante do país face aos mercados internacionais.
Pelo caminho, o primeiro-ministro mostra novos episódios de vitimização, colocando o ónus no PSD.…

Centenário da República

Comemora-se o centenário da República numa altura em que são pedidos novos sacrifícios aos Portugueses. Depois de dois planos insuficientes, agora é a vez de novos sacrifícios, estes ainda mais dolorosos. A República insere-se desde o 25 de Abril num contexto de democracia, depois de uma 1ª. República atribulada e de várias décadas de um regime pouco amigo das liberdades. Hoje, volvidos 36 anos, a República mostra-se doente e a própria democracia fragilizada.
Não será por acaso que as comemorações dos 100 anos da República não despertam qualquer entusiasmo por parte dos cidadãos. Por um lado, o entusiasmo não abunda num país em que reina a inércia e o desinteresse - o tal país quase desprovido de uma sociedade civil -; por outro lado, não existem muitas razões para comemorações: os cidadãos não vislumbram um futuro e o presente está recheado de dificuldades.
Embora o Presidente da República seja o político cuja imagem está menos degradada, a fé nas instituições democráticas …

Politicamente irresponsáveis

O PSD acusa o Governo de ser "politicamente inimputável". Diria antes que tanto PS como PSD têm sido politicamente irresponsáveis por se dedicarem à crispação política, desprezando a difícil condição do país. No entanto, tanto PS como PSD também são politicamente responsáveis pelo estado a que o país chegou: nas mãos de credores, com uma população invariavelmente sacrificada, sem rumo.
Quem assistiu ao debate quinzenal que teve lugar ontem no parlamento, não pode deixar de sentir-se mal com a qualidade dos representantes dos cidadãos. Um dia após a divulgação por parte do Governo das propostas que vão onerar ainda mais os Portugueses, o debate quinzenal foi mais um espectáculo triste, de gente sem ideias e sem um projecto para o país. Gente que se dedica exclusivamente ao baixo jogo político e à alimentação de clientelas políticas.
Estes ditos representantes dos cidadãos agem como se tal não fossem, esquecem as suas responsabilidades. Numa altura de grandes incer…

A irresponsabilidade e o inevitável

Portugal pôs-se a jeito. A expressão revela uma vulgaridade rara neste blogue, mas é a melhor forma de descrever o situação em que Portugal se encontra. Não houve responsabilidade e visão por parte de quem nos governa há mais de 20 anos. Não houve capacidade de desenvolver um modelo de desenvolvimento económico e social virado para o crescimento económico que pudesse suportar o Estado Social e agora dizem-nos que para salvar esse Estado social são necessárias medidas dolorosas. Doloroso é assistir durante mais de duas décadas à incapacidade e inépcia de quem sempre governou a curto prazo, na senda de alimentar clientelas, desprezando as mudanças que o país sempre necessitou de modo a conseguir rumar no sentido da prosperidade.
A irresponsabilidade dos nossos dirigentes políticos ganhou outras proporções com o actual Governo. O Executivo de José Sócrates não quis ver a crise ainda no Verão de 2008, talvez tivesse sido o calor a inviabilizar a sua capacidade de pensar e reso…

Resignação

A resignação é quase um traço cultural do povo português. E o mais grave é que essa resignação não raras vezes se transforma numa inacção e na incapacidade de mudar.
É factual que quem está à frente dos destinos do país contribuiu inexoravelmente para o estado da economia portuguesa e para o cada vez mais acentuado retrocesso no bem-estar dos cidadãos deste país. Verifica-se que, não obstante os estragos que os senhores sem soluções já fizeram ao país terem-nos deixado à beira da bancarrota, os Portugueses continuam a dar a esses mesmos senhores sucessivos votos de confiança. Ora, assim será difícil sairmos das incessantes dificuldades em que nos encontramos.
Dir-se-á que não existem alternativas. De facto, quando olhamos para os tais senhores dos partidos políticos, percebemos o quão ridícula a vida pode ser. Todavia, a mudança nos partidos políticos não terá lugar enquanto os mesmos continuarem a ter o apoio dos cidadãos. Portugal divide-se entre PS e PSD. Quando não se v…