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Mensagens

Subida do PS

Uma sondagem divulgada ontem indica que o PS voltou a liderar as intenções de voto para as eleições legislativas, embora se registe uma ligeira diferença face ao PSD. Esta é a maior subida do partido do Governo nos últimos quatro meses. A actual liderança mostra assim não estar a ter a capacidade de aproveitar o desgaste do Governo. Mas a explicação para esta subida do PS pode também estar intimamente relacionada com o ideário apresentado pelo PSD.
Muitos terão dificuldades em perceber como é que um Governo tão desgastado, denotando uma quase total incapacidade de resolver problemas como o desemprego pode estar à frente nas intenções de voto. A explicação também passa pela pouca receptividade do eleitorado português às propostas de Pedro Passos Coelho e do seu partido. A proposta de revisão constitucional, por muitas operações de cosmética que receba não agrada a uma parte muito significativa do eleitorado. A ideia de descaracterização do Estado Social aliada à flexibili…

Instabilidade em Moçambique

Foram dias difíceis para um país que geralmente está fora do grupo de países em que reina a instabilidade. Moçambique é também conhecido pelos seus elevados níveis de pobreza, não muito diferentes do que se passa no resto do continente africano. De resto, as manifestações contra o aumento dos bens de primeira necessidade ganharam contornos de insurreição e degeneram numa acentuada instabilidade.
Importa perceber que a revolta que levou tantos Moçambicanos às ruas é fruto da pobreza endémica que assola o país e do esgotamento da margem para suportar os ditos aumentos. O governo moçambicano, sublinhando reiteradamente a necessidade do dito aumento do custo de vida, responde recorrendo à força e justifica-se com a crise internacional. Na verdade, são essencialmente as políticas ultraliberais impostas por organizações supranacionais que num contexto de globalização impõem receitas duras que, não raras, vezes culminam no aumento da clivagem entre ricos e pobres e no aumento d…

Portugal racista

Segundo o antropólogo José Pereira Bastos, os Portugueses, na sua maioria, são racistas relativamente à comunidade cigana. O antropólogo, em declarações à Agência Lusa, chega mesmo a afirmar que 80 por cento dos cidadãos Portugueses têm comportamentos racistas face aos ciganos e que ninguém em Portugal se interessa pelo assunto. Consequentemente, seria profícuo analisar cuidadosamente o que está subjacente a estes números, quais as razões que levam tantas pessoas a terem comportamentos racistas relativamente à comunidade cigana.
O assunto ganhou novas dimensões com a expulsão de território francês de centenas de ciganos romenos. As posições, como é apanágio nestes casos, acabaram por se extremar e a discussão centra-se invariavelmente no racismo versus direitos humanos. Todavia, é determinante ir mais longe. A integração é essencial assim como a reciprocidade também o é. Não chega o Estado contribuir para essa integração, através de apoios, são necessárias outras medidas q…

Em defesa da tourada

O Presidente da Câmara de Santarém pretende reunir assinaturas em defesa da tourada. Está no seu direito. Mais lamentável é apelidar quem faz a defesa dos animais de "Talibãs". Para além de não se tratar de um argumento, revela muito de quem profere as ditas palavras e do seu radicalismo. Ora, eu não concordo com a matança e sofrimento de animais para gáudio de alguns, mas não uso o espaço público para destilar ódios e impropérios a quem pensa de forma diferente da minha.
Outro aspecto a ter em conta é a colocação de rótulos a quem luta pelos direitos dos animais e a sua reiterada associação a partidos políticos como o Bloco de Esquerda, como se a defesa dos animais tivesse cor política e não existissem pessoas dos mais variados quadrantes políticos a fazer essa defesa. Mais uma vez, o Sr. Moita Flores denota intransigência e uma absoluta falta de argumentos.
Com efeito o Presidente de Câmara de Santarém tem todo o direito de defender aquilo que bem entender. O qu…

Sem saída

A última semana foi marcada pelo regresso de férias dos dois principais partidos políticos e pelos discursos de Pedro Passos Coelho e de José Sócrates. Nestas últimas semanas os portugueses foram relembrados da tibieza das soluções políticas que quer o PS que o PSD apresentam. Pedro Passos Coelho afirma que não viabilizará um Orçamento de Estado que contemple novas formas de aumento de impostos e que o Governo tem que cortar na despesa. Até aí parece-me que a premissa chega a ser óbvia, o problema apresenta-se na forma como cortar a despesa do Estado. O líder do PSD fala numa deturpação das ideias contidas no ante-projecto de revisão constitucional que tem funcionado como arma política. Na verdade, o anteprojecto de revisão constitucional incluía uma subversão de algumas das funções do Estado e o líder do PSD nunca escondeu que a flexibilização das leis laborais são consideradas por si como sendo determinantes para um aumento da competitividade da economia nacional.
Por o…

Festa do Avante

Haverá ainda muito para escrever sobre a Festa do Avante? Talvez não. Trata-se da Festa que é a rentrée do Partido Comunista Português, uma festa marcada pela ortodoxia; uma festa que confunde política com divertimento, ou melhor, uma festa que reveste a política, designadamente a ideologia dura do PCP, de cores mais agradáveis, uma festa mais aprazível.
A festa do Avante tornou-se numa espécie de festival de jovens e não só; mistura comunistas da velha guarda (a esmagadora maioria) e pessoas sem ideologia política. A troca de ideias é salutar e percebe-se que o PCP promove a troca de ideias, mas apenas como veículo da sua própria ideologia.
Apesar desta e de outras crises, não deixa de ser curioso verificar que há quem simpatize com uma ideologia caduca e tantas vezes em rota de colisão com a democracia, com as liberdades e com os direitos humanos. A Festa do Avante está aí para mostrar a vitalidade de um partido político cuja morte já foi tantas vezes anunciada. Infelizme…

PS e PSD, pobreza exasperante

Os últimos dias têm sido marcados pelas chamadas rentrées políticas, designadamente dos dois maiores partidos, embora o PCP assinale o seu regresso à política com a inefável Festa do Avante!. PS e PSD esgrimem, ou fingem digladiar argumentos, tentando marcar posição. O PS acusa o PSD de querer acabar com o Estado Social, o PSD defende-se como pode, ou seja ineficazmente, e acusa o PS de ser responsável pela difícil situação em que o país se encontra.
Na verdade, ambos os partidos têm razão, mostrando desta forma que nem um nem outro têm razões para ocupar o poder. Enquanto PS e PSD mostram uma pobreza de ideias exasperante, o Presidente da República, num jogo claramente calculista, vai dando o seu contributo para a tal pobreza que, infelizmente, não é um exclusivo do PS e PSD.
O Presidente da República está a entrar no período em que vê os seus poderes diminuídos, o que dá alguma segurança a um primeiro-ministro que já não o devia ser há muito tempo. Alternativas nem vê-las.…