Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Ainda a perseguição à Igreja

A tese segundo a qual se está enveredar por um caminho de perseguição à Igreja ganha adeptos, embora essa tese esconda o essencial: a Igreja reage aos acontecimentos e às acusações numa tentativa de preservar a qualquer custo a sua imagem. Aliás, não se estaria à espera que as reacções fossem de outra natureza que não esta. Também é evidente que este é o pretexto ideal para se destilar ódios. No entanto, o facto é que há centenas (milhares?) de alegadas vítimas que acusam taxativamente membros da Igreja de pedofilia; outro facto é a reacção da própria Igreja, entre o silêncio e o encobrimento.

Quanto à perseguição, digo apenas que os paralelismos com o anti-semitismo me parecem claramente exacerbados. Acusa-se a Igreja de não ter agido em conformidade com a gravidade da situação, mas, de um modo geral, não há perseguição, e a haver limita-se a algum aproveitamento residual que não pode servir de pretexto para se fugir à questão essencial: a reacção da Igreja perante acusa…

Reformar o Estado

Há décadas que se fala na necessidade de se reformar o Estado, mas todas essas reformas, ou tentativas de se reformar o Estado saíram goradas. O PRACE foi a derradeira tentativa de tornar o Estado mais eficiente e menos pesado, mas também este programa redundou em mais um falhanço. Nas actuais circunstâncias, em que o primeiro-ministro se encontra manifestamente fragilizado, não se avizinham quaisquer mudanças dignas de registo.

O recém-eleito Presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, refere-se invariavelmente ao Estado como sendo passível de profundas mudanças. Falta explicar muito sobre essas hipotéticas mudanças - afirmar que o Estado é pesado é mais uma frase vazia. Importa, porquanto, saber que ideia tem o PSD do Estado e que caminhos pretende seguir para tornar o Estado mais ágil, mais eficiente e sobretudo mais transparente.

O Estado, designadamente a Administração Publica, tem problemas à vista de todos: incapacidade de dar resposta aos problemas dos cidadãos, embora…

Perseguição…

… grita o Vaticano, a propósito do vasto rol de escândalos de pedofilia envolvendo membros da Igreja Católica. Um pregador do Vaticano foi ainda mais longe, e numa altura do ano que também lembra ao povo judeu o anti-semitismo de que foi alvo, compara a actual situação da Igreja Católica ao anti-semitismo. Posteriormente pediu desculpas. Estas declarações são mais um sinal de que a Igreja perdeu noção da realidade, tem memória curta e, numa insistência contraproducente, está desfasada da realidade. As mais altas figuras da Igreja Católica mantêm uma recusa inabalável em reconhecer que erraram ao encobrir tantas situações de pedofilia que envolviam membros da Igreja; o alegado encobrimento do próprio Papa relativamente a estes casos constitui uma situação grave que merece ser discutida e explicada pelo Papa; a Igreja continua a esquecer as vítimas. Ainda hoje, as preocupações dos membros da Igreja prendem-se com a defesa de acusações de casos de pedofilia. Deste ponto de vi…

Degradação da imagem da Igreja Católica

As últimas semanas têm sido devastadoras para a imagem da Igreja Católica. O surgimento de uma multiplicidade de escândalos de pedofilia envolvendo membros da Igreja espoleta uma crise que há muito que não se via no seio do catolicismo. A passividade e os sucessivos encobrimentos de casos de crianças vítimas de actos pedófilos perpetrado por membros da Igreja corrói inexoravelmente a sua imagem e credibilidade, e mais grave, põe em causa a confiança que a Igreja tem criado com um vasto rol de fiéis.

Com efeito, a fé dos crentes poderá sair incólume desta situação, mas tenho dúvidas que o mesmo aconteça relativamente aos representantes do catolicismo. Afinal de contas, até o próprio Papa Bento XVI terá sido displicente - para usar um eufemismo - com os inúmeros casos de pedofilia; a prioridade sempre foi salvaguardar os membros da Igreja envolvidos nos escândalos. Essa prioridade não se coaduna com os príncipios que deveriam ser a base do catolicismo.

A difícil relação que …

Liberdade na Madeira

As notícias que vêm da Madeira e que mostram os tiques autoritários e pouco democráticos do Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, são novamente preocupantes. A recusa em levar a cabo um inquérito à liberdade expressão, recusa essa do PSD/Madeira, é mais um sinal da difícil convivência do PSD/Madeira com as liberdades fundamentais. Vem tudo isto a propósito de um inquérito realizado a jornalistas da região e que revela o desconforto cada vez menos latente de uma classe profissional que tem sido muito mal tratada.

O problema não se esgota nas tentativas de limitar ou manipular a comunicação social, o problema também é o silêncio ensurdecedor de quem tem responsabilidades políticas no continente. Não há um comentário sobre esta situação por parte do PSD e a ex-líder do partido não se coibiu de olhar para o regime de Alberto João Jardim e compará-lo a uma democracia, usando mesmo o termo "exemplo". A nova direcção do PSD parece menos interessada em se…

Uma nova fase para o PSD

Com a vitória de Pedro Passos Coelho, que começa hoje a trabalhar como líder do partido, abre-se uma nova fase no PSD, talvez agora com o mínimo de estabilidade. O PSD abre esta nova fase da sua vida interna quando o contexto do país é de acentuada instabilidade económica, política e social. O PSD vive dividido entre aquilo que alguns consideram a estabilidade do país que passa pela estratégia de não ser responsável pela queda do Governo socialista; e outros que acreditam que, em particular depois da apresentação do PEC, o PSD deve distanciar-se inexoravelmente do Governo e se isso significar instabilidade política que o seja. Será neste segundo grupo que o novo líder do PSD se insere, embora no seu discurso da vitória, tenha optado por um tom mais moderado. Os próximos tempos serão de oportunidade para Passos Coelho mostrar de que forma é que vai coexistir com o Governo, e de que modo é que vai conseguir captar o eleitorado que, tradicionalmente, não vota PSD. Mas o mais …

Casa Pia e precariedade

Alguns canais de televisão noticiaram o caso de uma jovem que, depois de ter sido mãe, voltou para um trabalho que já não existia. Isto passou-se numa instituição pública, cuja natureza é intrínseca à solidariedade social. Além deste paradoxo inquietante, importa saber que a jovem em questão trabalhou para a instituição Casa Pia de Lisboa durante mais de 13 anos, sempre em condição de grande precariedade. Dir-se-á que se trata de um caso que não é frequente na Função Pública, mas infelizmente é. E tanto mais é assim quando se verifica o recrudescimento do trabalho precário na Função Pública durante estes últimos anos.
Para além da precariedade propriamente dita que, infelizmente, é profusa também no sector do Estado - contrariamente à ideia que se instalou de quem tem um trabalho no Estado está numa posição confortável -, a situação torna-se chocante por se tratar de alguém que é considerada como sendo uma funcionária exemplar, que foi mantida em situação precária durante…