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Candidatura à Presidência da República

A entrevista do Presidente da República, ontem da RTP, marca claramente o princípio da campanha eleitoral, com vista à reeleição para a Presidência da República, pese embora Cavaco Silva ainda não tenha assumido sequer que é candidato a Presidente da República. Cavaco Silva sabe que a sua Presidência saiu fragilizada nos últimos meses, em particular antes das eleições legislativas e que agora começa a ser hora de arrepiar caminho.

Cavaco Silva não se quis comprometer com a situação de grave instabilidade que o país vive, do ponto de vista político, com o envolvimento e desgaste do primeiro-ministro. Cavaco Silva não fez mais do que sacudir a água do capote ao insistir na questão da moção de censura. Em síntese, o que Presidente assumiu é que não vê razões substanciais para intervir institucionalmente no actual quadro político, através da dissolução da Assembleia da República, e se existem razões que possam justificar a queda do Governo, a Assembleia da República tem poderes para o faze…

Programa de Estabilidade e Crescimento

Foi ontem apresentado um conjunto de linhas gerais do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), numa derradeira tentativa de impedir que as famigeradas agências de rating e a própria União Europeia, mas sobretudo as agências de notação financeira ou rating, sejam cruéis na sua análise do risco de Portugal.

Assim, é apresentado um pacote de medidas que visa combater o endividamento externo e o défice das contas públicas. Não deixa de ser curioso verificar as diferenças entre o discurso do primeiro-ministro antes e depois das eleições - é que, aparentemente tanto mudou, em tão poucos meses. Embora agora o Governo se mostre mais pessimista nas projecções que faz relativamente à economia portuguesa. Nem deixa de ser inquietante a forma como o destino de um país possa estar nas mãos de empresas de rating, sujeito a avaliações que podem determinar o rumo económico que esse mesmo país pode seguir. Porém, importa sublinhar que contas públicas em ordem dão um contributo para o crescimento e…

Necessidade de mobilização

O país atravessa dificuldades que só serão ultrapassadas com a mobilização de todos: cidadãos, empresas, classe política. O Presidente da República tem feito constante referência a essa necessidade de mobilização nas suas várias intervenções. Importa, porém, referir que essa mobilização dificilmente se consegue nas actuais circunstâncias. As suspeições que recaem sobre o primeiro-ministro relacionadas com o caso Face Oculta dificultam a própria governação. Os partidos da oposição condicionados por lideranças fracas, pela ausência de projectos para o país, ou coarctados por ideologias caducas não constituem alternativa válida aos olhos de muitos portugueses. Nestas condições, reina uma espécie de conformismo que invalida qualquer mobilização. De resto, a tibieza da governação está simplesmente a agravar os problemas já existentes, na precisa medida em que não se apresenta um plano válido para combater o desemprego, para atrair investimento, para reformar a Justiça, deixando a Educação se…

PEC e a situação política

O Governo tenta reunir apoios no sentido de viabilizar o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Entre as dúvidas da oposição sobre o Programa elaborado pelo Governo, a própria situação política não é favorável a grandes entendimentos e a compromissos de fundo. Na verdade, ninguém se quer comprometer com as políticas do Governo para repor as contas públicas em ordem. A situação das contas públicas é complexa e exige medidas duras.

Com efeito, a oposição, designadamente o PSD e o CDS, querem deixar o Governo apresentar as suas propostas - que causarão, como já estão a causar, contestação social -, deixando o Governo exposto e isolado. É bem provável que este PEC conte com o apoio destes dois partidos, mas esse apoio será sempre tácito e sem compromissos notórios.

Quanto aos partidos de esquerda, dificilmente serão a favor do PEC, até porque rejeitaram o Orçamento de Estado. Assim, o Governo poderá contar com a oposição mais clara quer do PCP, quer do Bloco de Esquerda.

De qualquer m…

Fosso entre ricos e pobres

Segundo notícia no jornal Público, não registamos melhorias na diminuição da diferença entre ricos e pobres, ou dito de outro modo, o fosso entre ricos e pobres continua a ser muito significativo, sendo mesmo que a diferença entre quem tem muito e quem tem pouco ou quase nada é das mais altas da Europa. Segundo este jornal, regista-se que os pobres não estão necessariamente mais pobres, mas os ricos estão mais ricos. Portugal é assim campeão das desigualdades.

É claro que os efeitos da globalização, no que diz respeito à aplicação de políticas económicas mais liberais acaba por ser indissociável destas desigualdades. Mas é difícil explicar como é que outros países conseguem combater as desigualdades e Portugal, nesta matéria como em muitas outras, encontra-se ao lado de países como a Bulgária. Ou talvez até se consiga perceber olhando com mais atenção para o modelo económico e social seguido ao longo das últimas duas décadas, com especial ênfase nos últimos anos.

Segundo o economista ou…

Desconforto

As intervenções de Manuela Moura Guedes e Pinto Balsemão na Comissão de Ética no Parlamento deram mais um contributo para o aumento do desconforto que o caso Face Oculta e as escutas tem provocado. Aliás, não é exagero afirmar que o desconforto está rapidamente a transformar-se num insustentável paroxismo. A relação do primeiro-ministro com a comunicação social sempre foi difícil, todos sabíamos, mas as alegadas tentativas - reforçadas pelas declarações de directores de jornais e de jornalistas - de condicionar a comunicação social constituem um comportamento reprovável de quem tem evidentes tiques de autoritarismo.

Tudo se adensa quando não existem esclarecimentos taxativos sobre estas suspeições - o que existe é uma constante vitimização de causar náuseas. Ontem, no Parlamento, foram feitas acusações graves e numa democracia madura vai-se ao fundo das questões. Com efeito, em democracia, os representantes eleitos pelo povo soberano têm que prestar contas e esclarecimentos aos cidadão…

Debate entre Rangel e Passos Coelho

Ontem assistimos ao primeiro debate entre candidatos à liderança do PSD, sem a presença de Aguiar Branco. Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho tentaram esgrimir argumentos sobre o futuro do país e do PSD. Fica-se com a indelével sensação que Rangel tem um discurso muito mais orientado para o pais do que para o partido, enquanto o contrário se passa com Pedro Passos Coelho.

Este debate marca o início de uma campanha eleitoral que poderá ser esclarecedora para o rumo político do partido e para o princípio da estabilização do PSD. Mas esta também será, muito provavelmente, a última oportunidade para o PSD. É essencialmente por essa razão que esta definição que se aproxima no partido é tão importante para o futuro do PSD. Não parece muito provável que o partido recupere a credibilidade aos olhos dos cidadãos se continuar com lideranças anódinas e lutas intestinas.

Este debate entre os dois candidatos à presidência do partido é também sintomática do vazio de ideias que domina o espaço político…