Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Ameaças de demissão

A semana política fica marcada pela instabilidade ao nível do Governo a propósito das mudanças propostas pelos partidos da oposição relativamente à Lei das Finanças Regionais. Ou dito por outras palavras: a oposição prepara-se para aprovar mais dinheiro para a Madeira e o Governo não aceita essa alteração. Esta semana foi notícia a possibilidade do ministro das Finanças se demitir caso a lei seja aprovada, em consequência coloca-se também a hipótese da demissão do próprio Governo.

Quanto à lei propriamente dita e que é, afinal de contas, o pomo da discórdia, não há muito a dizer. Trata-se, na sua essência, de mais uma benesse atirada para uma região já por si muito endividada, e num contexto de graves dificuldades financeiras do país. Com efeito, os partidos da oposição, designadamente o PSD nem têm uma linha de argumentação sólida que justifique a alteração proposta. No que toca ao PS, e em particular ao Governo, parece que esta lei está a ser aproveitada para uma novavitimização e nã…

O desafio da Europa

A recusa do ministro francês da Imigração em conceder a nacionalidade a um estrangeiro que obriga a mulher a usar o véu islâmico é mais um sinal do choque entre hábitos e costumes (frequentemente de índole religiosa) dos imigrantes e os costumes, tradições, cultura, laicismo e a própria Lei dos países de acolhimento. Sejamos claros: tem imperado uma perversão completa dos valores europeus concomitantes com o respeito pelos Direitos Humanos em favor da integração de imigrantes. Um pouco por toda a Europa assiste-se a uma tentativa de integrar a qualquer custo os imigrantes, sendo que esse custo é invariavelmente a nossa ideia de sociedade.

Não é, pois, por acaso que a sharia é olhada por alguns como uma alternativa para os muçulmanos à Lei dos países e ao Estado de Direito - seria uma espécie de lei específica para a comunidade muçulmana a residir na Europa. Não interessa que os cidadãos de um país tenham de respeitar a Lei desse país, nem tão-pouco parece relevante que essa mesma shari…

Mário Crespo e José Sócrates

Começou outra novela cujo enredo se vai complicando com a entrada de novas personagens. Em síntese, Mário Crespo escreveu um artigo no qual acusa o primeiro-ministro de o classificar como sendo um problema entre alguns impropérios. Esta é mais uma acusação de tentativa por parte do primeiro-ministro de condicionar a comunicação social, mais uma entre várias. Entretanto, o Director de programas da SIC, que estava no mesmo restaurante, veio a público confirmar e refutar as acusações do jornalista da mesma estação.

Esta é mais uma novela de curta duração. Não existem provas que a conversa terá ocorrido tal como Crespo a descreveu e o primeiro-ministro já sobreviveu a situações mais intrincadas. De um modo geral, há situações menos transparentes que indicam uma eventual tentativa de condicionar jornalistas: o caso de Manuela Moura Guedes, a saída do Director do Público, José Manuel Fernandes, e agora a conversa de José Sócrates sobre Mário Crespo poderão até ser eventualmente explicáveis, …

Pressões da China

Perante a possibilidade do Presidente Barack Obama receber o prémio Nobel da Paz, Dalai Lama, a China reagiu com as ameaças do costume. Segundo as autoridades chinesas, uma eventual recepção de Obama do líder espiritual tibetano compromete as relações entre os dois países. As ameaças cada vez menos veladas das autoridades chineses surtem, amiúde, efeito. Mas não me parece que venha a ser este o caso.

A Administração Obama não se coibiu de criticar veementemente o regime chinês devido aos episódios de censura que puseram em causa a permanência da empresa Google na China. Existe certamente uma certeza: uma eventual recepção por parte do Presidente americano do Dalai Lama fragiliza as relações com a China, mas denota aquela verticalidade que não se coaduna com a Realpolitik. Em Portugal, aquando da visita do Dalai Lama ao nosso país, o Governo e a Presidência mostram a sua total subserviência e ausência de espinha dorsal. Enfim, não terá sido o primeiro episódio do género, nem será segura…

Unidade dos portugueses

No início das comemorações centenário da República, o Presidente da Republica e o primeiro-ministro apelaram à unidade dos portugueses. O período que o país atravessa é difícil e mais grave, não se vislumbram melhorias no horizonte. Curiosamente muitos dos vícios da I República não se afastam assim tanto dos tempos que atravessamos, esses vícios abriram a porta a 48 anos de ditadura.

O Presidente da República e o primeiro-ministro apelam à unidade dos portugueses. Essa unidade é, indubitavelmente, determinante para ultrapassarmos os problemas actuais. Mas seria igualmente importante que a classe política fizesse uma profunda análise da sua acção nos últimos anos. A mentira, a suspeição, a incompetência e os interesses mesquinhos estão a corroer a República e a destruir a Democracia. A unidade também se consegue com responsabilização. Coisa rara nos tempos que correm. Esta reflexão tem que ser feita também por quem nos pede unidade.

Agências de rating

As chamadas agências internacionais de notação financeira teceram duras críticas em relação ao Orçamento de Estado proposto pelo Governo. Em resposta, o ministro seguiu a mesma linha de critica mas relativamente às agências de rating ou agências de notação financeira. Estas agências emitem pareceres sobre os riscos às emissões de dívidas aos Estados, na prática uma classificação baixa de um determinado país implica que esse mesmo país terá que enfrentar taxas de juro mais altas.

Há um factor que é inequívoco: a classificação destas agências condiciona a actuação dos Estados - trata-se de mais uma perda de instrumentos dos Estados que, no passado, tinham ao seu dispor. Na verdade, o que as avaliações das agências origina é a perda de soberania dos Estados. Já não é o povo soberano a decidir sobre as suas políticas económicas, apesar de eleger representantes para o fazer; o problema é que os representantes eleitos vêem a sua acção condicionada pela acção externa, pela acção de quem não t…

A revolução de Chavéz

A revolução de Chávez inspirada nos princípios de Símon Bolívar continua a fazer as suas vítimas para gáudio dos arautos da "Revolução Bolivariana". A comunicação social foi novamente a vítima do despotismo de Hugo Chávez, canais de televisão são punidos, mesmo o canais de cabo, se não prestarem vassalagem a Chavez. A comunicação social não escapa à obrigação (ou será dever patriótico?) de emitir os discursos prolixos de Chávez. O canal que se recusar perde a licença.

No passado foi a rádio a principal visada pela senda de autoritarismo que faz parte de quem está à frente dos destinos da Venezuela. Uma das principais consequências da dita revolução bolivariana foi precisamente a liberdade imprensa. O Sr. Chávez para além de ver nos EUA uma espécie de nova peste negra, tem ainda a virtude de privar os seus cidadãos de liberdades essenciais. É também o cerceamento de liberdades fundamentais que fazem a revolução de Hugo Chávez.

Há, apesar desta pequena e quase insignificante que…