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Mensagens

20 anos depois

Comemorou-se ontem os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o também chamado Muro da Vergonha. Com a queda do Muro de Berlim, milhões de cidadãos do Leste da Europa deixaram de viver sob o jugo comunista que castrava umacaracterística intrínseca aos seres humanos: a necessidade de ser livre. A queda do Muro foi também a queda do comunismo e o fim de uma Europa dividida.

Este acontecimento, a par de outros que marcam a história da humanidade, dá geralmente lugar à esperança de uma melhoria na vida das pessoas. Essa melhoria acabou por acontecer, mas a última década mostrou também os efeitos nefastos de uma globalização da economia, assente em larga medida no capitalismo selvagem, sem o necessário acompanhamento de uma globalização social e política.

O enfraquecimento da política face ao poder económico acaba por se traduzir também numa crise internacional como o mundo não via há oitenta anos. A constante degradação da vida dos cidadãos europeus a par de taxas de desemprego galopantes acaba…

Face Oculta

O caso Face Oculta vem novamente mostrar ao país a promiscuidade existente entre quem se ocupa de cargos públicos, muitos deles de cariz político, e empresas privadas. Mostra também que a política serve apenas quem se ocupa dela e raras vezes serve para salvaguardar o interesse do país. Ora, casos como este não são propriamente novidade e apenas vêm comprovar a ideia que sustenta a existência de elevada corrupção no nosso país. O que este caso mostra também é a degradação de um regime - dito democrático - em que uma vasta maioria luta diariamente para ter uma vida condigna, e um grupo de priveligiados se ocupa do Estado e dos seus assuntos para salvaguardar os seus próprios interesses. É precisamente a qualidade da nossa democracia que é posta em causa por senhores que chegaram onde chegaram graças à política. Não admira, pois, que a política e os políticos que, ao longo dos anos se mostram impotentes para resolver os problemas mais prementes do país e simultaneamente ainda abusam dos …

Programa de Governo

O programa apresentado pelo Governo de José Sócrates não trouxe nada de novo, é, afinal o programa que foi sufragado nas últimas legislativas. A oposição insurgiu-se contra o programa de Governo precisamente por ser igual ao que foi a eleições. O ponto de vista da oposição é curioso e faz levantar a seguinte questão: qual seria então o programa que o Governo deveria apresentar? Não será normal que José Sócrates apresente o mesmo programa que foi escrutinado pelos eleitores? Afinal, não foi o PS que ganhou as eleições?

Os partidos da oposição em vez de se concentrarem no conteúdo do programa mostram novamente ao pais a sua inabilidade. Em bom rigor, importa também dizer que quando um deputado interpela o primeiro-ministro com perguntas mais complexas, não merece resposta. José Sócrates pode vir apregoar as virtudes do diálogo, mas não consegue esconder a sua arrogância inata.

O programa propriamente dito é medíocre e está longe de abrir caminho à resolução dos problemas do país. Com ou s…

Erro estratégico

O país está pouco habituado a dar importância à saúde em geral, e à saúde mental em particular. Consequentemente, não é de estranhar o desprezo a que a psicologia é votada, e não apenas na perspectiva da saúde, como do ponto de vista educativo. O desprezo é tal que a disciplina de Psicologia do ensino secundário tem vindo a ser leccionada por professores de Filosofia, estando os psicólogos arredados da possibilidade de darem aulas relacionadas com a sua área de formação. A displicência é tanta que se permite que estas e outras incongruências se arrastem durante anos, sem que quem tem responsabilidades na matéria olhe sequer para o problema e oiça as pessoas envolvidas. Terá sido, porventura, uma questão de tempo e de agenda: o constante antagonismo relativamente aos professores consumiu grande parte do tempo da anterior ministra da Educação.
Com efeito, o desprezo pela Psicologia vai mais longe no contexto escolar onde se verifica um número muito reduzido de psicólogos para a população…

Crucifixos nas escolas

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos deu razão a uma mãe italiana que protestou porque a escola frequentada pelo filho tinha crucifixos nas salas de aula, exigindo assim a sua retirada. A polémica gerada em torno de símbolos religiosos, da liberdade religiosa e do laicismo ganhou novas dimensões com esta decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Note-se que a decisão do Tribunal foi conseguida por unanimidade.

O tema da laicidade dos Estados e da religião será sempre polémico e terá invariavelmente como consequência dividir a sociedade. A decisão do Tribunal Europeu acaba por ser coerente com o principio da laicidade e se, de facto, sentimos algum incómodo por causa de outros símbolos religiosos, o melhor será talvez não permitir a exposição de nenhum símbolo religioso. Se as pessoas ainda não atingiram um grau de maturidade que lhes permita viver harmoniosamente com o que é diferente, então o melhor mesmo é não expor esses mesmos símbolos em locais públicos, designadamente …

Não suspensão do modelo de avaliação

Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, afirmou que o modelo de avaliação dos professores não será suspenso. Refere a possibilidade de o mesmo ser melhorado e apela à sensatez da oposição. Na verdade não era bem isto que muitos queriam ouvir, o ideal seria mesmo a suspensão do próprio governo. Infelizmente, esse cenário não, para já, possível.

Quanto à intransigência do Governo em abandonar a teimosia desvairada de querer aplicar um modelo intrincado e que terá, provavelmente, um reduzido grau de eficácia, não espanta ninguém; embora seja possível que as palavras deLacão não passem de um mero jogo de retórica. De facto, será difícil avançar com um modelo que é central nos antagonismos criados pela anterior equipa de Maria de Lurdes Rodrigues.

Paralelamente, outro aspecto que merece discussão prende-se com a crescente burocratização da classe docente. Não se compreende como é que se faz da educação um verdadeiro labirinto que consome tempo e forças a uma classe profissional cuj…

As indefinições do PSD

O PSD, partido habituado a verdadeiras novelas sem grande sucesso, vive agora a novela da sucessão, com Marcelo Rebelo de Sousa como o principalprotagonista. O PSD tem vivido quase exclusivamente das personalidades que ocupam a liderança, quando essas lideranças são anódinas , o partido atravessa longos e duros períodos de dificuldades e de indefinições. É o que tem vindo a acontecer desde o abandono de Durão Barroso. O partido perde-se em guerras intestinas, enquanto uns apregoam a mudança e a modernidade e outros esperam pelo regresso de um qualquer Messias.

É precisamente neste ponto que se encontra o PSD - uns acreditam que Passos Coelho é a solução enquanto outros defendem o regresso de Marcelo. Assim, o PSD mantém-se igual a si próprio, ou seja, agarrado à figura que ocupa a liderança, nunca discutindo qual o caminho, do ponto de vista ideológico, a seguir pelo partido. No PSD continua a discutir-se apenas e só quem é que está em melhores condições de ocupar a liderança do partid…