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Mensagens

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo.

É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo e…

Declarações de Manuela Ferreira Leite sobre o TGV

O debate televisivo entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro foi genericamente morno e inconsequente, excepção feita às afirmações da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, sobre o TGV e a prevalência dos interesses espanhóis em detrimento dos interesses nacionais. As afirmações da líder do PSD foram polémicas e estão a dar azo à proliferação de críticas que recaem sobre as palavras desta forte candidata ao lugar de primeira-ministra. A Presidente do PSD tem razão numa questão de fundo que se prende com os elevados níveis de endividamento do país. Mas ao invés de enfatizar a forte possibilidade do endividamento se tornarinsustentável e da necessidade urgente do país passar a produzir mais bens e serviços transaccionáveis, Manuela Ferreira Leite perde-se em minudências e acaba por cair na polémica, pese embora a importância que as autoridades políticas espanholas estão a dar ao assunto do TGV reforce a ideia que Ferreira Leite procurou passar, ou seja, que os espanhóis tê…

Obama e o 11 de Setembro

Assinala-se hoje o oitavo aniversário sobre os atentados do 11 de Setembro. Existe contudo uma diferença entre os sucessivos anos que têm passado desde o 11 de Setembro: hoje os EUA têm um Presidente cuja postura, discurso e políticas são diametralmente opostas à de George W. Bush. Refira-se que uma das maiores diferenças entre os dois presidentes prende-se precisamente com a imagem que projectam do seu país para o resto do mundo.

Com efeito, seria grosseiro estabelecer quaisquer paralelos entre a acção política de Obama e aquela que desenvolvida por Bush, mas é facto que hoje o mundo olha para os EUA com outros olhos - Barack Obama já fez mais em matéria de imagem dos EUA em quase um ano de mandato do que muitos presidentes fizeram em dois mandatos. Aliás, Obama herdou uma conjuntura manifestamente difícil deixada pela Administração Bush. Obama teve que refazer aquilo que Bush desfez nos anos em que esteve à frente dos destinos do país.

O 11 de Setembro já foi adjectivado de todas as f…

A luta de Obama

O Presidente Barack Obama entrou na fase mais importante do desafio de reformar a saúde nos Estados Unidos - a fase da aprovação ou não do Congresso. A luta de Obama é a todos os títulos meritória, trata-se afinal de melhorar um sistema de saúde que envergonha os americanos, providenciando um alargamento da cobertura, maior transparência no que diz respeito aos seguros e contenção de custos aliada à sustentabilidade do sistema. Para se conseguir atingir estes objectivos será necessária um mudança de sistema e, mais grave, uma mudança de mentalidades.

Para nós europeus, o sistema de saúde americano fortemente apoiado em seguros de saúde privados, não faz qualquer sentido. A inexistência de um modelo público e tendencialmente gratuito como a regra e não como a excepção é inconcebível para qualquer europeu. A sociedade americana nunca escondeu a valorização do individualismo em detrimento de valores mais próximos dasolidariedade. A concepção de modelo social europeu simplesmente não faz s…

As incoerências do PSD

No PSD, Aguiar Branco, não se coibiu de comentar o caso Freeport enquanto a líder do partido escolhia nomes envolvidos em processos judiciais para a lista de deputados do partido; a Presidente do partido e o PSD referem incessantemente a "asfixia democrática", obra do PS de José Sócrates, e desloca-se à Madeira para fazer elogios ao feudo de Alberto João Jardim, falando mesmo - espante-se! - de modelo de governação.

Ora, estas incoerências fragilizam o partido e muito em particular a imagem da Presidente, Manuela Ferreira Leite. É precisamente no que toca àtransparência , honestidade e frontalidade que Ferreira Leite cultiva uma imagem muito mais consolidada daquele de José Sócrates e é, ironicamente, sobre a verticalidade de Ferreira Leite que recaíam os maiores elogios e que agora recaem muitas críticas.

De resto, um dos pontos mais fortes de Manuela Ferreira Leite (e não são tantos quanto isso) prende-se com o seu carácter que no meio de um passado político muito criticado …

Desemprego e qualificação

A notícia que os jovens qualificados portugueses são mais afectados pelo desemprego, em particular o de longa duração, do que a generalidade de jovens nas mesmas condições noutros países da OCDE não causa espanto a ninguém. É sobejamente conhecida a falta de apetência do país para aproveitar os recursos humanos existentes. Quando se relaciona o desemprego e a qualificação surgem invariavelmente os argumentos que defendem que a principal razão para a existência do fenómeno prende-se com a panóplia de cursos superiores sem saída profissional. De certa forma esse argumento não é desprovido de sentido, apesar de ser redutor considerá-lo como o principal responsável pelo desemprego entre os jovens mais qualificados.
De facto, existem outras duas razões que subjazem ao fenómeno em análise: a primeira está relacionada com a falta de visão estratégica de muitos empresários que rejeitam os mais qualificados, preferindo ignorar assim que os mais qualificados, independentemente da área de formaçã…

Muita polémica, poucas ideias

A três semanas das eleições legislativas verifica-se que o país político pouco ou nada mudou, os partidos que estão na corrida eleitoral fogem a sete pés das questões essenciais para se refugiarem em polémicas etricas partidárias. De resto, o caso da TVI é mais um elemento que acaba por adiar a discussão dos assuntos que interessam aos portugueses, nomeadamente em relação ao emprego, justiça, saúde, educação.
Com efeito, as polémicas que invadem páginas de jornais e tempos de antena servem, entre outras coisas, para desviar as atenções do essencial, sendo que o mais grave é que raras vezes assistimos a um desfecho. Perde-se tempo com conjecturas e os eleitores continuam à espera de discussões elucidativas sobre as propostas dos partidos políticos. Sublinhe-se, porém, que o caso da TVI parece configurar um sério atentado à liberdade de comunicação e que dessa forma constitui um caso grave que ao qual urge dar resposta. Infelizmente, os portugueses terão de se contentar com o pior de doi…