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Mensagens

O apelo do Papa

Durante a sua visita a Israel e aos territórios palestinianos, o Papa Bento XVI aproveitou para fazer um apelo à criação do Estado palestiniano. Sendo certo que este Papa não reúne consensos, também é verdade que em algumas das suas posições acabam por revelar algum bom senso. De resto, no caso concreto o apelo do Papa tem a sua razão de ser, embora se possa discutir o local escolhido para esse apelo, feito na Cisjordânia embora também se possa alegar que o apelo faz mais sentido precisamente se for feito nos territórios palestinianos.
É evidente que se existe uma frágil esperança de que a paz é possível naquela região do Médio Oriente, essa esperança apoia-se na coexistência de dois Estados soberanos: o Estado de Israel e o Estado da Palestina. Sem a criação de condições para a existência de facto de um Estado palestiniano, qualquer processo de paz para a região estará condenado à nascença. O Papa mais não fez do que sublinhar a importância desta evidência.
No essencial, a criação do…

Bela Vista

O título remete, naturalmente, para o bairro da Bela Vista em Setúbal que tem sido o palco de violência e de forte vigilância da polícia. Há quem assevere que existe um real perigo de contágio e que os exemplos que vêm da Grécia ou de França podem servir de referência para jovens que vivem em bairros sociais. Na Grécia, os conflitos entre jovens e a polícia têm subjacente a existência de lideranças e influências políticas que não podem ser ignoradas, designadamente de partidos anarquistas; em França, a emigração, a existência de bairros colossais em volta de grandes cidades como Paris e os falhanços de uma política que pretendeu integrar emigrantes que recusam essa integração e cujos filhos vivem numa complicada mescla de cultura dos progenitores e cultura do país onde nasceram resulta numa instabilidade urbana são elementos destabilizadores. Prever que Portugal possa mergulhar numa situação semelhante é um claro exacerbamento.

Paralelamente, há quem sublinhe que a crise poderá desenca…

Visita do Papa ao Médio Oriente

A visita de Bento XVI ao Médio Oriente reveste-se de uma importância assinalável na medida em que pode ser mais um factor de aproximação entre religiões que insistem em vincar as suas diferenças. É indubitável que a visita mais intrincada é a visita ao Estado de Israel que, para além da sensibilidade inerente à condição do Estado hebraico no contexto do Médio Oriente, o Papa esteve envolvido em polémica devido ao levantamento da excomunhão a um bispo negacionista. Esta visita do Papa a Israel pode ser essencial para encerrar o assunto. Mas no essencial, a sensibilidade da visita prende-se com a constante instabilidade que se vive em particular naquela região do Médio Oriente caracterizada por uma intransigência cega que tanto o lado israelita como o lado palestiniano revelam. Também neste particular, a visita do Papa pode ser apaziguadora agora que o novo Governo israelita dá sinais de pouca tolerância e mostra ter uma postura de confrontação que em nada se coaduna com a necessidade d…

Instabilidade no Afeganistão e Paquistão

A instabilidade que tem vindo a recrudescer no Afeganistão e no Paquistão, consequência do regresso em força dos talibãs, é um dos problemas mais graves que o mundo tem de enfrentar. Sempre se tratou a intervenção militar americana no Afeganistão, coadjuvada por outros países, como sendo similar àquela que tem lugar no Iraque. Ora, a comparação é desprovida de sentido quando se sabe que o Afeganistão, durante o período de liderança talibã, foi o principal palco do terrorismo, em particular ao nível do treino e da doutrinação. Não se pode fechar os olhos a esta perigosa realidade. Note-se que o problema do Afeganistão é, de um modo geral, indissociável, do Paquistão.

A ameaça talibã tem vindo a crescer e a traduzir-se na procura de um regresso ao poder no Afeganistão, mas também no Paquistão onde as forças militares têm combatido esta ameaça. Há um facto que não pode ser ignorado e que se prende com a força que o islamismo radical tem nesta região, em larga medida graças à tibieza dos g…

Birmânia e a comunidade internacional

A Birmânia, que tem andado distante das primeiras páginas dos jornais e das aberturas dos serviços noticiosos, volta a ser notícia, desta vez devido à prisão de um cidadão americano que terá visitado Aung San SuuKyi, que se encontra em prisão domiciliária. Terá sido apenas por esta razão que a Birmânia e o ignóbil regime que está à frente dos destinos do país volta a ter algum destaque. De facto, depois da revolta dos monges e do ciclone que assolou o país este país caiu novamente no esquecimento internacional. O país é longínquo, o regime inexpugnável, o rosto da oposição, Aung San SuuKyi, encontra-se presa há mais de 13 anos e países como a China continuam a bloquear qualquer intenção que comunidade internacional possa ter no sentido de contrariar a junta militar que governa a seu bel-prazer o país há décadas, o que torna o assunto pesado e pouco apetecível.

Nestas condições, não é causa de espanto que o assunto seja, de um modo geral, ignorado. O regime militar governa o país desde …

Receita com sabor amargo

Segundo uma sondagem publicada pelo Diário de Notícias, o PS continua a liderar confortavelmente, mais ainda assim sem maioria absoluta, as intenções de voto dos portugueses que parecem apostados em insistir na mesma receita de sabor amargo. O grande argumento a favor destes resultados prende-se com ausência de alternativas, nomeadamente à direita do PS. O argumento está gasto e a prová-lo está a subida, ainda que tímida, do PSD. Mas a verdade é que existe uma vasta maioria de cidadãos eleitores que, face a uma situação de escolha, pese-embora essa escolha possa ser condicionada, volta a insistir numa solução que provou ser tudo menos solução. Ora, se a escolha é condicionada, parece lógico escolher-se o que já se sabe de antemão que é negativo.

Quando se fala na prestação negativa do actual Governo está-se a referir ao desempenho do Executivo e não a questões que, embora sejam colaterais à governação, deixam muito a desejar no que diz respeito ao carácter e à idoneidade de quem desemp…

Desemprego e crise social

Os ministros das Finanças da zona Euro sublinharam os perigos do desemprego, designadamente no que diz respeito às suas consequências que poderão resultar numa crise social na Europa. O que é grave é que, até 2010, a generalidade das previsões apontam para uma subida do desemprego. Ora, à instabilidade social que as elevadas taxas de desemprego cria, junta-se um sentimento genérico que as medidas tomadas quer pelos vários países, quer a nível europeu estão longe de coarctar os efeitos da crise, que essas lideranças políticas não demonstram ter respostas para os problemas dos cidadãos, mas que essas respostas, quando se trata de injectar liquidez ou nacionalizar a banca, são atempadas.

Importa também referir o claro aproveitamento de algumas empresas que usam e abusam da crise. Nem tão-pouco são raros os casos de empresas que têm objectivos que não se coadunam com o número de funcionários que mantém ou almejam deslocar-se para mercados mais apetecíveis. Neste particular a Europa ainda n…