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Mensagens

E novamente a maioria absoluta

Agora foi a vez do ex-Presidente Jorge Sampaio vir sublinhar a necessidade de uma maioria absoluta. Estas declarações de Jorge Sampaio aproximam-se vertiginosamente de uma trágico-comédia. O mesmo Presidente que obrigou um Governo de maioria a ir novamente a eleições é agora um adepto fervoroso da maioria absoluta.

São estes discursos do tudo ou nada que colocam os cidadãos entre a espada e a parede. Na verdade, e embora haja uma crise consensualmente avassaladora, os portugueses devem dar maioria absoluta a um Governo mesmo que o mesmo represente um verdadeiro hino à mediocridade e cujas políticas têm contribuído decisivamente para o estado preocupante do país.

Assim sendo, impõem-se as seguintes perguntas aos arautos da maioria absoluta:

Um Governo sem uma ideia para a Educação que não passe por perseguir professores, encerrar escolas e transformar o facilitismo em instituição nacional merece uma maioria absoluta?

Um Governo que, numa legislatura, conseguiu fazer pior em matéria de just…

Tibete - 50 anos

Há quem celebre os 50 anos da revolta do Tibete e quem celebre os 50 anos da reforma democrática do Tibete. Estas celebrações tão dispares são sintomáticas de um problema que vai muito para além da semântica. Para a generalidade dos Tibetanos, passaram justamente 50 anos da revolta do seu povo, 50 anos que vivem sob o jugo chinês, 50 anos que o dalai lama se viu forçado ao exílio. Para o regime chinês, estes últimos 50 anos representam uma evolução sem precedentes para o povo do Tibete. O regime chinês propagandeia a existência de um povo feudal e servil que conheceu o caminho do desenvolvimento graças à intervenção chinesa.

Pelo caminho ficam os 50 anos de revolta de um povo que não quer viver sob o jugo chinês - 50 anos de um povo diferente, quer do ponto de vista étnico, quer do ponto de vista cultural, do povo chinês. Estes 50 anos de revolta tibetana e de exílio do Dalai lama contaram também com a conivência e cobardia da comunidade internacional. E os próximos anos, sejam eles qu…

Socialismo à Chávez

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou dar mostras do seu socialismo ao anunciar a intervenção do Estado Venezuelano em terras exploradas por um grupo internacional que se tem dedicado à produção de papel e cartão. Esta é mais uma medida que se insere no socialismo de Chávez e naquilo que é considerado por ele a herança da revolução bolivariana. Não é por acaso que é sobejamente conhecida a atracção que este homem provoca numa esquerda que se sente sozinha, em particular desde o fim do mandato de George W. Bush. E que nem a crise do capitalismo tem preenchido essa solidão. Assim, homens como Chávez cujas políticas trazem reminiscências de outros tempos, são por essa esquerda, venerados.

Há, contudo, uma questão que é indissociável das práticas políticas de Chávez: o petróleo. É o petróleo que permite ao Presidente venezuelano aplicar políticas de uma pretensa reforma agrária e políticas "socialistas" que estão a condenar a iniciativa privada. Ora, por muitas críticas …

Os lucros da Galp

A Galp anunciou um lucro de perto de 500 milhões de euros, valor referente ao ano de 2008. Segundo o relatório da própria Galp, os últimos três meses foram determinantes para o lucro da petrolífera. Como já seria de se esperar, o tempo que a Galp demorava a acertar os preços (a descer os preços, leia-se) foi fundamental para que a empresa alcançasse um valor perto dos 500 milhões de euros de lucro. É simplesmente vergonhosa a forma como estas empresas actuam, com a inequívoca conivência do orgão de supervisão.

Chega a ser anedótico assistir-se à inépcia demonstrada por uma Autoridade da Concorrência que neste caso, como em outros, permite que as grandes empresas tenham rédea solta para agirem da forma como bem entenderem. Não é possível pensar-se num mercado saudável, com livre concorrência e que não lesam os consumidores quando as autoridades competentes revelam tão grande incompetência.

Por outro lado, e não querendo sucumbir à tentação da demagogia, é curioso verificar a forma como o…

A chantagem da maioria absoluta

O último congresso do partido socialista teve apenas um momento marcante e não, não se trata da sensibilidade do primeiro-ministro que o deixou com lágrimas nos olhos. De facto, esse momento marcante prende-se com o pedido que José Sócrates fez ao país: a renovação da maioria absoluta nas próximas eleições. A sua argumentação baseia-se numa amálgama de justiça e salvaguarda da estabilidade política.

Quanto à pretensa justiça, a situação raia o ridículo: José Sócrates e o PS mantêm-se à frente das sondagens porque não se vislumbra uma alternativa credível, e não porque os portugueses reconheçam neste governo um desempenho extraordinário cujo contributo tenha sido decisivo para o país. A relação do país com José Sócrates é um pouco como aquele de um casal em que um dos membros, não conseguindo arranjar melhor alternativa, vai ficando com o outro. A relação do país com José Sócrates não é amor, nem anda lá perto, é apenas uma relação de conveniência que, por força das circunstâncias, vai-…

Os desvarios de uma esquerda caduca

O ayatollah Khamenei, líder supremo do Irão, voltou a dar sinais de intransigência e radicalismo. As críticas feitas ao novo Presidente americano são sintomáticas de uma estratégia de constante confronto - nem que seja verbal. As declarações do líder iraniano não chocam uma esquerda antiamericanista, nem mesmo quando o ayatollah designa Israel como sendo um "tumor canceroso". Nem tão-pouco interessa a essa esquerda que o Irão mantém uma postura agressiva em relação aos Estados Unidos e muito particularmente no que diz respeito a Israel. Não passa pela cabeça destes antiamericanistas que a solução não passa pela retórica agressiva e a ostensiva hostilização dos países vizinhos.

É claro que a retórica da tal esquerda faz questão de se basear na ideia de que os israelitas estão apenas a colher aquilo que semearam e que a resposta do Irão e da Palestina são apenas isso: respostas. É fácil ignorar a forma ignominiosa como o Irão apoia e patrocina grupos terroristas como o Hezbolla…

A crise pode ter aspectos positivos?

Apesar da avalanche de notícias negativas relacionada com a crise, é possível vislumbrar-se um lado mais positivo da crise internacional. Com efeito, a crise pôs a nu a forma desregulada como o sector financeiro opera - o caso português acabou por não ser excepção, com os escândalos do BPN e do BPP. Talvez se não fosse a eclosão da crise, estes casos permaneceriam incógnitos.
A palavra que se impõe para fazer face à rebaldaria que se instalou no sector financeiro, designadamente com a multiplicidade de produtos financeiros opacos, é mudança. O modo errático como os bancos têm vindo a funcionar e a exposição de todo o tipo de malabarismos financeiros e jogadas de casino exigem uma mudança radical. A crise acaba por ser responsável por uma necessidade inexorável de mudança porque o que está em causa é a viabilidade do próprio capitalismo.
Paralelamente, as vozes que criticaram, durante anos, os excessos do actual sistema são hoje ouvidas, quando há meses atrás essas vozes eram ridiculariz…